O 6º Olhar de Cinema – o Festival de Curitiba – chegou ao fim nessa noite de quarta-feira (14), eu acompanho o jovem festival desde sua segunda edição, talvez tenha sido o ano no qual, sua seleção composta por 125 projetos audiovisuais da mais ampla variedade, mais foi acertada. A mudança de curadoria na composição dos longas e curtas foi o principal motivo para tamanha assertividade. Os novos membros da equipe do Olhar preocuparam-se mais na adoção de filmes convergentes entre si, entretanto com distinções narrativas. Se antes a seleção oficial tinha como principal demérito projetos de pouco apelo e altamente experimentais, num nível a causar aversão para o público médio. Hoje, felizmente, a seleção compõe obras mais digeríveis e variadas, passível ao agrado de todos os diferentes nível de público, porém não limitando portando o festival ao circulo menor de cinéfilos e pessoas do meio.

Além disso, a sexta edição do festival debandou, por vez, as dúvidas que o Olhar de Cinema tinha alguma coisa a agregar na construção de Cena Cinematográfica Nacional. Particularmente eu cheguei a não considerar o festival como um chamariz relevante para títulos de amplitude, entretanto a evolução nesses quatro anos mostrou maior maturidade e capacidade em proporcionar momentos únicos. Injusto esperar um porte comparável aos principais festivais do Brasil, porém de forma singela o Olhar se constrói como um festival que, enfim, parece ter encontrado sua personalidade e seu clamor com o público, não por acaso acompanhei de perto tantas salas em plena lotação, algo pouco visto nos anos anteriores.

Uma das novidades esse ano foi a aquisição da surpreendente mostra “Pequenos Olhares”, focada em projetos audiovisuais infanto-juvenis. Foi um chamativo tão forte que eu assisti a todos os curtas-metragens mais o longa de animação presente nessa programação, além de possibilitar a agregação de um público não muito comum nesse tipo de evento. Espero muito que essa mostra continue nos próximos anos, pois deu um diferencial para o festival.

Se o longa de abertura não foi pra lá de animador, o de encerramento fez jus ao final do festival, Baronesa é um filme politicamente forte, socialmente redentor e cinematograficamente vasto. É uma obra tão potente na sua dimensão que proporciona aquele arrebatamento no qual eu particularmente sempre espero cobrindo um festival de cinema, sua catarse se desenha no seu plano final indescritível, deixando a nós com gostinho de quero mais, querendo mais, exigindo uma resposta e sabendo que ela encontra-se ali, exposta e refletida.  É um desfecho poderoso, polêmico e abre espaço para inúmeros debates e confrontações, encerrando assim um festival tão provocador e fora do meio de forma proporcional. E com aquele gostinho, novamente, de quero mais.

Até ano que vem, no VII Olhar de Cinema. Nós vemos lá ao lado dos ventos frios de Curitiba.

OBS1: Feliz em ver que a mostra Outros Olhares deixou de ser reduto de obras bizarras e de valor questionável para, de fato, apresentar “outros olhares” cinematográficos.

OBS2: A organização do festival atingiu seu auge, tudo deu certo e merece parabéns, pois suponho não ser fácil tamanho feito. A assessoria de imprensa do festival inclusive dá toda atenção e se propõe em ajudar quando necessário, um diferencial.

OBS3: A Mostra Competitiva poderia ter agregado mais longas  e curtas brasileiros, pois percebe-se que vários títulos ali entraram, certamente, no lugar de filmes locais superiores.

OBS4: Retrospectiva Murnau foi um dos pontos chaves, porém a seleção paralela de clássicos foi bastante aquém, deu uma saudades do ano passado quando tinha Fellini, John Ford…

OBS5: Novamente a Mirada Paranaense  parece completamente deslocada no festival, deveria ser mais agregada. Acredito que até sua extinção seria uma solução a se pensar, acrescentando os projetos dessa mostra nas demais. Muitos amigos de fora que vieram cobrir o festival sequer se interessaram em ver nada da Mirada por não soar convidativo, soar algo bairrista etc, sendo portanto injusto com os realizadores locais.

OBS6: Não vou entrar no mérito da premiação, porém achei incômodo a ausência de uma única menção pra Newton.

OBS7: Encerrando as observações, fiquei feliz em ver uma variedade de longas e curtas dirigido por mulheres, além de mais obras com temáticas sociais, com foco nas minorias. Espero que seja uma tendência do festival.

Confira a lista completa dos premiados:

Competitiva Longa-metragem

Prêmio Olhar de Melhor Filme

EL MAR LA MAR

/ El mar la mar

Joshua Bonnetta, J. P. Sniadecki | Estados Unidos, 2017, 94’

Prêmio Especial do Júri

300 MILHAS

/ 300 miles

Orwa Al Mokdad | Síria, 2016, 95’

Menção Honrosa

REY

/ King

Niles Atallah | Chile, 2015, 91’

Prêmio de Contribuição Artística

MÁQUINAS

/ Machines

Rahul Jain | Índia, Alemanha, Finlândia, 2016, 75’

Menção Honrosa

NAVIOS DE TERRA

/ Land vessels

Simone Cortezão | Brasil, 2017, 70’

Prêmio do Público

FERNANDO

/ Fernando

Igor Angelkorte, Julia Ariani, Paula Vilela | Brasil, 2017, 70’

Competitiva Curta-metragem

Prêmio Olhar de Melhor Filme

O DISCO RESPLANEDCE

/La disco resplandece

Chema García Ibarra | Turquia, Espanha, 2016, 12’

Prêmio Olhares Brasil – Melhor longa-metragem brasileiro das mostras Competitiva, Outros Olhares e Novos Olhares

MEU CORPO É POLÍTICO

/ My body is political

Alice Riff | Brasil, 2017, 72’

Menção Honrosa

FERNANDO

/ Fernando

Igor Angelkorte, Julia Ariani, Paula Vilela | Brasil, 2017, 70’

Prêmio Olhares Brasil – Melhor curta-metragem brasileiro das mostras Competitiva e Outros Olhares

BALANÇA BRASIL

/ Shake up Brazil

Carlos Segundo | Brasil, 2017, 25’

Prêmio de Melhor Filme da mostra Novos Olhares

PARQUE TONSLER

/ Tonsler Park

Kevin Jerome Everson | Estados Unidos, 2017, 80’

Menção Honrosa

PEOPLE POWER BOMBSHELL: O DIÁRIO DE VIETNAM ROSE

/ People power bombshell: the diary of Vietnam Rose

John Torres | Filipinas, 2016, 89’

Prêmio de Melhor Filme da mostra Outros Olhares|Longa

CONVICÇÕES

/ Ubezhdeniya

Tatyana Chistova | Rússia, Polônia, 2016, 63’

Prêmio da Crítica / Abraccine

_ Melhor longa-metragem da mostra Competitiva

GRANDE GRANDE MUNDO

/ Koca Dünya

Reha Erdem | Turquia, 2016, 101’

Prêmio AVEC-PR

_ Melhor curta-metragem da mostra Mirada Paranaense

A RUA MUDA

/ Hush street

Eduardo Colgan | Brasil, 2017, 16’

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