Frozen 2 (2019); Direção: Chris Buck, Jennifer Lee; Roteiro: Jennifer Lee; Elenco: Kristen Bell, Idina Menzel, Josh Gad, Jonathan Groff, Sterling K. Brown, Evan Rachel Wood, Aurora; Duração: 103 minutos; Gênero: Aventura, Comédia, Drama, Fantasia, Musical; Produção: Peter Del Vecho; País: Estados Unidos; Distribuição: Disney / Buena Vista; Estreia no Brasil: 02 de Janeiro de 2020;

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É até surpreendente “Frozen 2” chegar 6 anos após seu antecessor, dado o sucesso avassalador que a animação da Disney fez em 2013, colocando uma música em nossas cabeças que, honestamente, é difícil crer que dali saíra algum dia, até mesmo após a sessão deste segundo filme. E aí já começamos a refletir sobre o que funciona ou não dentro da animação, e ter suas músicas como um dos pontos fracos é algo que, se considerarmos o primeiro filme, se faz bastante decepcionante aqui. Talvez seja apenas um dos indícios da razão de tanto tempo para uma continuação de um sucesso tão prolífero.

Falta criatividade, e isso já era evidente no primeiro filme, que se fazia valer de uma simplicidade e se fortalecia na maneira como subvertia a expectativa em relação ao caminho de suas protagonistas femininas. A ideia aqui é, então, desenvolver uma mitologia para esse universo e dar a ele alguma profundidade. Porém, há uma dificuldade imensa em balancear os elementos e, por mais que seja um filme focado no público infantil, outra vez mais a maneira encontrada para se resolver os problemas é se sustentar numa simplicidade que, no caso deste filme, se torna um entrave posteriormente.

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Existem no filme momentos claramente voltados a entreter o público infantil, alguns divertem, outros são absurdamente ingênuos, contudo, inofensivos. Ora “Frozen 2” segue a aparentemente incansável cartilha de desacreditar em seu público, ora é apenas ruim, de fato. Por vezes verborrágico e extremamente redundante, falta também um momento grandioso no filme, ao menos visualmente. E esse é um dos principais problemas. A simplicidade na animação não está apenas em sua narrativa, mas também nos traços do desenho que ganha vida, porque o 3D fica em um meio termo que não dá conta de se fazer bonito, e qualquer tentativa de fazer algo diferente não se mostra muito inventivo.

Criar algo mais chamativo, para a dupla de diretores, parece ser destacar personagens em um fundo preto e brincar com algumas cores, mas falta qualquer profundidade, no fim, soa sem vida. O maior destaque é, provavelmente, um medley de canções sobre renas e um coração partido, onde quando se assume intencionalmente cafona, a animação consegue construir uma sequência veridicamente divertida emulando ironicamente clássicos musicais oitentistas. É um dos raros momentos em que o filme se sobressaí, ainda que, assim como muito do restante, seja quase que completamente esquecível. Um desperdício de talento.

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Para o deleite dos fãs do trio Elsa, Anna e Olaf, especialmente as crianças, “Frozen 2” vai satisfazer toda e qualquer espera. Porém, não há muito o que se esperar além disso e, dessa forma, aqueles que se verem assistindo ao filme terão de aguentar a uma história preguiçosa dedicada aos clichês e que dá voltas sem exatamente sair do lugar. Porque é tão insossa em seu discurso que, quando adentra em seu clímax, não exatamente encontra um antagonista para forçar um desenvolvimento, muito por conta de como claramente teme se aprofundar na problemática que desencadeia sua narrativa. Assim, se apropria de uma temática apenas como um chamariz, uma ilusão que pode enganar, dar a impressão de que há algo ali, quando realmente não existe. A verdade é que falta ao próprio filme uma reflexão sobre o papel que desempenha.

“Frozen 2” – Trailer:

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