Título Original: Fury

Direção: David Ayer

Roteiro: David Ayer

Elenco: Brad Pitt, Logan Lerman, Shia LaBeouf, Jon Bernthal, Michael Peña

Estreia Mundial: 17 de Outubro de 2014

Estreia no Brasil: 5 de Fevereiro de 2015

Gênero: Guerra/Drama/Ação

Duração: 134 minutos

Classificação Indicativa: 16 anos

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Assim como aconteceu com os Westerns, os chamados “filmes de guerra” vêm perdendo o espaço que tinham nas salas de cinema. Ultimamente temos um ou outro lançamento, em sua maioria de baixa qualidade, com raríssimas exceções às produções que tentaram inovar um pouco na linguagem, trazendo as discussões para a atualidade. É o que Kathryn Bigelow fez em seus dois últimos projetos: Guerra ao Terror e A Hora Mais Escura. Corações de Ferro, por sua vez, é uma evidente tentativa de abordar uma faceta pouco explorada da II Guerra que acaba apenas na mesmice de sempre.

Quem me conhece sabe que tenho muitos problemas em relação às guerras em geral. Isso vai, desde o estudo na história, até no cinema. Acho importante que o tema seja discutido e lembrado, afinal as atrocidades ocorridas nesse período nebuloso da humanidade tem de ser entendidas e “sentidas” por todas as gerações subsequentes. Entretanto, sinto que o efeito contrário ocorre na maioria das vezes, pois cria-se um mocinho e um vilão; cria-se um lado bom e um lado ruim; cria-se etiquetas, etiquetas e mais etiquetas; enquanto o principal que é a reflexão e, principalmente, a indignação frente a todo o certame são deixados de lado. Em suma: tudo vira um grande espetáculo, que mais glorifica a guerra do que a crucifica.

Fury

Claro que nem toda abordagem fica limitada ao espetáculo, não há como ignorar grandes retratos da guerra como Noite e Neblina, Hiroshima Meu Amor, Apocalipse Now, Além de Linha Vermelha. Enfim, não faltam exemplos bons de diferentes perspectivas envolvendo os conflitos mundiais. Corações de Ferro tenta ser um meio termo entre o espetáculo e o reflexivo. E como quem tenta abraçar demais, pouco aperta, a produção não consegue se destacar em nenhuma das duas linhas que tenta seguir. Quando tem a oportunidade de explorar um tema como o estupro, por exemplo, o roteirista e diretor David Ayer simplesmente foge e cria uma relação amorosa entre o provável estuprador e estuprada. Quando surge clímax para uma grande batalha, não há uma maior preocupação técnica ou até vontade de criar uma relação com o espectador.

Por outro lado, o ponto alto da fita fica com as atuações. Brad Pitt como protagonista nos entrega um personagem bastante complexo, aliás, nunca sabemos quais são suas reais intenções. Em um momento vemos nele o papel de uma figura autoritária e arbitrária, em outro, contudo, enxergamos um líder quase que patriarcal para Norman (Logan Lerman). Shia LaBeouf, por incrível que pareça, também funciona como uma figura religiosa que, em um primeiro momento, aparenta ser bastante forçado, mas que acaba revelando na sua fé, suas maiores “forças”. Logan Lerman se mostra uma das grandes decepções, porém acredito que o problema aqui é mais de roteiro do que de atuação propriamente dita. No início ele é contra a guerra e se nega a matar qualquer pessoa. De uma hora para outra (e eu não estou exagerando) ele simplesmente começa a matar e se sente super bem com isso, ou seja, desenvolvimento ou construção de personagem ficaram totalmente esquecidos.

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Assim, Corações de Ferro erra por tentar agradar tanto aos que preferem um filme mais “cabeça”, quanto aos que preferem algo mais Blockbuster. O saldo final acaba sendo uma produção que se arrasta em mais de duas horas de duração e que não consegue empolgar na sua principal tarefa que é ser um filme de guerra, apenas.

TRAILER LEGENDADO

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