Em outubro, lançamos um especial com nossas nove apostas para a categoria de “Melhor Filme Estrangeiro”, no Oscar 2015. Nessa quinta-feira ( 19 de Dezembro ), a Acadêmia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os países que passaram para a próxima “fase” da disputa. Sobre as previsões, infelizmente não saíram tão corretas quanto o esperado, com o acerto de apenas quatro produções que ainda continuam na corrida. Mais uma vez, a categoria se mostra uma das mais imprevisíveis, onde nomes reconhecidos na direção e número de prêmios  acumulados antes da candidatura parece não ter tanta importância. Foi o caso de “Dois Dias, Uma Noite” (Bélgica), estrelado pela vencedora do Oscar Marion Cotillard e dirigido pelos irmãos Dardenne, “Mommy” (Canadá) do jovem Xavier Dolan e “Winter Sleep” (Turquia), vencedor da última Palma de Ouro em Cannes. Três nomes fortes pelos seus envolvidos e que ficaram de fora, assim como “Gett” (Arábia Saudita), que concorre ao Globo de Ouro da categoria. O brasileiro “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, mesmo acumulando elogios no exterior, também não conseguiu entrar na lista.

Vamos agora a lista de 9 pré-selecionados, mais uma vez seguindo nossa ordem de relevância na disputa:

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09. Lucia de B. ( Paula van der Oest, Holanda )

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 lucia de b.

Esse suspense psicológico vindo da Holanda foi provavelmente a maior surpresa entre os pré-selecionados. Bastante convencional, é baseado em um dos casos mais controversos do país. Lucia, uma enfermeira, é sentenciada à prisão perpétua por ter matado pelo menos sete bebês e idosos. A diretora Paula van der Oest, já tem uma indicação por “Zus & Zo” (2003).

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08. A Ilha dos Milharais ( Georgia, George Ovashvili )

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ilha dos milharaisssss

No filme, um velho camponês se muda, com sua neta para uma pequena e deserta ilha no meio do rio Enguri, para plantar milho. O rio separa a Geórgia da Abkhazia e já foi cenário de sangrentas lutas. Como soldados ainda surgem na região, o clima é de tensão. O rio cria e o rio destrói, em um ciclo eterno do qual ninguém pode escapar. A produção apareceu na lista depois de acumular alguns prêmios pelo mundo e chama a atenção pela beleza da fotografia.

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07. Tangerines ( Estônia, Zazá Urushadze )

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tangerinessssss

A torcida por essa pequena obra de Zazá Urushadze na Estônia deve ser forte. O país nunca foi indicado e apareceu na lista final do Globo de Ouro na semana passada. Ainda que eu não aponte ele como um dos cinco finalistas, a produção reúne alguns fatores favoráveis para sua colocação – retrata um período importante no país, a Guerra na Abcásia em 1992, com muita sensibilidade e uma mensagem de paz. No filme, o plantador de tangerinas Ivo, se vê sozinho em uma aldeia até sua vida cruzar com dois homens que tem opiniões opostas sobre a guerra.

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06. The Liberator ( Venezuela, Alberto Arvelo )

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the liberatooorrr

“The Liberator” chegou até aqui com status de blockbuster da Venezuela e auxiliado de suas diversas qualidades técnicas, além do valor histórico do biografado no país. O épico, conta a trajetória do militar e líder politico venezuelano Simón Bolívar, considerado herói, visionário, revolucionário e libertador, possuindo grandes chances de roubar a vaga de alguma obra mais cotada.

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05. Relatos Selvagens ( Argentina, Damián Szifron )

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 relatos selvagennnssss

Essa comédia da Argentina é um dos maiores fenômenos mundiais do ano. Chocando e levando risadas por onde é exibido, teve uma recepção calorosa nos Estados Unidos e chamou a atenção muito pelo gigantesco sucesso no seu país de origem. Bastante original, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurra-los para um lugar fora de controle.

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04. Leviatã ( Rússia, Andrey Zvyaginstev  )

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leviat

Numa península do Mar de Barents, no Ártico, um pai de família luta contra os desmandos de um prefeito corrupto. Para enfrentar o político, que tenta desalojá-lo, ele recorre a um colega de Moscou. Esse drama russo é sem dúvida um dos principais títulos recentes e seria muito surpreendente sua ausência no Oscar 2015. Entre os prêmios que recebeu, se destaca o de Melhor Roteiro no Festival de Cinema de Cannes.

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03. Timbuktu ( Mauritânia, Abderrahmane Sissako )

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 timbuktoo

O longa é inspirado na história real ocorrida em 2012 em uma cidade no norte do Mali, chamada Aguelhok, sobre o apedrejamento por muçulmanos de um jovem casal, pelo fato de morarem juntos sem serem casados perante Deus. Esse drama fez muito sucesso em Cannes, rendendo inúmeros elogios e se firma como um nome quase certo na disputa, com chances até de surpreender e vencer.

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02. Force Majeure ( Suécia, Ruben Ostlund )

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force majeureeee

“Força Maior”, é quem mais divide com nossa aposta os prêmios prévios da categoria nos Estados Unidos. Parece que a obra da Suécia, vencedora do Prêmio do Júri em Cannes, vem ganhando cada vez mais força para atingir a vitória. É uma comédia mordaz sobre o papel do homem no seio da família moderna, onde a atitude nada corajosa de um pai em meio a uma avalanche começa a gerar diversas discussões e dúvidas.

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01. Ida ( Polônia, Pawel Pawlikowski )

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idaaaaaaaaa

Dono de uma das fotografias mais belas do últimos anos, “Ida” continua como principal nome para o vencedor. Representando a Polônia, país que já concorreu diversas vezes sem nunca vencer, tem como pano de fundo o nazismo, tema bastante recorrente na lista. Indicado ao Globo de Ouro e acumulando inúmeros prêmios americanos, mostra uma noviça que pouco antes de firmar seus votos parte em uma jornada de autoconhecimento, descobrindo ser de uma família judia capturada e morta pelos nazistas.

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About the author

21 anos. Apaixonado pelas múltiplas histórias de Robert Altman, as cores de Almodóvar, a melancolia de Bergman e todo o perfeccionismo de Kubrick.

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