Título original: Men, Women & Children

Direção: Jason Reitman

Roteiro: Jason Reitman e Erin Cressida Wilson

Elenco: Adam Sandler, Jennifer Garner, Ansel Elgort, Kaitlyn Dever, Rosemarie DeWitt, Judy Greer, Dean Norris e Emma Thompson

Produção: Jason Reitman e Helen Estabrook

Estreia mundial: 17 de Outubro de 2014

Gênero: Comédia, Drama

Duração: 119 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Jason Reitman, em seu trabalho como diretor e roteirista, vem trabalhando de maneira qualitativa as relações sociais em diversos cenários da contemporaneidade. No filme Juno (2007) temos como temática a sexualidade e adolescência. Em Amor sem Escalas (2009), Jason retrata o vazio das relações entre as pessoas. Sendo esse vazio, a falta do objeto – o objeto perdido retratado por Freud no Projeto para uma psicologia científica (1895). Então, desta maneira o vazio faz parte da constituição do sujeito na busca de um reencontro, um reencontro do objeto perdido. 

Em Homem, Mulheres e Filhos, Jason segue a linha de relações sociais de seus outros trabalhos e apresenta de forma sólida a comunicação entre os sujeitos, numa era em que as relações se dão por meio das redes sociais. O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Chad Kultgen em 2011. O filme mantém a fidelidade ao livro ao mostrar uma obra de ficção escrita sobre a sexualidade de adolescentes e adultos em tempos de Internet. O autor cria uma rede de personagens que levam vidas comuns e aparentemente normais. Mas, no fundo, repletas de neuroses, fraquezas, pudores, perversões, inseguranças e ingenuidades,  cujo comportamento é influenciado diretamente pela mídia e pelo mundo virtual. Neste roteiro temos: o filho obcecado por videogames, a adolescente com mania de magreza, a mãe super protetora, a filha rebelde, o jovem deprimido, a esposa que não se sente mais desejada, o marido que foi abandonado pela mulher e o pai viciado em pornografia on-line. 

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O filme começa com a narração de Emma Thompson e a viagem do Voyager 1 levando informações sobre o que é um ser humano, músicas e palavras que pudessem ser transmitidas sobre objetos da constituição do sujeito. E depois é mostrado uma foto da Terra.

A foto é o exemplo máximo de como se expor ao Outro, um ato que remete ao quanto a sociedade está vigilante e vigiado ao olhos das outras pessoas. É como se a foto remetesse ao objeto que permite ao sujeito ser aceito pela cultura de aparências. O que nos leva a pensar o conceito de Panóptico, primeiramente utilizado por Jeremy Berthon que era a construção de um edifício em forma de anel, onde no centro havia um prédio com uma torre de controle. Panóptico é o termo resgatado por Foucault em sua obra Vigiar e Punir, ao dizer que este modelo é generalizável de funcionamento, uma maneira de definir  as relações de poder com a vida cotidiana dos homens. Uma sociedade do Ter e Não Ser. 

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Com o capitalismo veio construção de instrumentos que eram exigidos pelo o homem que se deparava com a sua chegava ao contemporâneo. Sua vida de fato é mais acessível a compras virtuais, lojas virtuais, pedir comida virtualmente, relações virtuais, seres virtuais, exposições de imagens e informações. Porém, com o passar do tempo, o excesso de uso da tecnologia, e dos seus meios de comunicação, salientou um debate sobre a fragilidade do encontro do sujeito com o Outro, que é sucintamente, o sujeito não ser reduzido ao que os pequenos outros enunciam, trazer o ponto de origem do sujeito e assim sua cultura. O Outro se esbarra no laço social, que é a relação entre os seres humanos sustentada do discurso e, assim assume as modalidades de época e marcas de uma cultura determinada pela virtualização das relações sociais.

 

Left to right: Rosemarie DeWitt plays Helen Truby and Adam Sandler plays Don Truby in MEN, WOMEN & CHILDREN, from Paramount Pictures and Chocolate Milk Pictures. PBD-02603R

O sofrimento permanente projetado para e pelo sujeito é a preocupação remetida à sociedade do Ter e Não Ser. Dessa forma é estabelecida uma relação entre a depressão, anorexia, angústia e a sociedade do espetáculo. Nessa relação falar sobre o sentimento é proibido, o importante está em expor o status. Bauman aponta uma tendência de nosso estilo de vida em reduzir o humano a objeto de consumo, que nos leva a refletir o papel do sujeito para a sociedade, e principalmente a importância que é dada para seus significantes.

O filme perpassa pelo relato de Carl Sagan em sua obra chamada Pálido Ponto Azul, e finalizo com sua célebre afirmação, onde ele nos diz:

“Nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica que nos cerca. Em nossa humilde condição, em toda essa vastidão, não há nenhum indício de que a ajuda virá de outro lugar para nos salvar de nós mesmos.”  Carl Sagan

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2 Comments

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