Crítica | Kingsman: O Círculo Dourado

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Kingsman: O Círculo Dourado; (Kingsman: The Golden Circle, 2017); Direção: Matthew Vaugh; Roteiro: Jane Goldman & Matthew Vaughn; Elenco: Taron Egerton, Colin Firth, Mark Strong, Edward Holcroft, Julianne Moore, Pedro Pascal, Hanna Alström, Elton John, Halle Berry, Channing Tatum, Jeff Bridges; Duração: 141 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Comédia; Produção: Matthew Vaughn, David Reid, Adam Bohling; Distribuição: Fox Film do Brasil; País de Origem: Estados Unidos, Reino Unido; Estreia no Brasil: 28 de Setembro de 2017;

Confira a crítica em vídeo de Márcio Picoli, clicando no player acima! Aproveite e clique aqui para conhecer o nosso canal do YouTube.

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Muito da euforia entorno de Kingsman: O Serviço Secreto (Kingsman: Secret Service) se deu pelo retrospecto então recente da carreira de Matthew Vaughn, que retornava com um filme após um hiato de três anos e dois acertos consecutivos, ambos coloridos, mas diferentes em suas propostas e que, ainda por cima, se fizeram um marco no gênero de filmes de super-heróis.

Kick-Ass surgiu com uma consistência arrebatadora, chacoalhando o que até então tínhamos visto no gênero, abrindo portas para o sucesso de filmes como Deadpool, por exemplo. X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class) se encontrou no meio da discussão se é o melhor filme da franquia. O certo é, porém, que há sempre certeza de que foi o reboot do cineasta o responsável por renovar o fôlego da mais longeva série de filmes do gênero.

Seus acertos parcialmente blindaram as deficiências do primeiro filme, que apesar dos seus muitos problemas se fazia um ótimo entretenimento, especialmente se assistido no cinema, onde sua megalomania se mostrava mais convidativa e muito confortável aos olhos. Havia a garantia quase unânime de diversão, por menor que ela fosse para alguns.

Entretanto, nesta sequência o que encontramos é uma tentativa de emular muito do que era um atrativo no original, mas sem o mesmo ar de novidade, algo que já dificulta a proposta. Assim, Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle) infla seu orçamento, mas o que agrega são meros ornamentos que passam longe de aperfeiçoar quesitos nos quais ficara devendo.

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Já do princípio nos deparamos com a tentativa de representar a grandiloquência a que almeja essa sequência, mas também se tornam óbvios todos os defeitos com os quais estaremos prestes a nos deparar dali em diante. A espécie de prólogo no qual o início funciona soa tão avulso, porém, também dando uma amostra de como muito no filme acabará por ser.

Parte do estilo de Matthew Vaughn, principalmente o casamento perfeito das cenas com músicas muitas vezes irônicas ou inusitadas, funciona bem, como a cena que dá princípio ao filme. Aliás, é essa veia estilística do cineasta quem se faz capaz de empregar no espectador muito do que empolga no filme, mas não é o suficiente.

A ação em Kingsman: O Círculo Dourado acaba por se fazer tão artificial que é difícil se mostrar entretido com o que acontece em cena. Pior é a forma como a aparente obrigação em tornar tudo maior é consequentemente uma obrigação para tornar tudo mais barulhento também. Uma das cenas finais de luta, talvez a principal delas, sofre tanto com isso. É um espetáculo tão estrondoso e tão congestionado visualmente, que acabamos por ver qualquer capacidade de discernir o que se sucede como um desafio a parte, fadando ao esquecimento quando só o que se sobressaí são os exageros.

Elton John que o diga, até numa aparente quebra da quarta parede durante o clímax, onde qualquer graça se esvai dada a extensão desnecessária de toda cena de ação para desdobramentos mirabolantes. A falsa plasticidade do que acontece salta aos olhos, onde os cortes, por mais rápidos que sejam, ao contrário do que se espera não nos colocam em meio a ação, mas sim o contrário, nos afastando ainda mais do que presenciamos.

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O resultado é gritantemente irregular, mas a embalagem pode agradar a alguns. A insatisfação acaba por ser maior quando o roteiro do filme pouco se esforça para desenvolver e aprofundar muitos de seus personagens ou sua própria história. O Círculo Dourado do título, por exemplo, é tão irrelevante para a história que surpreende ter angariado tal posição para si. Talvez outra prova da inconsistência que se encontra no filme.

Parte da narrativa, aliás, parece feita às pressas. As participações de Bruce Greenwood (American Crime Story) e Emily Watson (Evereste, A Teoria de Tudo) são tão desconexas de todo o restante do filme que, por fim, vemos sendo entregue algo caricato e cuja função na narrativa se faz óbvia de ter carecido muito mais atenção do que lhe foi dada.

Nada mais justo quando encaramos a relação que essa trama tem com a da vilã de Julianne Moore (Amor Por Direito). A atriz tenta, e é excepcional. A personagem se vale mais do talento de sua intérprete do que o filme faz por ela, onde uma atuação que certamente se faz hilária culmina no descaso da narrativa em fundamentar melhor o desenvolvimento da vilã, seus planos e seu desfecho, que é decepcionante.

Assim como o todo em Kingsman: O Círculo Dourado, que não consegue ter o mínimo carisma para com o espectador ao se deixar levar pelos exageros. A introdução dos Statemen, apesar de render uma curtíssima cena imperdível de Channing Tatum (Ave, César!) exibindo seu talento como dançarino, é outra que se faz mais interessada na grandiloquência, visando mais estabelecer outras possibilidades para vindouros capítulos.

O pior é que Kingsman: O Círculo Dourado força tanto a suspensão da descrença que retornar dos mortos se torna algo banal, execrando o público de qualquer preocupação ou receio. Ora, e se nossos heróis são, de fato, imbatíveis, porque então deveríamos, mesmo, ter o mínimo interesse em saber o já óbvio desfecho de suas jornadas?

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Crítica | Kingsman: O Círculo Dourado

Kingsman: O Círculo Dourado; (Kingsman: The Golden Circle, 2017); Direção: Matthew Vaugh; Roteiro: Jane Goldman & Matthew Vaughn; Elenco: Taron Egerton, Colin

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