A quarta noite do 46º Festival de Cinema de Gramado foi mais do que especial. Ocorreu a entrega da maior honraria do evento: o troféu Oscarito. A pessoa escolhida deste é ano é o ator Edson Celulari, com mais de 40 anos de carreira, passando principalmente pela Televisão e pelo Cinema, que, ao subir ao palco para receber a homenagem, não conteve as lágrimas. Ao fim de seu emocionado discurso, prometeu mais 40 anos, não somente na atuação, mas também na direção.

Além disso, também tivemos mais quatro filmes em exibição: dois curtas e dois longas. O curta “Minha Mãe, Minha Filha”, de Alexandre Estevanato, abriu os trabalhos da noite, apresentando uma recorrente historia de luta e resistência à doença de alzhaimer. A intenção é boa; a execução, porém, deixa muito a desejar. O tom novelesco com que o diretor opta por seguir é bastante inadequado. Da fotografia ao roteiro, nada possui verossimilhança e consequentemente é muito difícil de levar a sério o que está sendo mostrado em tela.

Em seguida, foi a vez do longa metragem estrangeiro, “Recreo”, de Hernán Guerschuny e Jazmín Stuart cujo foco é na vida aos 40 anos. O que mais impressiona nesta produção é roteiro e os diálogos extremamente ácidos. É um belo exemplo de como as produções argentinas conseguem tirar complexidades e altas reflexões em uma comédia aparentemente despretenciosa. Provavelmente será bastante premiado pelo júri, principalmente nas categorias de roteiro e atuação.

Diretores Thiago Kistenmacker e Al Danuzio do Curta-metragem Brasileiro “Aquarela” – Foto: Cleiton Thiele / Pressphoto

Feito um intervalo, foi exibido o segundo curta da noite: “Aquarela” (MA), de Thiago Kistenmacker e Al Danuzio, baseado em eventos reais aborda a história de Ana, uma jovem que mora com sua sogra e filha enquanto Marcelo, seu noivo, aguarda julgamento preso. Após visitá-lo na prisão, a família passa a ser ameaçada pelo líder da facção mais violenta do local. É tenso e reflexivo na medida certa, além de denunciar os absurdos passados por presos que ainda não obtiveram uma sentença de julgamento, número que representa mais de 40% dos encarcerados no Brasil.

Diretor Leonardo Domingues do Longa-metragem Brasileiro “Simonal” – Foto: Cleiton Thiele / Pressphoto

Depois dessa tensão toda, coube a cinebiografia de Wilson Simonal, fechar a noite com muita música e nostalgia. Simonal, dirigido pelo estreante Leonardo Domingues, apesar de não fugir muito da fórmula criada pelos filmes biográficos cada vez mais presentes na cinematografia brasileira, consegue ser bastante ágil na montagem, sem deixar muitos fatos de fora. Além de tudo, faz jus ao artista e não tem medo de ser musical, é canção atras de canção, sem muito tempo para respirar.

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