Carnívoras (Carnivores, 2016); Direção: Jérémie Renier, Yannick Renier; Roteiro: Jérémie Renier, Yannick Renier; Elenco: Leïla Bekhti, Zita Hanrot, Maximilien Poullein, Bastien Bouillon, Johan Heldenbergh, Hiam Abbas; Duração: 98 minutos; Gênero: Drama; Produção: Hugo Sélignac, Vincent Mazel; País: França; Distribuição: Bonfilm; Estreia no Brasil: 7 de Junho de 2018;

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O plano inicial abre, Mona (Leïla Bekhti), de costas para a câmera, é pedida para interpretar um papel para um teste de elenco. Ela passa a morar com sua irmã Samia (Zita Hanrot), também atriz, porém muito mais famosa, e apesar de viverem de maneira tranquila, com o tempo tomam forma daquilo que se invejam, como se as duas vivessem na sombra da outra. Tentando dominar-se, uma das duas desiste de seu papel, e a outra passa a interpretá-la.

Jérémie e Yannick Renier são diretores estreantes, mas como irmãos, entendem muito bem que fraternidade envolve desejar e devorar um ao outro. É bastante poderosa a bagagem sentimental que cada uma das protagonistas vai acumulando ao correr do filme, como se cada dor aglutinasse na esperança de um fim. Dentro do plano, o destino de uma delas é sofrer, o que cada uma das irmãs procura é apenas sutilmente sobressair-se nesse jogo de poder.

É interessante como Jérémie e Yannick são bastante versáteis na hora de filmá-las. Às vezes estáticos e distantes e centralizados, deixando a história acontecer sem intrometer-se, e em outros momentos de forma intrusiva, com closes fechadíssimos que as acompanham agilmente, como se quisessem sugar delas a interpretação. Alguns momentos, os irmãos buscam saídas pelos excessos, por movimentos de câmera ousados ou encenação rebuscada, enquanto muitas vezes você apenas terá as duas irmãs conversando com maior liberdade em relação aos diretores.

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Mesmo quando há a chance de normalizar a situação entre as duas, o caminho traçado não é a de um moralismo barato, não há cordialidade e sempre se é cauteloso, mesmo lidando com alguém da família. Ainda que aconteça uma virada na história, onde é encaminhado um final feliz, tudo que o filme construiu já é o bastante para ser tarde demais, e a tragédia é vista de longe.

Ainda que formalmente irregular e talvez previsível, Carnívoras é impiedoso, aborda a relação fraternal de forma franca ainda que levada aos extremos. Um filme dirigido por dois irmãos que não romantizam os laços familiares e os jogam em um poço onde não se ouve seus pedidos de socorro. Personagens cujo destino é o tormento a menos que deem um fim naquilo que crescem aprendendo a amar.

Carnívoras é parte do Festival Varilux de cinema francês, que neste ano comemora sua 15a edição. O filme fez parte da noite de abertura da mostra, que contou com a participação dos diretores do filme. Jérémie afirmou que o festival é a grande prova de que o cinema francês vem passando por um bom momento, com cineastas consagrados e outros ainda em ascensão. O Festival Varilux acontece do dia 7 até o dia 20 de junho e acontece em 88 cidades brasileiras.

Carnívoras – Trailer Oficial:

Este texto foi escrito por nosso correspondente Bruno Pires.

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