[sg_popup id=”9″ event=”onload”][/sg_popup]As Aventuras de Paddington 2 (Paddington 2, 2017); Direção: Paul King; Roteiro: Paul King e Simon Farnaby; Elenco: Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Brendan Gleeson, Julie Walters, Jim Broadbent, Peter Capaldi, Hugh Grant, Ben Whishaw; Duração: 103 minutos; Gênero: Aventura, Comédia, Família; Produção: David Heyman; País: Reino Unido; Distribuição: Imagem Filmes; Estreia no Brasil: 01 de Fevereiro de 2018;

O urso Paddington é um personagem célebre da literatura britânica, criado originalmente por Michael Bond no final dos anos 50. Trata-se dum ursinho imigrante sul-americano, amante de marmelada,  adotado por uma família  londrina de classe média que o encontra no meio de uma estação de trem com os dizeres “por favor, cuidem desse urso”. A partir daí, o animal tenta se habituar ao estilo de vida urbano e a própria domesticidade. A impressão dada é que o personagem ficou um pouco ofuscado na memória coletiva das pessoas pelo seu concorrente, também urso, “Ursinho Pooh”, que ficou mais popularizado graças ao poderoso império da Disney. No entanto, Paddington sempre foi um grande sucesso literário e finalmente o cinema resolveu investir nesse material, proporcionando uma primeira adaptação ao personagem. As Aventuras de Paddington” (2015) teve uma recepção modesta, entretanto era um filme extremamente genuíno e abordava valores humanitários universais entorno de seu protagonista.  Três anos depois, o urso peruano retorna aos cinemas em “As Aventuras de Paddington 2” conseguindo a proeza de não só ser melhor do que seu primeiro filme, como ainda ser uma obra extremamente pertinente. Um deleite para crianças e adultos.

Anos se passaram desde o primeiro filme, Paddington (voz original de Ben Whishaw) já está acomodado em sua rotina diária no bairro, amado pelos vizinhos devido sua extrema simpatia e inocência. Nas vésperas do aniversário  de 100 anos de sua Tia Lucy (voz Imelda Staulton), ele começa a trabalhar a fim de comprar um livro sobre os principais pontos turísticos de Londres, no entanto há um furto dessa peça por parte de Phoenix Buchaman (Hugh Grant), um ator decadente que incrimina o jovem urso que acaba por ser encarcerado. Diante disso, a família Brown tenta desvendar o real criminoso, enquanto Paddington tenta se virar na prisão, fazendo amizade inclusive com os prisioneiros graças ao poder do sanduíche de marmelada.

Direção e roteiro, ambos escritos por Paul King, caminham juntos, em sintonia, na construção de uma narrativa leve e requintada. Diferentemente do primeiro, há um investimento maior na imagem visual do filme, elaborando uma estilismo que remete imediatamente ao Wes Anderson, porém sem exagerar no maneirismo. Além disso, o roteiro absorve várias referências cinematográficas na construção de seu antagonista, você o percebe saído de obras literárias na mesma medida que o encontra como uma persona outrora vivida por Charles Chaplin. Aliás, a construção narrativa de Phoenix Buchaman, o principal antagonista do filme, é tão engenhosa que chega a ser absurda como o argumento, ao partir da base de uma caricatura, consegue elaborar um personagem de tamanha dimensão. A representatividade de um mundo arcaico, de preconceitos e da ganância. Do individualismo e do ego acima de tudo, um antagonismo à altura da empatia soberana de Paddington que consegue ser generoso até com o ser mais enfadonho. Hugh Grant torna essa uma oportunidade de carreira, ao construir seu personagem de forma seduzente como um vilão de James Bond, carrega bem o peso do argumento de ser essa soma de ideais velhas tentando resistir, porém dando de bico com proporcionalmente opostas.

O filme pode ser muito bem lido como uma resposta bem humorada à crescente escalada, em nível global, do conservadorismo que teve como picos a vitória do republicano Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e a vitória do BREXIT, a saída formal do Reino Unido da União Europeia. O mais incrível é que encontramos essas respostas justamente num filme infantil extremamente sutil, nem um pouco óbvio, pois respeita a inteligente de seu público, sem perder o caráter de alegoria. Pregando sempre valores como a união, a busca pela justiça real, os direitos dos imigrantes, o empoderamento feminino e por aí vai. “As Aventuras de Paddington 2” não só pelas suas metáforas que funcionam com todos os públicos, também pelo fato de seus personagens serem duas visões de mundos em conflito e no qual todos nós pertencemos a uma parte deles. Temos um lado Buchaman, recheados de pre – conceitos vindouros do senso comum que tentamos disfarçar vestindo máscaras (ou disfarces), apesar de tentarmos ser um pouco da família Brown, progressistas e generosos. E é com essa realidade que o filme tenta nos fazer aceitar e, por consequência, melhorar. E é possível.

As Aventuras de Paddington 2 – Trailer Legendado:

 

Crítica | As Aventuras de Paddington 2

[sg_popup id=”9″ event=”onload”][/sg_popup]As Aventuras de Paddington 2 (Paddington 2, 2017); Direção: Paul King; Roteiro: Paul King e Simon Farnaby; Elenco: Hugh Bonneville,

Nota
Direção
Roteiro
Elenco
Efeitos Visuais
Fotografia
Summary
92 %
Total
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