Crítica | Orange is the New Black | 5ª Temporada

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Orange is the New Black (5ª Temporada) (Netflix, 2013-); Criada por: Jenji Kohan; Direção: Andrew McCarthy, Constantine Makris, Phil Abraham, Nick Sandow, Uta Briesewitz, Michael Trim, Erin Feeley, Laura Prepon, Wendey Stanzler, Mark A. Burley, Jesse Peretz; Roteiro: Jenji Kohan, Jordan Harrison, Rebecca Angelo, Lauren Schuker Blum, Josh Koenigsberg, Tara Herrmann, Molly Smith Metzler, Lauren Morelli, Anthony Natoli, Carolina Paiz; Elenco: Danielle Brooks, Taylor Schilling, Kate Mulgrew, Laura Prepon, Uzo Aduba, Selenis Leyva, Jessica Pimentel, Adrienne C. Moore, Natasha Lyonne, Vicky Jeudy, Dascha Polanco, Kimiko Glenn, Laura Gómez, Brad William Henke; Número de Episódios: 13 episódios; Data de Lançamento: 09 de Junho de 2017;

(Divulgação: Jojo Whilden/Netflix)

Quando a quarta temporada de Orange is the New Black se encerrou no que era, aparentemente, uma quebra da quarta parede, estava claro que as coisas sofreriam uma mudança. Do meu ponto de vista era somente outra vez em que a série saía dos trilhos, coisa que grande maioria concorda ter havido na terceira temporada. Se os eventos anteriores já traziam viradas drásticas, este quinto ano traz, no entanto, um novo paradigma. A proposta é bastante clara quando encaramos o fato de que todos os 13 episódios se passam em um período de 3 ou 4 dias. Como a tentativa é sustentar a temporada em um curto período de tempo, isso é algo que requer muita qualidade textual, cobrando mais dos roteiros em termos narrativos e exigindo desenvolvimento de personagens basicamente em diálogos, que aqui vemos ser estendidos além do necessário. Orange is the New Black se recusa a abrir mão de certos costumes quando adentra neste novo território, culminando, portanto, no que é um auge de pura verborragia e, possivelmente, uma temporada inferior a todas as outras. A maneira como o desenrolar das tramas se sucede em meio ao caos da rebelião diz muito sobre os deslizes que são cometidos ao longo desta quinta temporada.

(Divulgação: Jojo Whilden/Netflix)

O primeiro episódio já deixa evidente o tom que assumirá Orange is the New Black, a confusão estabelecida em Litchfield, no entanto, deixa um ledo engano. O estado no qual se encontra a prisão não precisava ser transposto ao desenvolvimento. A inconstância do lugar toma conta da narrativa de maneira prejudicial, o que resulta numa bagunça cansativa, onde cômico e dramático se perdem em uma tentativa de intercalação que não encontra sucesso algum, gerando um desencontro temático e de tonalidade. Enquanto essa situação se dissolve nos episódios subsequentes, encontrando algo mais próximo da estabilidade no quarto episódio, é esse desencontro que, infelizmente, acaba ditando o que acontece ao restante da temporada. Há algo já no primeiro episódio que se tenta construir, quando Orange is the New Black assume uma postura quase metalinguística, com Humps (Michael Torpey) fazendo uso, sem sucesso, da dramatização que a série faz do passado de seus personagens. A forma como há essa quebra de tensão se repete, em maior e menor grau, durante toda a temporada, retornando com completa força quando Piscatella (Brad William Henke) se infiltra na prisão e o suspense se torna o tom do momento, onde é Cindy (Adrienne C. Moore) a responsável por quebrar essa tensão.

(Divulgação: Jojo Whilden/Netflix)

Enquanto existem essas grandes quebras em momentos pontuais, o que se faz regular é a inserção dos mesmos na forma de alívios cômicos. É nisso que muito dessa temporada de Orange is the New Black se perde. É compreensível a impossibilidade de se encontrar em um estado de luto em meio a uma rebelião, caso da personagem de Kimiko Glenn (Nerve: Um Jogo Sem Regras), mas a maneira como esse viés dramático se perde em meio ao cômico chega a se tornar irritante. São inúmeras as piadas que soam inacabadas, faltando uma punchline, porque outra personagem entrou em cena e, repentinamente, quebrou aquele momento para retornar ao drama. O inverso também ocorre, talvez com maior frequência ainda. Muito porque há a necessidade de se fazer passar o tempo durante o episódio, então uma maneira encontrada para “encher linguiça” são justamente essas quebras, rendendo diálogos que querem ser cômicos, mas acabam sendo mesmo um grande incômodo. Alguns até mesmo descaracterizam as personagens e muito do que a série prega, tudo em prol de uma risada a mais, de uma referência além. Constrói-se algo que nunca se concretiza, não à toa a temporada acaba outra vez em um hiato. Só que toda essa tentativa de fazer algo diferente atrapalha o andamento do restante.

(Divulgação: Jojo Whilden/Netflix)

Um grande deslize são arcos que perdem força, inclusive evidente pelo uso fajuto dos flashbacks. Tudo bem a série ter mais duas temporadas garantidas, isso não é, contudo, desculpa para o que acontece aqui. Personagens começam a ser desenvolvidos e parece haver um cansaço ou desinteresse por parte da narrativa, que apela a resoluções ingênuas, rendendo histórias incompletas e muitas vezes quase que um pastelão. Há também a tentativa de criar novas interações entre personagens de “núcleos” diferentes, o que culmina em situações muitas vezes forçadas e resulta em desaparecimentos repentinos e/ou desencontros de interações que antes se faziam normais. Há também uma falta de certeza sobre alguns personagens, especialmente quanto a da não mais tão protagonista Piper (Taylor Schilling). Na quarta temporada já havia ficado claro que a personagem já não servia mais para protagonizar a série, e aqui em boa parte vemos isso sendo concretizado, exceto que Orange is the New Black teima em se desfazer por completo, sempre tentando encontrar uma forma de Piper estar próxima dos principais eventos que ocorrem dentro de Litchfield. A inconstância que isso gera é um ponto levantado pela própria Alex (Laura Prepon) em certo episódio. Algo que acontece sem necessidade, pois esta quinta temporada mostra que outros nomes são capazes de sustentar a série.

(Divulgação: Jojo Whilden/Netflix)

Jessica Pimentel e Selenis Leyva, respectivamente as intérpretes de Maria e Gloria, rendem alguns dos momentos mais sensíveis da temporada, algo do qual quase todo o restante carece. Mas, se há alguém que sintetiza o que devia funcionar nesta temporada, esta é a Taystee de Danielle Brooks (Master of None). Existem pequenos bons momentos ao longa deste quinto ano, e a atriz faz parte da grande maioria deles. Por razões óbvias, o envolvimento da personagem numa linha de frente é essencial, mas não só o texto funciona, como a atriz entrega um trabalho excepcional. A eloquência e desenvoltura que ela dá à personagem tornam a atuação memorável, ainda evitando que encontremos algo melodramático. Entretanto, ela também é atrapalhada por razões previamente citadas, deixando de brilhar plenamente por conta daquilo que não funciona nesta quinta temporada de Orange is the New Black. Chega a ser injusto e a série fica devendo, em possíveis tempos de maior calmaria, tramas decentes para que essas três atrizes, principalmente Danielle Brooks, tenham reconhecimento em uma temporada menos conturbado e com ideais mais alinhados. Na teoria, o que Jenji Kohan quis propor neste quinto ano é interessante, mas, na prática, resulta numa infeliz execução, onde vemos Orange is the New Black sucumbir ao desgaste.