Depois a Louca Sou Eu (2019); Direção: Julia Rezende; Roteiro: Gustavo Lipsztein; Elenco: Debora Falabella, Yara de Novaes, Gustavo Vaz, Duda Batista, Romulo Arantes Neto; Duração: 86 minutos; Gênero: Comédia, Drama; Produção: Mariza Leão; País: Brasil; Distribuição: Paris Filmes; Estreia no Brasil: 20 de Fevereiro de 2020;

Depois a Louca Sou Eu 02
(Divulgação/Imagem: Paris Filmes/Stella Carvalho)

Sempre é bom afirmar e reafirmar a potencia do cinema brasileiro, constantemente atacado pelo atual governo federal. Um dos gêneros mais rentáveis e aclamados pelo público do país são as comédias, porém, os estúdios e autores pecam em subestimar seu público, entregando, muitas vezes, obras pouco atraentes e exigentes. Julia Rezende é uma diretora, dessa nova leva, que parece tentar juntar inteligência com humor, tentando levar seu público a um novo patamar. Seu novo filme, “Depois a Louca Sou Eu“, entretanto, acaba esbarrando em questões problemáticas: há limites de onde o humor deve ridicularizar? Problemático ou não, acaba sendo carismático graças a grandiosa Débora Fallabella (Seria a eterna Nina de “Avenida Brasil”?).

Dani (Fallabela) é uma publicitária e tem como sonho virar escritora. Desde muito jovem, ela enfrenta vários transtornos compulsivos de ansiedade, sua relação com a controladora mãe também não a ajuda. Com o passar dos anos, seu amadurecimento e romances, seus sintomas pioram, assim como sua dependência medicamentosa. Ela começa a ficar cada vez mais cansada de sentir-se dopada e despreparada para o mundo real. Mas, como viver, num mundo tão problemático, sem uma muleta chamada tarja preta?

A problemática é ridicularizar a doença mental. Entendo a questão do humor, da sátira, contudo, há uma romantização nos problemas de Dani, que custa a procurar uma ajuda profissional de qualidade -diz que ela tentou inúmeras e nada adiantou. Além de romantizar o próprio uso, em excesso, de medicação tarja preta e afins, remédios (ou drogas) viciantes. Faltou um trato um tanto cuidadoso para falar de uma temática tão séria, ao qual cada dia mais atinge muitos brasileiros. A sátira soa mais como escracho do que, propriamente, crítica ou denúncia. Perda de oportunidade para falar de forma leve dessa temática em voga nos tempos contemporâneos.

Para além das questões problemáticas, se trata ainda de uma comédia agradável, sobre emancipação das dependências, tanto de remédios/drogas, quanto de afetos excessivos, relações tóxicas familiares de controle ou mesmo trabalhos burocráticos que nos levam a lugar algum. É um filme confortável, apesar de tantas espinhas. Grande show de Fallabella, uma atriz que tem muito a oferecer, resta cobrarmos dela mais e melhor.

Acompanhe aqui nossa cobertura da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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