Whiplash – Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014); Direção & Roteiro: Damien Chazelle; Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist, Paul Reiser, Austin Stowell, Nate Lang, Max Kasch, Damon Gupton; Produção: Jason Blum, Helen Estabrook, David Lancaster e Michel Litvak; Estreia Mundial: 20 de Maio de 2014 no Festival de Cannes; Estreia no Brasil: 08 de Janeiro de 2015; Gênero: Drama/Musical; Duração: 107 minutos; Classificação Indicativa: 12 Anos;

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Se existe uma coisa que sempre ouvi na minha vida, desde quando decidi que queria trabalhar com cinema, foi que deveria procurar algo mais sério, algo que fosse me dar uma maior estabilidade. Ao ver Whiplash, me senti representado imediatamente no protagonista que, aqui, aspira a uma carreira na musica com baterista, sofrendo os mesmos preconceitos que todos que querem seguir uma estrada artística sofrem. Entretanto, um dos grande acertos da produção é não transformar isso em uma desculpa para vitimizar o personagem, muito pelo contrário, toda vez que seu talento é questionado, ele usa isso a seu favor para continuar a praticar e praticar. O resultado dessa escolha é um filme honesto, marcante e, acima de tudo, transformador.

Andrew (Miles Teller de Divergente) inicia sua jornada na fictícia Universidade Shaffer em Nova York, a qual é considerada uma das melhores do país, em busca de seu sonho de ser um grande baterista. Em um ensaio, ele é convidado a integrar a banda de Fletcher (J.K. Simmons de Homem-Aranha), um dos maestros de Jazz mais requisitados na escola. Entretanto, o técnico é cruel, rancoroso e extremamente duro com todos os músicos (lembrando em muito o General Hartman de Nascido Para Matar), especialmente com Andrew que, por não ter outra expectativa na vida senão a de que vai ser um baterista talentoso, se doa ao máximo para ser perfeito.

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Porém, a busca pela perfeição nunca é um caminho fácil e muito menos o mais aceito. Em um dos diálogos mais interessantes do roteiro, Fletcher fala para Andrew que a frase mais desprezível que existe é “você fez um bom trabalho”. E isso diz muito sobre o personagem e, também, sobre a forma como lidamos com as nossas aspirações. “Bom Trabalho” representa acomodação e falta de busca pela superação do “bom”. O problema é que tudo precisa ter um limite para que não fiquemos obcecados pela perfeição que obviamente não existe. Superar aquilo que estava bom, é possível. Ser perfeito, não. O protagonista, entretanto, reluta para aceitar isso e o longa, de forma brilhante, nos mostra através das belas cenas dos ensaios nos quais Andrew não consegue aceitar a suas falhas, punindo-se em consequência disso.

Miles Teller, então, é essencial para que possamos compreender o personagem e as suas aflições. Depois de “O Maravilhoso Agora”, passando agora por Whiplash, o ator conseguiu tirar (pelo menos da minha cabeça) aquela aura que ele tinha de astro teen, mostrando-se um ator extremamente competente e seguro de suas escolhas tanto no que tange à personagem, quanto à atuação. Desde o primeiro ao último frame percebemos a sua entrega e seu preparo para o papel, gerando uma identificação com o espectador, o qual fica torcendo pelo seu sucesso, mesmo quando tudo conspira contra.

Na mesma linha, J.K. Simmons nos apresenta um personagem muito complexo e muito odiável pelas suas colocações, mas que o tempo todo deixa bem explícito que suas atitudes, mesmo que questionáveis, são muito necessárias para que Andrew consiga chegar ao seu objetivo. Além de tudo isso, os embates entre J.K. e Miles em cena são, no mínimo, espetaculares. Percebemos que mesmo em suas divergências, os seus personagens estão crescendo e aprendendo um com o outro, e que o resultado final não teria como ser diferente.

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Junto com esse acerto no casting, temos a direção extremamente competente de Damien Chazelle que, em seu segundo longa, nos apresenta uma segurança louvável do inicio ao fim. A forma como ele decupa os planos nos insere dentro do estúdio da banda, ao passo que os movimentos da câmera sempre seguem no ritmo da música – o que, de certa forma, é uma alegoria ao mundo de Fletcher: teatral e preciso. O resultado de toda essa combinação se dá nas cenas de ensaio mais eletrizantes e tensas que eu já pude ver no cinema e, claro, regado a muito jazz para dar o toque especial.

Whiplash, por fim, se mostra uma grata e agradável surpresa de início de ano, pela forma como alia o que tem de mais completo em roteiro, direção e atuação. E o melhor de tudo isso é que tem muita música boa. Ademais, a produção é uma prova inequívoca de que histórias de superação aparentemente batidas e melodramáticas, quando entregues nas mãos de um bom diretor e de uma exímia equipe, podem se transformar em ótimos e grandes filmes.

Whiplash – Em Busca da Perfeição – Trailer Legendado:

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