Direção: Pedro Antonio

Roteiro:  Fil Braz

Elenco: Samantha Schmütz, Katiuscia Canoro, Anderson di Rizzi, Marcelo Adnet, Marcelo Mello Jr.

Produção: Mayra Lucas e Paulo Boccato

Estreia no Brasil: 22 de Setembro de 2016

Gênero: Comédia

Duração: 110 minutos

Classificação Indicativa: não recomendado para menores de doze anos

Não é nenhuma novidade que as comédias brasileiras frequentemente resolvem copiar filmes norte-americanos, sempre adaptando-os para a realidade do país. To Ryca é mais um desses casos, uma vez que é assumidamente uma adaptação do Chuva de Milhões com Richard Pryor em que o protagonista descobre uma herança misteriosa de 300 milhões que só lhe será entregue caso gaste 30 milhões em 30 dias. Bem até aí parece uma tarefa fácil, contudo há duas condições: não se pode adquirir nenhum bem e ninguém pode saber disso. Aí a situação complica…nem tanto.

Se na fita original tínhamos um típico americano, nada mais justo do que na versão tupiniquim o protagonismo ser uma brasileira mulher, negra e pobre. E esse simples fato já me animou, primeiro porque já demonstra o objetivo da produção de dar empoderamento para essas pessoas que nem sempre têm um papel de liderança em películas assim – e um exemplo recente disso é o “Um Suburbano Sortudo” cujo protagonista é branco, homem e pobre. Dessa forma, mesmo que eu tenha alguns problemas com o longa, esse tipo de mensagem rudimentar já dá sentido para a existência dessa adaptação.

Pois bem, To Ryca, em seus dois primeiros atos, segue quase que à risca a cartilha das “globochanchadas”: uma que outra piada inteligente em um mar de medianas. Entretanto, no terceiro ato há uma supresa agradável quando a crítica social que até então se resumia à construção da personagem Selminha (Samantha Schmutz) passa a ir para outros aspectos brasileiros como a política, mostrando uma preocupação do diretor Pedro Antonio em se diferenciar das outras comédias. E supreendentemente funciona.

Muito disso se deve, também, a Samantha Scmutz, já conhecida por muitos pela personagem Jéssica no “Vai Que Cola?” e pelo exótico Juninho Play, e que, aqui, mostra seus outros dotes de atuação, trazendo mais camadas a sua personagem que necessita, em certos momentos, flertar com outros gêneros como o drama. O mesmo não pode ser dito de Katiuscia Canoro a qual não funciona muito bem de sidekick, principalmente nas passagens em que é preciso um maior pulso firme nas cenas mais dramáticas, fica um pouco exagerado e, consequentemente, não nos importamos muito com o seu problema.

Por fim, To Ryca se mostra uma comédia esforçada para trazer algum frescor a um gênero tão saturado no cinema nacional. Mesmo assim, na maior parte da projeção a película ainda insiste em fazer o mais do mesmo, deixando apenas para o final introduzir algumas camadas “pensantes” na história. Tomara que esse seja o início de uma possível virada nas “globochanchadas” para comédias inteligentes com críticas sociais, mais piadas engraçadas…enfim não custa sonhar.

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About the author

Editor-Chefe do Cine Eterno. Estudante apaixonado pelo universo da sétima arte. Encontra no cinema uma forma de troca de experiências, tanto pelas obras que são apresentadas, quanto pelas discussões que cada uma traz. Como diria Martin Scorsese "Cinema é a importância do que está dentro do quadro e o que está fora".

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