Easy

(Netflix, 2016-)

Direção: Joe Swanberg

Roteiro: Joe Swanberg

Elenco: Michael Chernus, Elizabeth Reaser, Kiersey Clemons, Jacqueline Toboni, Jaz Sinclair, Evan Jonigkeit, Aya Cash, Dave Franco, Zazie Beetz, Aislinn Derbez, Raúl Castillo, Mauricio Ochmann, Marc Maron, Emily Ratajkowski, Orlando Bloom, Malin Åkerman, Kate Micucci, Gugu Mbatha-Raw, Jane Adams, Jake Johnson, Hannibal Buress

Número de Episódios: 8 episódios

Data de Lançamento: 22 de Setembro de 2016

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O texto contém leves spoilers.

Easy apresenta mais uma complexidade no momento de se falar sobre a série, do que a própria série em si. Aliás, é justamente uma certa simplicidade apresentada na série que fazia dela um dos grandes atrativos entre as novas produções originais da Netflix. Essa mesma simplicidade, por vezes, acaba se tornando um elemento complexo quando um episódio consegue desenvolver alguma história com melhor qualidade ou competência. O que parece ser mais raro, visto que enquanto metade da série pode agradar demasiadamente, a outra metade pode decepcionar principalmente por parecer ter medo em ir longe, fadando Easy a algo não mais que mediano.

Easy é uma comédia, algumas vezes com tons mais dramáticos, que consiste em oito episódios individuais, dos quais apenas o último, o oitavo episódio, não pode ser assistido separadamente, pois é uma continuação direta do terceiro episódio. Assim, com histórias sendo estabelecidas de maneira individual, o que se relaciona na série são as relações entre os personagens, algo que foi sempre a intenção de Easy. Por isso as nuances entre simples e complexo, pois quando alguma das muitas relações acaba se mostrando bem desenvolvida, a situação começa a se tornar mais complexa, principalmente em se tratado de episódios de aproximadamente trinta minutos cada.

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Algo complexo se faz também na escolha de como abordar a série, afinal, falar sobre os episódios teria o mesmo efeito que tentar debater sobre a catarse máxima do todo? A verdade é que é muito difícil dizer e escolher a melhor forma, pois a própria série encontra aí empecilhos. Por mais que o foco sejam relações entre casais, há uma dificuldade em relacionar todos os personagens em um mesmo universo, em uma mesma cidade. Parece haver uma certa urgência no momento de fazer os personagens participarem em episódios alheios, simplesmente para emular uma conexão entre a vivência cotidiana deles, mesmo que por coincidência.

O ponto onde mais se sofre com essa urgência é definitivamente no sétimo episódio, onde algumas cenas servem somente para tal propósito, de emular tais conexões. O que acaba indo justamente na contramão da proposta de Easy, que não sabe como aproveitar suas maiores qualidades. Se tinha como princípio partir da naturalidade de seu criador, diretor e roteirista, Joe Swanberg, ele se traí quando se encontra obrigado a forçar conexões e encontros dos personagens, o que soa mais como um receio, onde de certa forma acaba se subestimando o público, algo que não acontece somente nestes encontros.

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Uma das maiores virtudes de projetos como Easy, que surge como uma proposta semelhante à de filmes independentes norte-americanos, está em seus diálogos. É verdade que a série consegue sintetizar muito bem diversos momentos do cotidiano, com diálogos que de fato refletem nossas vivências e relações. No entanto, o problema maior deles está na maneira como Joe Swaberg os utiliza como uma ferramenta para expor pontos do roteiro. Ou seja, ele simplesmente apela à simples e pura exposição de roteiro, onde informações sobre os personagens e as situações são vomitadas quase que como uma obviedade, sem nos dar a oportunidade de apreender no decorrer do caminho.

O maior exemplo disso é no desastroso quinto episódio, protagonizado por Marc Maron e Emily Ratajkowski. O discurso sobre arte e vida, e sobre como a arte é representada na vida contemporânea até é um assunto válido, se explorado da maneira correta. Mas temos tanta informação mastigada sobre o personagem de Marc Maron, que abre o episódio em um diálogo que é quase um monólogo, estabelecendo tudo o que se presume que precisamos saber. A exposição que o roteiro sofre ali tem como consequência a invalidez do ponto de vista deste personagem. Se não soubéssemos de suas tendências, a discussão entre ele e a personagem estereótipo de Ratajkowski seria não só válida, mas contundente. Acaba que por ser praticamente unilateral.

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É dessa forma como percebemos que Easy é um projeto mais direcionado para o próprio deleite de Joe Swanberg, do que ao público para o qual ele está apresentando seu trabalho. Não coincidentemente a única história para a qual ele retorna é a dos irmãos cervejeiros de Evan Jonigkeit e Dave Franco. Tal tema não somente se faz presente em dois episódios de Easy, o primeiro o mais fraco da série (o episódio 3), como é um interesse pessoal de Swanberg, que já tinha explorado uma temática semelhante em seu filme Um Brinde À Amizade (Drinking Buddies), aí não à toa está a insistência, que até corrige parcialmente os rumos seguidos inicialmente nesta trama.

Contudo, por fim revela como Joe Swanberg descarta inconsequentemente personagens e histórias melhores, como as do segundo ou a do sétimo episódio, que são disparadamente os dois melhores em toda a série. Mas Easy se dá por satisfeita com a trama do segundo episódio, e não sabe aproveitar as protagonistas Gugu Mbatha-Raw e Jane Adams no sétimo, inflacionando o episódio com participações de personagens e elementos dos outros episódios. A insistência no interesse pessoal ao invés do que realmente se mostra cativante revela em Easy uma falha semelhante a outras duas comédias originais da Netflix. Assim como em Love e Flaked, a individualidade e o ego de Joe Swaberg falam mais alto que todo o restante.

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