[sg_popup id=”9″ event=”onload”][/sg_popup]Eu, Tonya (I, Tonya, 2017); Direção: Craig Gillespie; Roteiro: Steven Rogers; Elenco: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney, Paul Walter Hauser, Julianne Nicholson, Bobby Cannavale; Duração: 119 minutos; Gênero: Biografia, Comédia, Drama; Produção: Tom Ackerley, Margot Robbie, Steven Rogers, Bryan Unkeless; País: Estados Unidos; Distribuição: California Filmes; Estreia no Brasil: 15 de Fevereiro de 2018;

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É bastante interessante a estreia de Eu, Tonya (I, Tonya) ter sido planejada, no Brasil, para acontecer durante as Olímpiadas de Inverno. Afinal, a figura central a obra foi uma atleta olímpica de inverno e seu feito histórico e merecedor de reconhecimento precisa ser colocado em voga. Muito pelo que representa a grandeza do movimento que imortalizou Tonya Harding na história da patinação artística no gelo. Mas é uma pena que vá estrear quase uma semana após ver outra compatriota realizar o que ela foi, até então, uma das únicas capazes. Pois é impossível não remeter ao filme e a história de Tonya ao ver o feito de Mirai Nagasu ao realizar um triplo axel.

Porque é por ser a primeira norte-americana a realizar tal movimento em competição o feito pelo qual Tonya Harding devia ser reconhecida. Acontece, entretanto, que é preterido relembrar da patinadora pelo incidente em que se envolveu com Nancy Kerrigan. É exatamente nesta justaposição de pesos aos quais remetem a carreira e vida de Tonya Harding que o a cinebiografia se sobressai. Contudo, é também onde se fazem mais agravantes seus deslizes, pois enquanto funciona como um discurso contundente e certeiro em tais momentos, é seu aparente descaso em ir a fundo nisso que faz do filme no máximo ordinário.

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Dois grandes responsáveis por essa inconstância da qual Eu, Tonya acaba sendo vítima são, justamente, seu roteiro e direção. O que Craig Gillespie e Steven Rogers, respectivamente diretor e roteirista, pretendem estabelecer e como o fazem acaba ficando aquém da pretensão e ambição que tinham. Culminando, portanto, em algo que é mais divertido de uma forma efêmera do que qualquer outra coisa. Ainda assim, mesmo que momentaneamente funcionado, há uma determinada estagnação na proposta da produção, que pensa estar sendo inventiva quando, na realidade, se assimila a outros filmes ainda vivos na memória, como O Lobo de Wall Street, do cineasta Martin Scorsese e também estrelado por Margot Robbie (Esquadrão Suicida).

A proposta estilística de mockumentary é uma oportunidade desperdiçada, principalmente quando a sátira que se quer construir tem um valor muito menor e menos efetivo do que aparenta a princípio. Falta ao filme objetividade em explorar a problemática que apresenta. Até porque é bastante simples o dividir em partes e apontar quais funcionam melhores. Quando dá atenção à Tonya, se faz um filme muito mais interessante, de todas as formas. É sua falta de preocupação com o ponto de vista da protagonista que acaba fazendo com que a obra, no todo, desande. Resultando em algo irregular.

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Na prática soa menos assim, principalmente quando boa parte do filme é liderado por Margot Robbie. Quando ela não está em cena, no entanto, a diferença é gritante. Sebastian Stan, por exemplo, assume para si certo protagonismo quando chegamos a história do incidente. Nesse momento Eu, Tonya parece se alongar muito mais que o necessário, pior, se distanciar de quem o filme tanto necessita. Sua real protagonista. Cria-se ali uma barriga enfadonha, que emperra todo o andamento do filme e, além disso, ofusca o ponto de visto da personagem de Margot Robbie. Excesso, aliás, é a palavra perfeita para definir as participações de Julianne Nicholson, na parte das entrevistas, e principalmente Bobby Cannavale, completamente desconexo do restante do filme.

A dinâmica mais interessante é, portanto, a de Margot Robbie com Allison Janney, que interpreta a mãe de Tonya Harding. Um retrato perfeito e o melhor elemento no filme, porque é na personagem de Janney que a acidez cômica da sátira toma sua forma mais excepcional, e tão consciente de si mesma. Ao que parece, o roteirista teria escrito a personagem com Allison Janney em mente. O resultado é brilhante, mas acredito que muito porque a veterana atriz esbanja aqui todo o talento que tanto exaltamos quando a vemos em cena na televisão.

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Todavia, quando o humor ácido tenta se estender para o restante do filme, o resultado é completamente adverso. Há um discurso muito interessante sendo sustentado na atuação irretocável de Margot Robbie, de como os Estados Unidos rejeitaram Tonya Harding por pura vergonha. A mesma mão que dá, tira sem ter dó. É realmente uma pena que Eu, Tonya não se aprofunde na crítica a um Estado que trata com descaso e indiferença seus prodígios e, posteriormente, os renega sem aceitar suas próprias falhas; que fecha os olhos a qualquer conveniência e recusa ajudar aqueles que precisam; que torna uma de suas maiores heroínas numa vilã, sem sequer titubear.

Eu, Tonya – Trailer Legendado:

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  7. Ao assistir “Eu, Tonya” é preciso saber: estamos diante de uma história real, quase que inacreditável. Fato. Ao mesmo tempo, é preciso considerar que é cinema, então, coloque-se alguns poréns por aí. Quando leio que um filme será baseado em fatos reais, automaticamente chama a minha atenção, adoro ver como os adaptam para a tela grande. Tambem recomendo assistir Dunkirk, adorei este filme, é um dos melhores filmes baseadas em fatos reais 2017.A história é impactante, sempre falei que a realidade supera a ficção. É interessante ver um filme que está baseado em fatos reais, acho que são as melhores historias, porque não necessita da ficção para fazer uma boa produção.

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