Severina (2016); Direção: Felipe Hirsch; Roteiro: Felipe Hirsch; Elenco: Javier Drolas, Carla Quevedo, Alejandro Awada, Alfredo Castro, Daniel Hendler; Duração: 103 minutos; Gênero: Drama, Romance; Produção: Rodrigo Teixeira; País: Brasil, Uruguai; Distribuição: Vitrine Filmes; Estreia no Brasil: 12 de Abril de 2018;

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Segundo longa de Felipe Hirsch, renomado diretor teatral, Severina expõe esse passado do diretor, adaptando conceitos teatrais ao cinema, num exercício metalinguístico, onde a literatura é principal expoente narrativo.

Uma simples premissa, entretanto com bastante propriedade aonde quer chegar, o longa é uma experimentação bastante instigante, sobretudo pela sua despretensão, na qual o espectador é fisgado aos poucos, no caminhar da narrativa, até se sentir completamente dentro dela.

Tudo acontece a partir do momento que uma mulher (Carla Quevedo), que rouba livros para consumo próprio, entra na vida de um solitário livreiro (Javier Drolas).

Ambos começam a ter uma relação baseada no mistério e na curiosidade que o livreiro tem por ela. É aquela coisa: a vida dele é tediosa, suas emoções são nutridas pelos livros e, agora, parece materializar-se uma fonte vívida de adrenalina, a qual ele não quer perder.

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A narrativa construída em capítulos não é por acaso, é uma clara insinuação de que um livro está sendo encenado na tela. Grande ponto pra Hirsch, que maneja bem os princípios cinematográficos de direção, aos quais não deixa vazar o excesso de teatralidade, pelo contrário: há grandeza cinematográfica em Severina, transposta pela fotografia completamente narrativa e pelo tom ritmado da direção em incitar o espectador até os derradeiros minutos.

É um Romance, literalmente, no sentido amplo o qual a palavra pode ter. É um longa no qual as expectativas são preenchidas, mas por delírios de escolhas irracionais, meramente passionais, do que opções verossímeis ao cotidiano comum, pautado pela razão ante o lirismo romântico.

E essa distinção soa crível justamente por fugir do óbvio, abraçamos o mundo da literatura assim como seus personagem para fugir da monotonia. O filme opta por isto para construir um caminho próprio, de inventividade e metalinguagem.

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Severina é uma ode de amor à literatura e aos romances classicistas, sua proposta chega até o fim de forma sólida, entretanto, peca em não ousar em ir além de uma zona confortável, apenas flerta com o suspense, porém não adentra num tom, podendo se sair até como um thriller, tendo potencial pouco aproveitado.

Ainda assim, é uma obra bastante interessante, sobretudo pelo jogo proposto ao espectador: em determinado momento confunde-se o que está em tela com realidade ou com fatos literários. Assim, é um filme onde mesmo tudo exposto, nada pode ser declarado verdadeiramente real, compele a nós decidir.

Severina – Trailer:

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