Casablanca é palco de distintas trajetórias em Primavera em Casablanca, do cineasta Nabil Ayouch, que estreia nos cinemas em 19 de Julho pela California Filmes.

Confira o trailer legendado acima e a sinopse completa abaixo:

Entre o passado e o presente, cinco destinos estão inconscientemente interligados:

Hakim (Abdelilah Rachid), que vive na parte conservadora da cidade, sonha em ser uma estrela do rock;

Salima (Maryam Touzani) luta para se libertar de uma sociedade que a quer definir;

Joe (Arieh Worthalter), um judeu dono de restaurante, escolhe viver na Casablanca de suas fantasias, distorcendo sua realidade;

A jovem e rica Inès (Dounia Binebine) está dividida entre tradição e modernidade, enquanto lida com o despertar sexual.

E mais de três décadas antes, um apaixonado professor nas montanhas Atlas é silenciado…

Através do eco de seus sonhos destroçados, as desilusões dos personagens dão vida às faíscas que irão incendiar essa cidade.

O diretor, que esteve no Brasil durante o Festival Varilux de Cinema Francês para apresentar o filme, ao lado da atriz Maryam Touzani, explica:

Abdallah, Salima, Joe, Hakim e Inès são seres que alguns desejam destruir e esmagar.

Ainda assim, são a representação da esperança, pois cada um personifica a diferença ou o desafio interno que nos mantém vivos.

Eles são pessoas comuns, que encontramos no dia a dia e que se tornaram, no meu ponto de vista, heroicos.

Segundo Ayouch, o gatilho para fazer Primavera em Casablanca veio a partir do assédio e os ataques que ele e o elenco sofreram depois do filme Muito Amadas (Much Loved, 2015), que revela:

No Marrocos, onde vivo, testemunhei a sociedade evoluir de um tipo de vida em comunidade para uma exclusão sectária de todos aqueles que não se encaixavam nos moldes.

Quando lidando com temas sensíveis, o limite pode ser ultrapassado pelas massas, passando de ouvintes atentos à condenação, e, então, violência.

Senti que era urgente falar abertamente e mais do que nunca, jogar uma luz sobre o que está ocorrendo.

Sempre senti que era necessário falar sobre o que machuca e do que queremos manter distância.

Eu gosto de ter personagens de quem a sociedade tenta tirar a voz e deixar invisível, os empurrando para a marginalidade.

O diretor quis ir ainda mais fundo, explorando a alma silenciosa da maioria, cujas vozes ainda não falam alto o suficiente para reivindicar seus direitos:

Grandes revoluções começam com modestas e pequenas revoluções individuais.

O que aconteceu na Primavera Árabe de 2011 é, na realidade, uma soma de vários fatores: uma série de frustrações, humilhações, um desrespeito total dos direitos civis básicos e a retirada dos mesmos.

Esses movimentos de pessoas espalhados que derrubaram regimes foram feitos de homens e mulheres que no começo tiveram sua própria e íntima revolução antes de expressar sua raiva nas ruas.

Queria aprender mais sobre essas pessoas, para aprender o que empurrou algumas para resistir e outras a renunciar.

Depois de passar pelo Festival Varilux, o filme Primavera em Casablanca estreia no Brasil no dia 19 de Julho de 2018.

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