Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse, 2018); Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman; Roteiro: Phil Lord & Rodney Rothman; Duração: 117 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Comédia; Produção: Avi Arad, Amy Pascal, Phil Lord, Christopher Miller, Christina Steinberg; País: ; Distribuição: Sony Pictures; Estreia no Brasil: 10 de Janeiro de 2019;

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O Homem-Aranha, considerado o herói favorito do próprio Stan Lee, principal idealizador do universo Marvel, ganhou inúmeras encarnações ao longo dos anos, seja em animações ou live actions. A Sony conseguiu grandes proezas explorando o personagem na mesma medida que grandes fracassos, não por acaso houveram tantos reboots e projetos cancelados. Agora, nas mãos criativas da Marvel, o estúdio tenta aproveitas o universo do aracnídeo de outras formas, seja explorando personagens secundários, como o recente filme do anti-herói “Venom” ou agora com a animação “Homem Aranha no Aranhaverso“. É interessante notar como o longa animado equilibra com diferentes elementos e conceitos, conseguindo ser muito mais genuíno e bem executado que os demais filmes da franquia, abordando diversas temáticas, porém tendo como foco central a velha e conhecida jornada do herói, ao qual o próprio filme, inúmeras vezes satiriza, de ser algo batido, pouco inventivo.

A estória pode parecer a princípio confusa: após um experimento com um acelerador interdimensional, diferentes versões do homem aranha aparecem na dimensão de Miles Morales (Shameik Moore), o único homem-aranha negro. Ele foi recentemente picado pela aranha radioativa e está lidando com a descoberta de seus poderes, paralelamente precisa aprender a controlar com o caos da cidade, o surgimento dos seus sócias aracnídeos e as ameaças dos vilões, dentre eles o Rei do Crime, que põe as dimensões e a realidade em risco com suas ambições. O ritmo frenético da narrativa pode causar um pouco de confusão, um espectador pouco conectado pode acabar ficando confuso com os acontecimentos. Entretanto, há uma dinâmica entre a narrativa, sobretudo no modo em que os personagens são apresentados e desenvolvidos, que contagia, gerando empatia e ansiedade para os eventuais acontecimentos.

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O roteiro é assertivo ao conseguir captar as máximas do herói, tratando sobre os princípios comuns, básicos em qualquer super herói: sacrifícios e responsabilidades. Contudo, seu maior diferencial é agregar para além a necessidade de criar conexões interpessoais na forma de se ligar com o mundo, valorizando assim a relevância das pessoas. Além de abordar a importância da família na construção de um ser, por mais mais deslocados que sejamos. Por fim, a animação ainda aborda sutilmente questões raciais e de representatividade, sobre a necessidade de normatizarem a ocupação de negros e mulheres em lugares de destaque, seja este de super heróis, cientistas ou super vilãs.

A direção de arte consegue ser deslumbrante e alça o filme a um patamar elevado de requinte, ao lado de um deleite visual de direção de fotografia que consegue ser transportadora. Junto a direção, em determinado momento, consegue soar catártica, o que torna uma das animações mais memoráveis dos últimos anos. E o mais icônico: sem selo Disney.

Que venha mais “Aranhaverso” e menos “Venom”!

“Homem-Aranha no Aranhaverso” – Trailer Legendado:

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