Crítica | Supergirl (2026)

Superman” surge como uma antítese ao que a DC tinha se tornado depois da chegada de Zack Snyder e também como um exemplo para ditar o tom dos novos filmes do estúdio, agora comandado por James Gunn. Assim, “Supergirl” se assemelha àquele filme em diversos aspectos, ao mesmo tempo que é ainda mais introspectivo e, com isso, delineia suas diferenças, até porque é comandado por outro nome. A escolha por Craig Gillespie faz sentido se pensarmos no seu histórico no cinema, tendo realizado “Eu, Tonya” e “Cruella”, já que a ideia é trazer uma Kara Zor-El que não é inteiramente uma super heroína (ainda). Assim, o roteiro de Ana Nogueira traz a personagem interpretada por Milly Alcock vagando de planeta em planeta, em busca de se sentir o mais “normal” possível enquanto se embriaga longe de sóis amarelos. Em meio a sua farra, cruzam seu caminho Krem (Matthias Schoenaerts), um vilão da pior escória, e Ruthye (Eve Ridley) mais uma de suas vítimas, no caso dela, uma em busca de vingança e é isso que vai unir a jornada dela e de Kara em busca de Krem através do Universo. É uma história simples e completamente genérica, e aí começam os problemas de “Supergirl”.

Supergirl 02
(Cortesia da DC Studios e Warner Bros. Pictures)

É interessante essa pegada mais introspectiva, não se ter o mundo ou o universo mais uma vez ameaçados, é uma história sobre essas duas personagens e a jornada conjunta delas. Só que o roteiro de Ana Nogueira é de uma simplicidade tão grande que falta muito, principalmente um bom desenvolvimento para que as personagens possam nos contagiar de alguma forma. É uma narrativa que já estamos cansados de ver, e não há nada que sequer tente inovar, somente mais um repeteco, e não apenas na questão do roteiro e da narrativa, mas também visualmente. Se faz sentido, de certa forma, a escolha por Gillespie ser o diretor aqui por conta da narrativa, o que ele entrega na parte visual são uma lembrança dos piores momentos em seus filmes anteriores, e ainda que ele tenha suas limitações, não é inteiramente sua culpa, porque “Supergirl” parece ter a obrigação de se assemelhar a tantos outros filmes que já vimos recentemente. É até curioso James Gunn não ter comandando este projeto, porque os visuais são uma clara inspiração de seus “Guardiões da Galáxia”, de cabo a rabo. Mas temos ali também semelhanças com “Mad Max” -sendo que podemos ver algo muito superior no subestimado “Furiosa”-, e até mesmo o “Predador: Terras Selvagens” do ano passado, nesse caso até com similaridades narrativas.

Supergirl 03
(Cortesia da Warner Bros. Pictures)

Dito isso, é complicado assistir a um filme que a todo momento se parece com tantos outros. Essa falta de personalidade prejudica demais “Supergirl” até no momento das escolhas musicais, com cenas que parecem apenas uma tentativa de emular o que Gunn faria. É estarrecedor o quanto esse é um filme sem identidade, aí não importa se Milly Alcock tem qualquer carisma, é impossível salvar o fiasco de personagem que lhe é entregue. O que mais destoa, no entanto, é o Lobo de Jason Momoa, e isso diz bastante sobre as escolhas feitas para o filme. É um personagem jogado na trama sem qualquer motivo, não agrega em nada e sua presença ali não faz a menor diferença, é uma gratuidade que ainda tira tempo de tela da dupla “protagonista” formada por Alcock e Ridley. Tudo isso também influencia na dificuldade de encontrar os tons das piadas, que arrancam no máximo aquele sorriso amarelo, mas nunca são realmente efetivas. O filme ainda quer ter uma liberdade um pouco mais sombria, meio que um contraponto de que no espaço as coisas são um pouco diferentes que na Terra, mas nunca se sente, de fato, o peso disso. É tudo muito artificial para tal. Assim, “Supergirl” nunca tem aquele impacto que te faça sentir algo realmente sincero e como puro entretenimento deixa a desejar porque é de uma pobreza visual gritante. No geral, uma enorme decepção.

Supergirl” – Trailer Legendado:

Supergirl” (2026); Direção: Craig Gillespie; Roteiro: Ana Nogueira; Elenco: Milly Alcock, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Krumholtz, Emily Beecham, David Corenswet, Jason Momoa; Duração: 108 minutos; Gênero: Ação, Comédia; Produção: James Gunn, Peter Safran; País: Estados Unidos; Distribuição: Warner Bros. Pictures; Estreia no Brasil: 25 de Junho de 2026;

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