O Protetor 2 (The Equalizer II, 2018); Direção: Antoine Fuqua; Roteiro: Richard Wenk; Elenco: Denzel Washington, Pedro Pascal, Ashton Sanders, Melissa Leo, Bill Pullman, Orson Bean; Duração: 121 minutos; Gênero: Ação, Thriller; Produção: Todd Black, Jason Blumenthal, Denzel Washington, Alex Siskin, Steve Tisch, Antoine Fuqua, Mace Neufeld, Tony Eldridge, Michael Sloan; País: Estados Unidos; Distribuição: Sony Pictures; Estreia no Brasil: 16 de Agosto de 2018;

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Agora há apenas um diretor –o falecido Tony Scott– com quem Denzel Washington trabalhou em sua carreira mais vezes do que Antoine Fuqua. Na quarta colaboração com Fuqua -uma a menos do que com Scott e agora igualando suas colaborações com Spike Lee-, o ator também estrela a primeira sequência de sua longa carreira. É no mínimo inusitado que seja com O Protetor 2, ainda que compreensível, seja pelo sucesso comercial do primeiro filme, como pela maneira como parece se sentir à vontade com o diretor. No entanto, as colaborações dos dois vem numa decrescente que culmina no projeto mais inferior desta.

Ainda que não chegue a ser nenhum desastre, é bem verdade que está aquém tanto do primeiro filme, como das outras colaborações da dupla. Um dos principais motivos é que, ao invés de tentar contornar o que não havia funcionado no primeiro filme, esta sequência parece abandonar justamente o que de melhor havia em seu predecessor. Além disso, enquanto havia uma maior preocupação com as sequências de ação, aqui a dedicação aparentemente cai para o lado emocional, onde se tenta tornar a narrativa mais pessoal para seu protagonista e, consequentemente, para o espectador que acompanha a jornada deste.

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A tentativa de tornar as coisas mais pessoais passa pela necessidade em estabelecer algumas relações, sendo três as principais; duas novas e uma terceira que é retrabalhada com uma personagem do primeiro filme. Contudo, fica bastante óbvio o quão melodramático O Protetor 2 se dispõe a ser quando vemos delineadas as tarefas cotidianas às quais o personagem de Denzel Washington se submete para ajudar àqueles que passam por seu caminho, enquanto ele trabalha como motorista Lyft –um merchandising bastante pertinente durante boa parte do filme. Um patriotismo proeminente aliado a certo conservadorismo, mas, acima de tudo, sendo liderado por uma enorme ingenuidade.

Uma das relações, com a personagem do primeiro filme, não funciona porque vemos ali escancarada a preguiça do roteiro e se destacam uma série de diálogos vexaminosos, é até estranho pensar que Melissa Leo se prestou a tanto. Nas outras duas principais decaímos sobre algo completamente genérico. Com a relação entre o protagonista com o personagem de Ashton Sanders (Moonlight – Sob a Luz do Luar), o filme quer explorar uma vertente mais racial, no entanto, também impera uma generalização que parece inclusive buscar leve inspiração em filmes como Dia de Treinamento (do próprio Fuqua) e Um Limite Entre Nós (do próprio Denzel Washington), mas por si só, jamais é capaz de sustentar.

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As motivações que levam a narrativa adiante, de ambos antagonistas, são completamente fúteis. O filme até poderia contornar isso, porém, simplesmente tem a pachorra de se achar num nível no qual não se encontra, querendo justificar seu vilão com um discurso ambíguo, e também genérico, para que não soe maniqueísta. Algo do qual o próprio filme parece fazer questão de esquecer nas cenas seguintes. Por mais que tente fazer soar o contrário, o discurso de ambos os filmes é de uma índole atabalhoada, sendo que estão ali elementos que aspiram ao contrário, e acabam indevidamente ignorados, preteridos em prol do simples e “neutro”.

De certa forma, O Protetor 2 consegue ser, porém, um filme bastante “igualitário”, afinal, opera do início ao fim num tom para lá de ordinário, onde nada se destaca técnica ou emocionalmente, chegando a ser apático quando nem mesmo seu clímax consegue injetar algum ânimo na narrativa. Se no primeiro filme, mesmo aos trancos e barrancos, Fuqua e Washington conseguiam arrancar sequências imageticamente interessantes, aqui não há nada que remeta a uma inspiração semelhante, ainda que se tente emular muito da fórmula do primeiro. Mergulhado num falso moralismo, o filme pode até enganar a si próprio, mas no fim das contas fica devendo em inúmeros quesitos.

O Protetor 2 – Trailer Legendado:

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