Babi Yar. Contexto” (“Babi Yar. Context”, 2021); Direção: Sergei Loznitsa; Roteiro: Sergei Loznitsa; Elenco: –; Duração: 121 minutos; Gênero: Documentário; Produção: Sergei Loznitsa, Maria Choustova; País: Holanda, França;

Talvez o mais chocante em “Babi Yar. Contexto” não sejam a força de suas imagens, que revelam um dos capítulos mais sombrios do regime nazista, mas a correlação que podemos fazer destas imagens ao que vivemos contemporaneamente. O documentário de Sergei Loznitsa resgata vídeos e fotos oficiais feitas por alemães, soviéticos e ucranianos de quando, através de Lviv, Kyev foi invadida e tomada pelos comandados de Hitler, que então vivia sob o regime soviético de Stalin. Após a chegada dos nazistas, tem início um dos maiores massacres do genocídio judeu, onde cerca de 30 mil deles foram assassinados em 3 dias pelo regime fascista de Hitler, em Setembro de 1941. A maioria das vítimas foram fuziladas e despejadas na ravina conhecida como Babi Yar. O que Loznitsa faz é reconstruir passo a passo dessa ocupação sangrenta recuperando imagens que eram registradas pelos respectivos regimes da época, inclusive com demasiada naturalidade, mas que reconstituem uma parte sombria da história da humanidade com tal clareza que soam ainda hoje assombrosas. Mesmo que em sua maioria não seja explicita a violência ou os crimes cometidos, há ainda assim um peso assombroso nessas imagens. Saber o resultado daquilo e ver estas imagens é algo aterrorizante.

Loznitsa também influencia nisso, ao montar seu documentário de maneira tão efetiva que cada novo capítulo desses relatos se faça impactante. Ele dá uma funcionalidade ao conjunto dessas imagens que potencializa ainda mais esse impacto existente em cada uma delas. É a história sendo desenrolada em frente aos nossos olhos, e é uma história macabra, mas construída com muita aceitação por boa parte do mundo. Assim, torna-se ainda mais assustador perceber como tanto lá atrás como hoje recebe-se de braços abertos a fascistas que nunca esconderam aquilo que pensam. A barbárie é aceita pela sociedade e, apesar de clichê, a história parece se repetir. Os ecos são tão perceptíveis que deixam em um estado de quase torpor, é chocante. Ainda mais quando se ouvem os testemunhos tanto de vítimas quanto de criminosos, que levaram à condenação de alguns soldados nazistas, que foram apreendidos após a União Soviética retomar as cidades ucranianas que, uma vez chamaram Hitler de “O Libertador”, para posteriormente clamarem Stalin como herói. A história talvez nunca tenha sido retratada de maneira tão crua como podemos ver aqui, um material cuja conteúdo é devastador, que ilustra com a realidade aquilo que já sabemos. Mas é diferente, é difícil encarar o que encontramos aqui. Impressionante o trabalho de Loznitsa!

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