Crítica | Silicon Valley | 4ª Temporada

- in Séries de TV
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Silicon Valley (4ª Temporada) (HBO, 2014-); Criada por: Mike Judge, John Altschuler e Dave Krinsky; Direção: Mike Judge, Jamie Babbit, Tim Roche, Clay Tarver; Roteiro: Alec Berg, Clay Tarver, Carrie Kemper, Megan Pleticha, Adam Countee, Graham Wagner, Shawn Boxe, Andrew Law, Rachele Lynn, Chris Provenzano, Dan O’Keefe; Elenco: Thomas Middleditch, T. J. Miller, Zach Woods, Josh Brener, Martin Starr, Kumail Nanjiani, Amanda Crew, Matt Ross, Suzanne Cryer, Jimmy O. Yang, Stephen Tobolowsky, Chris Diamantopoulos, Haley Joel Osment; Número de Episódios: 10 episódios; Data de Exibição: 23 de Abril a 25 de Junho de 2017;

Sitcoms tem cada vez menos espaço nos dias atuais, ainda que comédias, no entanto, estejam longe de morrer. O gênero vê suas melhores qualidades quando da fusão com o drama, onde as séries acabaram ficando popularmente conhecidas como sadcoms (ou “dramédias”). É interessante denotar algumas dessas características, afinal, hoje, Silicon Valley parece ser a melhor série veridicamente cômica a ser encontrada na televisão norte-americana. Resquícios de dramaticidade podem, sim, ser vistos na produção, mas são tão raros e passageiros, e utilizados na grande maioria das vezes por propósitos cômicos, que tornam ainda mais complicado classifica-los como tais. É verdade, entretanto, que no final desta temporada desembocamos na grande virada dramática da série. Mesmo não se entregando completamente ao derradeiro momento, Silicon Valley resiste, mas é quando chegamos ali que percebemos a importância, para o espectador, daquilo que Mike Judge e companhia criaram junto de seus personagens. O choque das circunstâncias é tal que processar as informações do que se sucede chega a ser difícil. Por pelo menos mais uma temporada a série está garantida pela HBO, mas a saída de T.J. Miller (Deadpool) -cuja Erlich Bachman se tornou um dos melhores personagens- indica o encerramento de um ciclo, o que fica claro ao final da temporada.

Há de se reconhecer que é brilhante a maneira encontrada para criar resoluções nas diversas tramas que acompanhamos ao longo das quatro temporadas. Um dos principais temas esse ano dava a impressão de ser a saída de Richard (Thomas Middleditch) da própria empresa que fundou e, um dia, foi CEO. É um trajeto que culmina na desistência, ao menos parcialmente, de um sonho que nos causou tantas preocupações por todo esse tempo. Ainda que não seja algo desfeito prontamente, chega a ser rápida a resolução que Silicon Valley dá ao envolvimento de Richard com a Pied Piper, bem como a dissolução do futuro da empresa, que rende algumas das subtramas mais hilárias na série até o momento. Sutilmente o que pode passar despercebido ali é, no entanto, o desenvolvimento do protagonista vivido por Thomas Middleditch, que ao final da temporada veremos as grandes consequências. Porém, o que se faz evidente é a ferramenta da qual a série faz sua marca registrada, tornando a ascensão e o descenso do CEO Dinesh (Kumail Nanjiani) em algo completamente aceitável e compreensível. É quase como se a expectativa de que isso fosse acontecer clamasse pelo inevitável. Essa espera, porém, tem muito a ver com a característica do personagem, mas a concretização do fato tem a ver com a série em si.

O desgaste é inevitável, e a narrativa de Silicon Valley parece mesmo cair em um ciclo vicioso de eventos quanto ao futuro da empresa de seu protagonista. Entretanto, o uso da subversão de expectativas é feito sempre tão bem, de maneira tão orgânica a tudo que vemos, que acabamos por encontrar algo que não se torna cansativo. A insegurança quanto ao que vem a seguir se torna uma ansiedade constante, parecendo inclusive imprimir aquilo que o protagonista vive. Essa subversão é também o que mantém a vitalidade da série e conversa diretamente com o maior trunfo que Silicon Valley possuí. Utilizada como outra ferramenta cômica, esse elemento é concomitante com a qualidade das piadas vistas na série, com a qualidade cômica da série em si. Algumas das melhores risadas a serem dadas atualmente, seja no cinema ou na televisão, se encontram em Silicon Valley. A inteligência dos roteiros evita com que o humor se rebaixe a certos níveis, e jamais é subestimada a confiança do público, fator essencial para que funcione. Para não dizer que não é pretensiosa, de quebra se faz uma sátira da era digital contemporânea, colocando em voga temáticas que se fazem de um debate fundamental na sociedade hoje.

O que importa mesmo, no final das contas, é o que se vê construído quando nos aproximamos do final da temporada. Saber que um dos personagens está prestes a partir se torna algo melancólico, muito por conta da química do elenco e do carisma exibido ao longo dos anos, onde cada personagem conquistou seu espaço e resiste como uma figura icônica junto aos fãs de Silicon Valley. É praticamente como se Thomas Middleditch, T.J. Miller, Zach Woods, Kumail Nanjiani e Martin Starr (Homem-Aranha: De Volta ao Lar) formassem uma família. A força conjunta do elenco resulta num doloroso fim de temporada, quando o próprio Richard alerta para o quanto mudou. As atitudes do personagem, cada vez mais destrutivas, são parte de um sutil desenvolvimento ao qual foi submetido. O que vem a seguir, bem como a grandiosa subversão final, quando tudo parecia ir por água abaixo, demonstra como a união desses nomes é o que move a série. Não só pela vivência que adquirimos junto aos personagens, mas pelo timing perfeito dos atores, pela graciosidade cômica que exibem juntos. Maneira pela qual a exploração de gags recorrentes e expansivas em tramas de outros personagens, Dan Melcher (Jake Broder) e suas esposas que o digam, garantem ano após ano o rendimento da mais alta qualidade que Silicon Valley apresenta.

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