“Amor, Sublime Amor” (“West Side Story”, 2021); Direção: Steven Spielberg; Roteiro: Tony Kushner; Elenco: Ansel Elgort Rachel Zegler Rita Moreno Ariana DeBose David Alvarez Mike Faist; Duração: 156 minutos; Gênero: Drama, Musical, Romance; Produção: Steven Spielberg, Kristie Macosko, Krieger Kevin McCollum; País: Estados Unidos; Distribuição: 20th Century Studios; Estreia no Brasil: 09 de Novembro de 2021;

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(Divulgação/Imagem: 20th Century Studios)

É uma surpresa ver Steven Spielberg, um cineasta tão consagrado, optar por fazer um remake de um clássico tão aclamado e cultuado como “Amor, Sublime Amor”. Só para lembrar, o filme de 1961 venceu 10 categorias no Oscar, apenas 3 filmes na história venceram mais categorias em uma única edição que ele. Então, é não só um desafio atualizar este filme, mas também uma responsabilidade muito grande. As duas coisas até se misturam, porque uma atualização é bem-vinda e há uma responsabilidade de melhor representar, e até entender, principalmente os latinos no filme. E esse é um dos pontos mais importantes, porque é fundamental revitalizar a visão que se tem deles e reconhecer o espaço conquistado desde então. Porém, Spielberg encara seu filme acima de tudo como uma homenagem ao trabalho de Robert Wise e Jerome Robbins, sendo fiel a diversos momentos comandados pelos dois na produção original. Se é certo ou errado, é uma questão muito subjetiva. A verdade é que aqui se tenta dar mais profundidade dramática aos personagens e fundamentar mais suas motivações, especialmente ao protagonista interpretado por Ansel Elgort(“Baby Driver”). O que diz muito sobre o olhar de Spielberg e a maneira como encara seu remake de “Amor, Sublime Amor”.

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(Divulgação/Imagem: 20th Century Studios)

O embate racial obviamente está presente, a questão do orgulho porto-riquenho, enquanto reconhecimento que a terra natal não é capaz de oferecer o que é preciso para sobreviver, também se encontra ali, principalmente na releitura do número de “America” -ainda que a mudança aqui lembre “Em Um Bairro de Nova York”, que lida muito melhor com esses temas. Falta algo. E a sensação é de que Spielberg opta por uma saída muito mais segura para suas tramas. Independentemente do quanto se tente desenvolver mais os personagens, tanto dos Jets como dos Sharks, o filme parece ainda tocar apenas a superfície. É também um reflexo desse saudosismo, que se confunde com a homenagem e resulta em mudanças que são, no geral, muito protocolares. Falta uma ousadia que permita ao “Amor, Sublime Amor” de Spielberg ir para além do original, de aproveitar toda a consciência criada entre esses 60 anos para fazer uma releitura definitiva e, por que não, necessária. No fim, parece mais uma atualização para tornar a produção algo mais palatável aos novos públicos. É moderno, mas só superficialmente. O progresso está na maneira de filmar, mas nem assim Steven Spielberg consegue construir algo que seja diferente ou até tão memorável como na produção original.

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(Divulgação/Imagem: 20th Century Studios)

Acredito que o momento chave em que se nota isso é no amor à primeira vista entre os protagonistas, María (Rachel Zegler) e Tony (Ansel). É difícil não comparar ao filme de 1961 porque lá é um momento mágico. Além de ser, também, o mote central que move a narrativa e gera seus maiores conflitos. O amor proibido. Aqui, no entanto, Steven Spielberg abre mão do lúdico. Não existe um encanto, um choque no público de que estamos presenciando algo especial. E, francamente, Ansel Elgort também não ajuda. Falta carisma e desenvoltura ao ator, que inclusive fica muito atrás do restante do elenco quando precisa cantar ou dançar também -a releitura de “Cool” com ele é lamentável. Isso tudo corrobora para tornar o filme em algo decepcionante, porém, longe de ser ruim. É uma oportunidade perdida. Ainda assim, há o suficiente sobre o comando de Spielberg para tornar “Amor, Sublime Amor” envolvente. Podia ser mais catártico, e até mesmo relevante. Contudo, se contenta com um espaço que é muito neutro. Seu amor por Hollywood é o que o torna também uma vítima da pasteurização hollywoodiana, se não visualmente no todo, narrativamente. É, afinal de contas, um produto feito sob medida. Do jeito que executivos da Disney adoram.

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(Divulgação/Imagem: 20th Century Studios)

Se há algo que transforma “Amor, Sublime Amor” em tocante, são elas as três gerações de mulheres presentes no filme. O retorno de Rita Morena toca não só na nostalgia, mas no respeito e no legado. E legado este que é carregado por Ariana DeBose, que interpreta a personagem que era de Moreno no original. DeBose é o destaque aqui, porque é uma força voraz. Sua voz marcante, suas performances eletrizantes e contagiantes, e a maneira singular como transmite as emoções da personagem. Todas as cenas com Anita, DeBose transforma em seu momento. Porém, quem também brilha é Rachel Zegler. Chega a ser injusto com o fraco intérprete do seu interesse romântico, pois quando a jovem atriz abre a boca para cantar é de dar arrepios. Assombroso o talento. E Zegler ainda esbanja carisma, é difícil não torcer e se emocionar com sua personagem. Ela e DeBose são as maiores responsáveis pela forma como “Amor, Sublime Amor” conversam e tocam o público. São elas o coração do filme. São elas que o tornam pulsante. É encantador vê-las em cena. Mas também há a certeza de que se podia potencializar tudo muito mais ali com alguma ousadia, e até mesmo o romance central com um protagonista masculino a altura da sua companheira de cena. Talvez assim o amor seria, de fato, sublime…

“Amor, Sublime Amor” – Trailer Legendado:

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