Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra 01

Crítica | Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Gore Verbinski já fez de praticamente tudo em sua carreira, de horror e suspense, a remakes e projetos originais, animação e épicos, mas nunca conseguiu sair da sombra da franquia “Piratas do Caribe”, que convenhamos, também nunca mais foi a mesma sem ele. Depois de muitos projetos de grandiloquência, seu cinema parece estar ficando cada vez mais pessoal e “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra”, apesar de não ser roteirizado por Verbinski, reflete uma vida de experiências que é confrontada por uma “ameaça” capaz de nos substituir, mas que talvez tenhamos apenas que aceitar a coexistência. Se é que há alguma possibilidade disso. A ameaça em questão é uma inteligência artificial que, no futuro, domina o mundo e controla os humanos, mas um viajante do tempo retorna aos tempos atuais para recrutar uma equipe de estranhos que será capaz de derrotar esse vilão antes que se torne a força maligna que ele conhece. Sam Rockwell (“Argylle: O Superespião”) é o homem do futuro, enquanto o grupo de estranhos que resolvem se juntar a ele na missão é formado por um elenco até bem conhecido. Contudo, é Rockwell o principal responsável pela condução do filme, principalmente por seu carisma, mas nem isso é capaz de fazer qualquer coisa aqui aturável.

É válido querer tecer um discurso sobre a situação contemporânea de como o mundo digital consome as vidas das pessoas de tantas maneiras diferentes, mas a forma como isso é feito em “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” é completamente piegas, ingênua e completamente verborrágica. O monólogo de abertura, ao invés de inspirador, se faz irritante, e nem Verbinski ou o roteirista Matthew Robinson conseguem fazer o texto ter ou ser lido com a acidez ou o sarcasmo necessários, e essa dificuldade se replica por todo o filme, onde impera o genérico e tudo é bastante bem simples e unidimensional, até mesmo as reviravoltas podem ser captadas muito antes de acontecerem. As histórias paralelas dos personagens interpretados por Michael Peña, Zazie Beetz, Juno Temple e Haley Lu Richardson são bem rasas, e apesar de terem um ou outro momento de sagacidade que entretém, nunca realmente atingem o tom que desejam ou são capazes de criar alguma relação mais profunda que provocaria catarses no decorrer do filme. É um tanto clichê dizer que algo como “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” seria o que se espera de uma produção feita por Inteligência Artificial, mas é o que resta quando a falta de criatividade é assombrosa e a abordagem a toda temática é tão banal que não consegue empolgar em momento algum, parecendo vir tudo de um gerador de lero lero. Há pouco o que se extrair de todo o discurso, e até imageticamente é um filme bem pobre de ideias, o que só reforça a fragilidade do todo, que está longe de dizer algo relevante sobre como a tecnologia e, cada vez mais, a inteligência artificial fazem parte do nosso cotidiano, quer você queira ou não. É muito mais fácil criar uma história com reações humanas fortes quando conseguimos nos relacionar com seus personagens, mas com um panorama tão genérico, qualquer reação parece forçada e, assim, “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” fica apenas no plano da artificialidade.

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” – Trailer Legendado:

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” (“Good Luck, Have Fun, Don’t Die”, 2025); Direção: Gore Verbinski; Roteiro: Matthew Robinson; Elenco: Sam Rockwell, Haley Lu Richardson, Michael Peña, Zazie Beetz, Asim Chaudhry, Juno Temple; Duração: 127 minutos; Gênero: Comédia, Ficção Científica; Produção: Gore Verbinski, Robert Kulzer, Erwin Stoff, Oly Obst, Denise Chamian; País: Alemanha, Estados Unidos; Distribuição: Paris Filmes; Estreia no Brasil: 23 de Abril de 2026;

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