Direção: Paulo Machline
Roteiro: Paulo Machline, Claudio Galperin, Felipe Sholl e Mauricio Zacharias
Elenco: Matheus Nachtergaele, Paola Oliveira, Milhem Cortaz, Fabrício Boliveira 
Estréia no Brasil: 13 de novembro de 2014
Gênero: Drama/ Comédia
Duração: 1h e 30 minutos

Nesse ano, o cinema nacional investiu em cheio nas cinebiografias, visando estabelece no gênero. Contudo, tendo em mente os quadrados filmes “Getulio” e o recente “Tim Maia”, há o mesmo equívoco cometido pelo cinema americano, não ousando, construindo longas deveras convencionais, pra não dizer repetitivos, entediantes, apresentando uma visão muito limitada da figura em destaque. Felizmente, fugindo dessa fórmula, chega aos cinemas “Trinta”, uma cinebiografia simples, ousado na medida certa e incrivelmente divertido.

Mérito maior por parte do filme se deve ao seu roteiro, bem amarrado, com diálogos inspirados e uma ótima construção do personagem título, dividindo em três etapas fundamentais de sua vida, representando assim sua evolução como artista e, consequentemente, como ser humano. João Jorge Clemente Trinta (Matheus Nachtergale) é um maranhense vindo pro Rio de Janeiro em busca de realizar suas aspirações a ser bailarino, só que brevemente ele se cansa do papel secundário nos espetáculos de ballet, abandonando os palcos e indo rumo aos barracões de Escolas de Samba, como assistente das alegorias do carnavalesco Fernando Pamplona (Paulo Tiefenthaler). Quando o carnavalesco decide se afastar da agremiação Acadêmicos do Salgueiro, decai em Trinta a responsabilidade do carnaval da Escola, sofrendo assim incontáveis preconceitos, seja por ser afeminado ou mesmo por ter ideias ousadas e inimagináveis.

A figura de Joãosinho Trinta é imensamente bem desenvolvida, apresentando seus traços peculiares e fragilidades, sobretudo ao ofício empregado, porém com contraste direto, sua convicção cegueira em realizar um espetáculo de deixar a todos boquiabertos, demonstrando determinação assombrosa, mesmo sofrendo tamanhos boicotes. Mérito para a incrível performance de Matheus Nachtegaele, conseguindo construir um Trinta empático, o livrando de caricaturas e de qualquer tipo de pena em relação às suas dificuldades. Direção inventiva, consegue aproveitar o máximo do personagem, não meramente focando em sua vida, tão pouco se restringindo apenas ao carnaval, mas narrando sua trajetória até os holofotes, mostrando ainda, para os curiosos e amantes da coisa, os bastidores por trás de um desfile na avenida, como algumas horas resumem mais de 100 dias de trabalho de uma grande equipe, tendo papel social forte nas comunidades do Rio de Janeiro.

Pregando a relevância das artes, seja em qual manifestação, na transformação dos indivíduos, ainda demonstrando como as aptidões próprias superam qualquer barreira, “Trinta” surpreende por funcionar como uma empolgante cinebiografia, cinema nacional nato, em constante evolução, num de seus melhores momentos. Nada mais é que um retrato da alegria, não só do Carnaval em si, mas também de uma das figuras que o revolucionando, atingindo estimado patamar. Divertido e envolvente, o longa está à altura de Joãosinho Trinta e seus espetáculos, nada mais justo e nostálgico.

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