Um Espião e Meio (Central Intelligence, 2016); Direção: Rawson Marshall Thurber; Roteiro: Ike Barinholtz, David Stassen e Rawson Marshall Thurber; Elenco: Dwayne Johnson, Kevin Hart, Amy Ryan, Danielle Nicolet, Jason Bateman, Aaron Paul; Produção: Peter Principato, Scott Stuber e Paul Young; Estreia no Brasil: 11 de Agosto de 2016; Duração: 107 minutos; Gênero: Comédia/Acão; Classificação Indicativa: 14 anos;

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Um Espião e Meio – como o próprio título já deixa subentendido – é uma comédia que explora os atributos físicos dos atores/personagens. Kevin Hart é o pequeno que vira amigo do gigante Dwayne “The Rock” Johnson. Por incrível que pareça a junção dos dois é um dos poucos pontos altos do filme, especialmente porque eles não estão sendo eles mesmos como na maioria de seus outros longas, então, mesmo que aqui e acolá Hart solte seus berros e The Rock seja…The Rock, na maior parte do tempo eles estão atuando, o que não deixa de ser uma grata surpresa.

O enredo não poderia ser mais clichê: Calvin “Foguete Dourado” (Hart) era o mais popular do colégio, tinha a namorada mais legal, fazia tudo que é tipo de esporte, enquanto Robbie Weirdicht (The Rock) era o “gordão” e sofredor de bullying. 20 anos se passam e o primeiro se encontra totalmente estagnado em um escritório de contabilidade com poucas chances de sucesso (bem diferente daquele adolescente com futuro promissor), ao passo que Robbie, agora conhecido como Bob Stone, ficou saradão e, de quebra ainda é um agente secreto. O encontro dos dois acaba gerando um mal entendido que força o gordo e o magro, digo o pequeno e o grande, a trabalharem juntos em uma missão.

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Como já referi, a relação de ambos protagonistas é a alma da fita, no entanto, me surpreendi, também, com a direção de Raeson Marshal Thurber (Família do Bagulho) bastante competente – se compararmos com o resto. As sequências de perseguição e tiro são realmente muito boas, assim como o timing das piadas. No entanto, outras cenas de ação que, em teoria, são menos complexas, o diretor insiste em planos mais fechados, em blurs, dificultando, pois, a melhor compreensão dos acontecimentos.

Outro detalhe interessante vêm da “inversão de papeis” dos atores, uma vez que Hart sempre é o estridente “afeminado” e Dwayne é o machão fortão; aqui isso não acontece: este é apaixonado por unicórnios rosas, é mais sensível e amoroso, ao passo que aquele é o heterossexual médio que não quer demonstrar sentimentos. A partir dessa sacada genial do roteiro de Thurber, Ike Barinholtz e David Stassen (ambos de Mindy Project) é que a maioria das piadas acontece, além de, obviamente, a diferença de tamanho deles.

Os roteiristas, contudo, se perdem totalmente no terceiro ato. É uma bagunça. Aparentemente nem eles sabiam como resolver a trama que implantaram e optam por inserir uma participação de Aaron Paul (Braking Bad) só para tentar elevar o nível. Só que não funciona. Mesmo que a aparição do ator seja um afago para os órfãos de Breaking Bad, é tudo muito óbvio. Mas o pior ainda está por vir, nos últimos 10 minutos de projeção.

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Um Espião e Meio dedica, nos momentos finais, alguns minutos de empoderamento contra o bullying e como que essa prática frustra uma vida inteira, enfim, todo aquele discurso que já ouvimos várias vezes. E que sim, é sempre necessário. Todavia, de nada adianta defender essa ideia agora que o personagem está sarado, gostoso e dentro dos padrões, aliás, isso só reforça a questão de que ou você se adapta ao que a sociedade diz que é o bonito, ou você será julgado eternamente, então, a lição de moral mais é uma hipocrisia disfarçada do que qualquer outra coisa. Só não saímos com um gosto amargo na boca, porque durante os créditos tem erros de gravação engraçados o suficiente para esquecermos esse “close errado”.

Um Espião e Meio – Trailer Legendado:

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