Título original: Que Horas Ela Volta?

Direção: Anna Muylaert

Roteiro: Anna Muylaert

Elenco: Regina Casé, Bete Dorgam, Camila Márdila, Ana Paula Csernik, Helena Albergaria, Hugo Villavicenzio, Katerine Teles, Lourenço Mutarelli, Luci Pereira, Luis Miranda, Michel Joelsas, Roberto Camargo e Théo Werneck

Produção: Fabiano Gullane, Caio Gullane, Débora Ivanovr e Anna Muylaert

Estreia no Brasil: 27 de agosto de 2015

Gênero: Drama

Duração: 114 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Representante brasileiro ao Oscar 2016, o filme “Que horas ela volta?” retrata humor, e sem medo, a realidade, nos levando a uma dimensão de segregações que, em nosso cotidiano. naturalizamos e continuamos a criar pirâmides de desigualdade. Anna Muylaert, em seu currículo traz uma abertura para se pensar as relações no momento atual e seus desdobramentos. Seu material de discussão serão a realidade de brasileiras e brasileiros, como  as repreensões militares que acontecem nos principais morros do Brasil, da Rocinha (Rio de Janeiro-RJ) até o São Francisco (Ipatinga- MG), o crime ambiental ocorrido em Mariana (MG). Anna, assim como Petra Costa que também trabalha no campo das relações contemporâneas (diretora e roteirista de Helena, Olmo e a Gaivota e Olhos de Ressaca) trazem um frescor nas produções cinematográficas, em uma época que se faz necessário refletirmos, debatermos e fomentamos ações que visem o bem-estar da contemporaneidade.

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O enredo traz Val  (Regina Casé), uma empregada que abandonou o Nordeste buscando uma vida melhor para a sua filha Jéssica (Camila Márdila). Trabalha em São Paulo aproximadamente dez anos na casa de Bárbara (Karine Teles) e Carlos (Lourenço Mutarelli), e cuidando de Fabinho (Michel Joelsas), filho do casal. Considerada por todos como membro da família, mas com restrições, nunca almoçou com os patrões, tem um quartinho nos fundos da casa, nunca entrou na piscina (as cenas relacionadas à piscina são a grande obra de arte do filme), dentre outros padrões estabelecidos entre patrões e doméstica. Mas com a chegada da filha para prestar vestibular em São Paulo, a realidade já internalizada passa por reflexões e conflitos entre os envolvidos da drama.  Jéssica se questiona a respeito do comportamento submisso da mãe, e acaba se revoltando com a situação que ela vive, e se inserindo na mesa de almoço da família, ao usar a piscina, ao comer sorvete de Fabinho, em não aceitar ficar no quartinho da mãe e se estabelecer no quarto de hóspedes da mansão. As visões de mundo da mãe e da filha acaba se estabelecendo uma não- comunicação entre elas. E a repetição das barreiras comunicativas e a presença de brigas, acontecem também com Fabinho e sua mãe, ao buscar conforto, o garoto procura o quartinho de Val e não o colo de pérolas da mãe. Essa relação de pais e filhos é problematizada também na cena em que Fabinho, Bárbara e Carlos estão na mesa de jantar e todos estão no celular, não havendo comunicação verbal entre eles.

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A grande questão que o filme me remeteu, as quatro vezes que assisti, foi a identidade do indivíduo já estabelecida pela sociedade, passa pelo sujeito em algum momento? Esse sujeito, hoje, numa sociedade de espetáculo, vigilância e consumo realmente se “forma” por si ou pelo lugar em que a sociedade nos coloca na pirâmide?

Um pensamento que me remete  a teoria da educação de Paulo Freire, cuja ideia é a formação política dos cidadãos e sua autocompreensão como sujeitos de sua própria história. A prática educativa freireana privilegia a palavra como ação cognoscente, ou seja, pela ação dialógica (linguagem), há um processo contínuo de incorporação da cultura e do conhecimento. O método da teoria freireana se propõe a criar uma oportunidade de atos de fala aos oprimidos calados no contexto social como caminho para o desenvolvimento individual e coletivo de um projeto político de democracia.

Pensando nisso, o GRUPO DE ESTUDOS EDUCARE, promove na cidade de Ipatinga -MG nos dias 13 e 14 de novembro a I Ação Dialógica. Com o objetivo de promover uma discussão entre profissionais, pesquisadores, população e usuários de serviços públicos sobre temas relevantes da Saúde Mental, da Educação e da Cultura. As inscrições acontecem ainda nesta semana, e os interessados podem acessar o perfil do evento no facebook pelo link: https://www.facebook.com/events/1502843196694685/.

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“A cada manhã recebemos notícias de todo o mundo. E, no entanto, somos pobres em histórias surpreendentes”. Walter Benjamin, 1936.

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