Crítica | Transparent | 4ª Temporada

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Transparent4ª Temporada (Amazon, 2014-); Criada por: Jill Soloway; Direção: Jill Soloway, Allison Liddi-Brown, Sarah Gavron, Marta Cunningham, Jim Frohna, Gaby Hoffmann, Andrea Arnold, Rhys Ernst; Roteiro: Faith Soloway, Ali Liebegott, Our Lady J, Gabe Liedman, Stephanie Kornick, Bridget Bedard, Ethan Kuperberg; Elenco: Jeffrey Tambor, Gaby Hoffman, Judith Light, Amy Landecker, Jay Duplass, Alexandra Billings, Rob Huel, Ray Abruzzo, Jenny O’Hara, Alia Shawkat; Número de Episódios: 10 episódios; Data de Lançamento: 21 de Setembro de 2017;

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Agora parece mais do que certo afirmar que Transparent atingiu seu auge e um ápice de qualidade na terceira temporada, não somente porque este quarto ano é inferior, mas porque aquilo que foi entregue em 2016 é algo tão grandioso que dar continuidade se fez uma tarefa que não aspira nenhuma simplicidade. Ainda mais depois de um encerramento tão extasiante como foi, com uma Judith Light plena, em uma interpretação que dificilmente será esquecida pelo tempo, numa explosão de emoções que transcendiam aos personagens, a série e ao próprio espectador. Ali se via construído algo que ficara para posteridade.

Talvez até por isso mesmo a opção pela mudança de ares, onde a família Pfefferman parte em uma viagem a Israel e uma visita às suas raízes, até porque é junta que essa família passa por um processo, no qual acompanham a transição de Maura (Jeffrey Tambor), cada vez mais segura de si. É um profundo mergulho nas características culturais judias e, logicamente, trazendo questionamentos e desenvolvendo temáticas de forma como a criação de Jill Soloway vem fazendo ano após ano desde que estreou. No entanto, esta temporada de Transparent acaba, infelizmente, parecendo um pouco dispersa e ficando aquém do que se espera.

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Ao mesmo tempo em que desloca seus personagens principais para um “retiro” em conjunto, as tramas pessoais de cada um se fazem igualmente presentes. O que acaba tornando essa temporada de Transparent um tanto quanto abarrotada e, com tantas vertentes, algumas histórias são deixadas um pouco de lado e não surtem o efeito desejado ou apenas não se aprofundam o suficiente naquilo que gostariam de trabalhar a princípio. O maior expoente disso seja talvez a personagem de Gaby Hoffman, algo que possivelmente será corrigido na quinta temporada, visto que Ali decidiu por continuar em Israel e devemos ver mais das questões sócio-políticas por lá.

Vai ser interessante até porque já é interessante, mas principalmente por sermos guiados por Ali. Sua inquietação quanto ao que passa são dos momentos que geram maior sensibilidade na temporada. Aqui surtem os efeitos das descobertas familiares e do processo pelo qual a própria Maura passou, remetendo ao denotado por Shelley (Judith Light) na temporada anterior, ficando claro que quando alguém passa por uma transição na família todos embarcam na jornada. Mas o individual nunca pode ser esquecido, deixado de lado, e a Maura Pfefferman de Jeffrey Tambor encontra isso em seu novo relacionamento, o qual aos poucos toda a família vai descobrindo, assim como ela própria.

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É bonito a forma como se desenvolve o relacionamento, justamente pelo tom no qual Jeffrey Tambor trabalha. Sua personagem tem seus momentos de fúria, mas há algo apaziguador, há um tom de doçura na entonação de sua voz, que extrapola -positivamente- ao espectador essa sensibilidade em que o ator emprega para interpretar Maura. É mesmo um processo de aprendizado, mas não só pela identidade de gênero, mas num constante aprendizado do indivíduo que se é, da própria pessoa que subsequentemente se adapta a novas situações e nunca é a mesma, pois se renova enquanto descobre que não há firmamento num mundo em estado mutável.

Transita por aí justamente a cena de abertura da temporada. A belíssima fala de Alia Shawkat -que interpreta Lila, o interesse “romântico” de Sarah (Amy Landecker)- a princípio parece deslocada, mas posteriormente pode ser lida até como uma exposição do óbvio. Porque Transparent nessa temporada fala muito sobre essa externalização pela qual se passa, onde tanto nós, como os personagens, nos encontramos acompanhando o mundo do lado de fora. O mergulho dos Pferffermans em suas raízes, portanto, serve para demonstrar esse desprendimento no qual a maioria ali se encontra, deslocados em suas próprias vidas.

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Mas a própria Transparent parece passar por isso, porque o excesso de alucinações que acomete aos seus personagens faz parecer que falta centrar, focar completamente nessas figuras e em seus dilemas, não colocar mais distrações ao longo do caminho. Até porque de forma alguma são substitutos a altura da realidade que ali esteve até ano passado, como a personagem de Kathryn Hahn, que não retornou para esta quarta temporada da série. Tenho a impressão de que Transparent encontrou o tom que lhe agrada, mas faltou complementar, porque o que encontramos é algo volátil demais, onde falta equilíbrio.

Quem mais se vê refletido aí é a personagem de Judith Light, que pode facilmente ser considerada outra vez o grande nome de Transparent. A jornada de Shelley é algo tão delicado, e adentra numa fase que é tão incerta, numa crise que parece ecoar por todo o restante da série. Porém, há também que se considerar que é pintado aqui um perfeito retrato da família que protagoniza a série, a quarta temporada de Transparent é uma colcha retalhos, tal qual os Pferffemans e, com isso, surgem também os altos e baixos e os defeitos e virtudes que qualquer família apresenta.

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Crítica | Transparent | 4ª Temporada

Transparent – 4ª Temporada (Amazon, 2014-); Criada por: Jill Soloway; Direção: Jill Soloway, Allison Liddi-Brown, Sarah Gavron, Marta Cunningham, Jim Frohna, Gaby Hoffmann, Andrea

Direção
Roteiro
Elenco
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80 %
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