Mortal Kombat II 01

Crítica | Mortal Kombat II (2026)

Depois das adaptações no fim dos anos 90, o cinema ficou órfão de “Mortal Kombat” e muito por conta da recepção do segundo filme, mas alguns elementos da adaptação de 95, dirigida por Paul W.S. Anderson (conhecido pela franquia “Resident Evil”), perduram na cultura até hoje, um exemplo é a música “Techno Syndrome”, que virou sinônimo da franquia em qualquer mídia e até ganha uma releitura para esse novo filme comandado por Simon McQuaid. Realizador este que, assim como no predecessor de 2021, continua apostando em um tom meio “realista”, partindo da ideia da websérie “Mortal Kombat: Rebirth” que fez algum sucesso e abriu as portas para estas novas adaptações cinematográficas. O filme de 2021, no entanto, foi visto mais provavelmente na casa dos espectadores do que nos cinemas, sendo lançado ainda no esquema de estreia simultânea no serviço de streaming da Warner, a HBO Max, devido a pandemia. Uma coisa era certa, o protagonista criado especificamente para o filme anterior, e interpretado por Lewis Tan, foi um tremendo equívoco, e já de início vermos seu papel reduzido nesta sequência dá alguma esperança de que os erros daquele filme seriam corrigidos. Ledo engano, afinal “Mortal Kombat II” insiste nas mesmas coisas através de personagens diferentes.

Mortal Kombat II 02
Cortesia da Warner Bros. Pictures

A introdução de novos personagens visa enriquecer a narrativa de “Mortal Kombat II”, mas o melodrama acaba sendo repetitivo e extremamente piegas, destoando em vários momentos do filme e, mais importante, tomando um tempo de tela que não era necessário, porque acredito que o maior interesse seja mesmo no embate entre os personagens. O problema maior é que Simon McQuoid não tem tato nenhum para desenvolver as histórias aqui, e há um enorme temor em se assumir completamente como um filme B, então gera uma estranheza porque nenhuma das atuações é convincente para nos envolver no drama que se desenvolve, fazendo da estrutura principal muito frágil. De novo, isso só é um problema pela importância que é dada para o drama que se inicia no prólogo e tem um impacto ainda menor porque se há algo que ecoa em todo o filme é a falta de peso para os embates, que são combates que deveriam ser mortais, mas poucas vezes parecem oferecer riscos reais, a não ser a personagens que são cartas marcadas para morrer. São escolhas bastante óbvias, mas o que mais irrita é o apego de McQuoid a alguns personagens, como o insuportável Kano de Josh Lawson, que retorna sem a menor necessidade e o que devia servir como um alívio cômico tem o efeito completamente contrário.

Mortal Kombat II 03
Cortesia da Warner Bros. Pictures

É um humor que destoa até do próprio estilo humorístico no restante de “Mortal Kombat II”, que usa o Johnny Cage de Karl Urban como uma grande anedota, mas é algo envolvendo esse personagem que reforça porque este é um filme falho no todo. Na sequência de introdução de Cage há uma luta completamente caricata vinda de um dos filmes estrelados pelo personagem, e aquela sequência de ação é mais honesta com o público do que a grande maioria das outras no restante do filme. Porque a trucagem ali não tenta se esconder em cortes rápidos e uma montagem afobada para disfarçar um filme de luta que não sabe ser um filme de luta, a diferença entre o “John Wick” que é citado no filme e o próprio filme protagonizado por Keanu Reeves está na veracidade de lutas que não são apenas coreografadas, mas executadas por seus intérpretes o máximo possível. Óbvio que “veracidade” em “Mortal Kombat II” não existe, mas as coreografias dos embates “mano a mano” são importantes porque o pé na realidade que essas novas adaptações querem demonstrar ter fazem os personagens quase terem vergonha de usar habilidades que nos jogos são comuns e são o atrativo da franquia. No filme de Simon McQuoid falta isso e falta gravidade em tantas outras coisas, seja no Shao Khan de Martyn Ford, seja em quase qualquer luta, que sempre parece ter receio de machucar demais qualquer personagem. Exceção feita à luta de Liu Kang e Kung Lao, o grande momento de “Mortal Kombat II” e que devia servir de parâmetro para todo o resto do filme, que nunca entrega nada próximo disso de novo e, pior, apela para a canastrice sempre que possível. Se tornando, por fim, um filme que tem medo de ser mortal!

Mortal Kombat II” – Trailer Legendado:

Mortal Kombat II” (2026); Direção: Simon McQuoid; Roteiro: Jeremy Slater; Elenco: Karl Urban, Adeline Rudolph, Jessica McNamee, Josh Lawson, Ludi Lin, Mehcad Brooks, Tati Gabrielle, Lewis Tan, Damon Herriman, Chin Han, Tadanobu Asano, Joe Taslim, Hiroyuki Sanada; Duração: 116 minutos; Gênero: Ação, Fantasia; Produção: Todd Garner, James Wan, Toby Emmerich, E. Bennett Walsh, Simon McQuoid; País: Estados Unidos; Distribuição: Warner Bros. Pictures; Estreia no Brasil: 07 de Maio de 2026;

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