Morra, Amor 01

Crítica | Morra, Amor

Morra, Amor” é um misto de sensações tal qual seu título almeja causar. O filme de Lynne Ramsay acompanha o casal interpretado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson (“Mickey 17”) a partir de quando eles se mudam para a casa de um falecido tio de Jackson (Pattinson), no interior dos Estados Unidos, enquanto fica a impressão de que Grace (Lawrence) se sente um tanto quanto deslocada, mas a nova vida à frente deles é uma boa oportunidade para construir a família pela qual o apaixonado casal anseia e não tarda muito para que eles logo tenham um filho, bebê que irremediavelmente mexe com a rotina do casal e, principalmente, com a vida de Grace. “Morra, Amor” é um filme sobre depressão pós-parto, mas também é sobre muito mais do que isso, e dizer que é apenas sobre algo em particular seria tratar do filme com a mesma indiferença com a qual a protagonista, em seu papel de representação da maternidade, parece ser tratada no filme. Esses simbolismos, alguns mais sutis, outros nem tanto, estão presentes por todo o filme de Ramsay, e o transformam em algo que talvez não tenha todas as respostas, mas cujas lacunas podemos refletir sobre na tentativa de compreender algo que é imensurável.

Morra, Amor 02

Não acredito que “Morra, Amor” seja um filme fácil ou convidativo, pelo contrário, é denso e intrincado, como seus personagens, que não estão aqui para serem adorados -ainda que pareça inevitável que sempre tenhamos empatia por Grace. O papel de Jennifer Lawrence, no entanto, não é apenas de uma vítima, de uma mulher melancólica e perdida em sua depressão, sua Grace é uma figura independente, de personalidade forte e que não quer ceder aos estereótipos que lhe são impostos, ela quer ser mais do que isso, ela quer sua autonomia. Não é à toa, portanto, que ela consiga se comunicar tão bem com um personagem portador de Alzheimer, numa conexão que parece acontecer porque ambos ali entendem no outro a falta de controle que têm sobre seus corpos, ainda que lhe pertençam só a si mesmos, assim como suas vidas. Toda essa crise depressiva e de identidade é interpretada por Jennifer Lawrence com uma assombrosa atuação, possivelmente a melhor de sua carreira, nos conduzindo por seus diferentes humores com um magnetismo numa espiral que desencadeia uma miríade de sentimentos que impactam o espectador com toda sua força, mas Lynne Ramsay não quer que isso seja tocante, mas sim inquietante e é justamente o que ela consegue.

Morra, Amor” – Trailer Legendado:

Morra, Amor” (“Die My Love”, 2025); Direção: Lynne Ramsay; Roteiro: Enda Walsh & Lynne Ramsay e Alice Birch; Elenco: Jennifer Lawrence, Robert Pattinson, LaKeith Stanfield, Nick Nolte, Sissy Spacek; Duração: 119 minutos; Gênero: Drama; Produção: Martin Scorsese, Jennifer Lawrence, Justine Ciarrocchi, Molly Smith, Thad Luckinbill, Trent Luckinbill, Andrea Calderwood; País: Estados Unidos; Distribuição: Paris Filmes; Estreia no Brasil: 27 de Novembro de 2025;

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