New Girl (Fox, 2011-)

Direção: Erin O’Malley, Eric Appel, Trent O’Donnell, Elizabeth Meriwether, Jake Johnson, Christine Gernon, Michael Schultz, Steve Welch, Jay Chandrasekhar, Josh Greenbaum, Russ Alsobrook

Roteiro: Berkley Johnson, Matt Fusfeld, Alex Cuthbertson, Josh Malmuth, Nina Pedrad, Rob Rosell, Kim Rosenstock, David Feeney, Luvh Rakhe, Ethan Sandler, Adrian Wenner, Sophia Lear, Joe Wengert, Sarah Nevada Smith, Noah Garfinkel, Sarah Tapscott, Veronica McCarthy

Elenco: Zooey Deschanel, Jake Johnson, Max Greenfield, Lamorne Morris, Hannah Simone, Megan Fox, Damon Wayans, Jr., Curtis Armstrong, Steve Agee, Nelson Franklin, Peter Gallagher, Fred Melamed, Nasim Pedrad, Rebecca Reid, Rob Riggle, David Walton, John Cho, Anna George, Taran Killam

Número de Episódios: 22 episódios

Período de Exibição: 05 de Janeiro a 10 de Maio de 2016

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O texto contém spoilers.

New Girl sofreu uma mudança em sua quinta temporada que revela muito da essência da série. Depois de quatro anos sendo exibido no calendário usual da televisão aberta, de Setembro de um ano a Maio do ano seguinte, sempre tendo início na Fall Season. O que acabava acarretando em diversas pausas e no hiatus da série no final de cada ano. Dessa vez, a Fox, canal que exibe a série, resolveu mudar o esquema, exibindo os vinte dois episódios da quinta temporada entre Janeiro e Maio de 2016. Os números de público, no entanto, não exatamente sofreram uma mudança, mas algo ficou bastante claro.

Nesta temporada o foco é quase que completamente sobre o casamento de Cece (Hannah Simone) e Schmidt (Max Greenfield), com quase todos os episódios sendo relacionados a isso, mínima ou majoritariamente, ou sendo mencionado em algum momento, reforçando como é inspiradora a união dos dois. Em meio a isso, obviamente, estão as trapalhadas dos colegas do loft. A série em si, porém, tem um desafio diferente: a ausência de Zooey Deschanel. Porque se muitos creditam a funcionalidade da série a ela, portanto, como seria com ela de fora, mesmo que por alguns poucos episódios? A consequência foi a prova de que os coadjuvantes da série são tão, ou mais, interessantes como a personagem da atriz.

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Se no ano passado a série utilizou de certa sutileza para falar sobre sexo e como ele acontece de variantes formas, nessa temporada New Girl não foi sutil em nenhum momento para assumir que o tema aqui era o amor. A paixão foi muito do que moveu a trama da série em frente nessa quinta temporada, rendendo ótimos momentos. Porém, o mais importante é que ela foi buscar no âmago de seus personagens a essência disso. New Girl utilizou seu melhor elemento, os personagens, para falar abertamente sobre os vários tipos de amor, porque se há algo que está em decadência, sem dúvida alguma é o romance, que se torna cada vez mais escasso.

E, lógico, une-se o útil ao agradável, porque se há algo onde não falta paixão e romance é na relação chave da temporada, entre Cece e Schmidt, que chega a ser algo platônico, porque até a única “discussão” que os dois tem serve para encorajar a personagem de Hannah Simone. Por ser tão platônica, ficou óbvia que a consumação da relação com o casamento aconteceria somente no final da temporada. O que me surpreendeu, confesso, foi a maneira na qual os roteiristas encontraram de fazer o casamento ser bem ao estilo New Girl. Ali se teve também o ápice romântico da relação entre os dois, pois foi um ato que, convenhamos, precisaria de muita coragem para ser realizado, se algum dia viesse a acontecer na vida real.

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Numa ida e vinda de revelações sobre New Girl e sua essência, a certeza que tivemos é de que Megan Fox (As Tartarugas Ninja) realmente não é boa atriz, a não ser que sua Reagan devesse ter uma reação praticamente semelhante em todas as situações. Porém, foi interessante como o elenco coadjuvante exibiu empatia enorme para assimilar a atriz, ajudando a esbanjar química em cena. O que não agradou foi a maneira como ela surgiu basicamente com a finalidade de ser só mais um interesse romântico de Nick Miller (Jake Johnson). O que não ocorreria se New Girl tivesse mantido o mesmo espírito que exibiu em The Decision, quando Reagan deu uma lição em Nick e Winston Bishop (Lamorne Morris).

Aliás, Winston Bishop tenha sido talvez o melhor personagem singular nesta temporada. Se o ator e personagem tinham dificuldade de se encaixar na série, após a saída de Coach (Damon Wayans, Jr.), na quinta temporada mostrou-se a força do que foi firmado no quarto ano de New Girl. É incrível como o ator tem uma química contagiante e acabe funcionando exatamente por ser uma peça de encaixe com todos os demais personagens. Ele funciona praticamente em todas as situações, dando amparo dramático e cômico, este último muitas vezes a melhor das razões por ele estar presente em tais momentos. De quebra encontrou-se um ótimo par romântico para ele, explorando outro tipo de paixão, talvez a mais comum, com Aly, personagem de Nasim Pedrad.

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Por fim retornamos à personagem principal, a Jess de Zooey Deschanel. Acredito que todas as desventuras que Cece, Schmidt, Nick e Winston se meteram deixaram claro que New Girl funciona, sim, sem sua personagem principal. Não é querer excluir ela, mas sim pedir por um melhor proveito da personagem. Seu retorno do júri e a busca pelo seu amor platônico falharam. O homem com quem ela platonicamente imaginava poder passar a vida toda ao lado, revelou-se falho, ao Sam (David Walton) perceber que amava outra mulher. Porém, mostrou como a personagem da Jess não tinha realmente mais para aonde ir, porque o roteiro a colocou nessa situação, por mais infeliz que seja.

Ironicamente, por Jess compreender estar apaixonada por Nick (de novo) revelou outra coisa sobre o amor nessa temporada de New Girl: as coisas nem sempre são como nós as planejamos. Algo que todos estamos cientes sobre, mas que desafia nossa capacidade de criar destinos platônicos em nossas imaginações, coisa mais fácil de fazer e a maneira mais fácil de nos iludirmos. Porém, o amor de Jess e Nick, que é realmente o que New Girl merece, é um amor verdadeiro, que lida com a essência dos personagens. O que eu sinto em relação ao que foi criado entre eles é exatamente aquilo que Jess quer que seja respondido sobre Schmidt e Cece e Sam e Diane (a Caitlin FitzGerald de Masters of Sex), e como eles se sentem em relação um ao outro. Não há palavras para descrever.

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Sejamos sinceros, no entanto. A consumação, pela segunda vez, e a oficialização do relacionamento entre Jess e Nick é o final de New Girl. Honestamente, não vejo como a série continuar após os dois estarem juntos. Até para deixar os dois separados por muito tempo será necessária uma resposta incrivelmente difícil de ser satisfatória. Assim, mesmo entregando uma temporada consistente, New Girl caminha para seu final, que se não for proposital, será o de sua qualidade, pois uma reinvenção muito brilhante precisaria acontecer para impedir uma decadência. Além disso, uma reinvenção no modelo em que a série é exibida é completamente intrincado e praticamente impossível.

Assim, precisamos deixar o futuro e retornar ao estado presente da série. Com a mudança no calendário de exibição de New Girl, o que ficou claro é como a série é prejudicada por ser uma sitcom na televisão aberta. Havia potencial aqui para temporadas mais curtas e um requinte muito maior, mas o público acaba sofrendo com uma pobreza técnica, onde cada cena gravada em externa parece ter sido o equivalente a um parto para ser feita. Aí New Girl deixa de se destacar, porque os aspectos técnicos ajudam a destacar o interior daquilo pelo que os personagens passam. Aqui, no entanto, vemos um padrão de simplicidade e, sinceramente, tanto New Girl como seus fãs mereciam muito mais que isso.

2 Comments

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