Victoria & Abdul: O Confidente da Rainha (Victoria & Abdul, 2017); Direção: Stephen Frears; Roteiro: Lee Hall; Elenco: Judi Dench, Ali Fazal, Eddie Izzard, Michael Gambon, Olivia Williams e Simon Callow  Duração: 109 minutos Gênero: Comédia/Drama; País: Reino Unido/EUA; Distribuição:  Universal Pictures; Estreia no Brasil: 16 de Novembro de 2017;

Em 1997, a até então reconhecida atriz de teatro Judi Dench ganhava visibilidade no cinema com “Sua Majestade Mrs. Brown”. Um drama modesto, onde a estrela, já na casa dos 60 anos, interpretava a Rainha Victoria. Pela sua performance, Judi acabou levando o Globo de Ouro de Melhor Atriz/Drama e o Bafta, se tornando a favorita ao Oscar – prêmio que perdeu de forma surpreendente para a queridinha Helen Hunt. O equívoco acabou catapultando na sua vitória no ano seguinte, como Melhor Atriz Coadjuvante, pelos seus oito minutos em cena de “Shakespeare Apaixonado”. Agora, 20 anos depois, com 83 anos, acumulando 7 indicações ao Oscar, Judi volta a dar vida a Rainha Victória, no filme que estreou nessa quinta-feira nos cinemas do país.

“Victoria & Abdul” é baseado no romance de Shrabani Basu e fala sobre dois jovens indianos que são escolhidos para viajar até Londres com o objetivo de presentear a rainha Victoria com uma valiosa moeda local. Ao chegar, tanto Abdul quanto Mohammed estranham bastante os costumes da realeza britânica, sempre a postos para mimar a rainha. Ao entregar a moeda, Abdul quebra o protocolo e encara a monarca. Tamanha ousadia chama a atenção da rainha Victoria, que através de várias conversas não só passa a conhecê-lo melhor como também o transforma em seu conselheiro. Esta decisão não agrada nem um pouco a corte inglesa, que não entende como um humilde indiano pode ser detentor de tal honraria.

A produção é dirigida por Stephen Frears, que já ousou muito em filmes como “Ligações Perigosas” e “Alta Fidelidade“, mas atualmente vive em reciclar antigas fórmulas. É dele a receita filme britânico/acessível/fofinho/quadrado, que com suas “intenções modestas”, acabou roubando importantes vagas nas premiações dos últimos anos, como “Philomena” e “Florence Foster Jenkins“. A ideia de trazer mais uma vez a Rainha Victoria para as telas, já me deixou com o pé atrás desde a divulgação da sinopse oficial. Ambos os filmes, a versão de 1997 e agora de 2007, abordam o mesmo tema – a improvável amizade entre a rainha e um súdito. Dito isso, trata-se de um filme repetitivo, apesar de ser baseado em uma descoberta histórica bem interessante.

Novamente, o resultado final desse seu novo projeto pode até parecer inofensivo após uma olhada rápida, mas Frears atingiu aqui um lado canastrão, que nunca havia chegado em níveis tão altos antes. Nem parece o mesmo cara que retratou a Rainha Elizabeth II de maneira tão elegante e ponderada no ótimo “A Rainha”. O longa é bastante medíocre, preguiçoso e por vezes até ofensivo, na forma como aborda seu universo histórico. Nele, temos uma rainha cansada da longevidade do seu reinado, que dorme sobre a mesa, come frango com a mão e parece saturada de tanta formalidade e bajulamento. A pobre senhorinha ainda é cercada por empregados um tanto quanto invejosos quanto a posição que Abdul assume ao seu lado e filhos preconceituosos e gananciosos que fazem de tudo para separar a união da mãe e o jovem. É uma maneira um tanto clichê e estereotipada de contar uma história que poderia render uma ótima visão da Inglaterra da época e da relevância de ter um indiano, muçulmano na corte britânica. Qualquer intenção mais aprofundada é deixada de lado para criar uma tragicomédia água com açúcar e com doses elevadas de ficção.

Agora, se tem alguma coisa que faz valer o ingresso é a performance de Judi Dench. Apesar de ser mais um estereótipo de velhinha simpática que ela costuma interpretar no cinema, a personagem não deixa de render novos momentos gloriosos para a atriz. É em uma conversa, onde ela resume seu reinado e diz ser tudo menos louca, que a atriz mostra toda a sua geniosidade. Os demais estereótipos da corte se saem bem, apesar de ninguém conseguir ofuscar o brilho de Dench, nem mesmo seu parceiro de cena Ali Fazal, que não dá nenhum sinal de tentar roubar a projeção para si e se mostra bastante tímido em cena.

No início do ano, “Victoria & Abdul” era uma das principais apostas para a próxima edição do Oscar de Melhor Atriz. Apesar de não ser uma das favoritas ao prêmio, não seria surpreendente encontrar Judi caminhando para sua oitava indicação, aos 83 anos e em plena forma. Filmes enlatados desse estilo guardam muitos problemas, mas também um público fiel, que já tratou de lotar as salas onde o filme foi exibido lá pra fora, arrecadando até o momento expressivos 57 milhões. Quem sabe eles não tenham votantes certeiros nas premiações também? Aguardaremos!

 

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