Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, 2017); Direção: Matt Reeves; Roteiro: Mark Bomback & Matt Reeves; Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Karin Konoval, Amiah Miller, Steve Zahn, Terry Notary, Ty Olsson, Michael Adamthwaite, Gabriel Chavarria, Toby Kebbell; Duração: 140 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Drama, Ficção Cientifica; Produção: Peter Chernin, Dylan Clark, Rick Jaffa, Amanda Silver; Distribuição: Fox Film do Brasil; País de Origem: Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia; Estreia no Brasil: 03 de Agosto de 2017.

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Em uma indústria onde nos acostumamos a ver qualidade e sucesso de público serem divergentes, onde franquias simplesmente tiram proveito do nome que carregam sem fazer algo que realmente mereça atenção e colaborando a uma saturação, tornando cada vez mais escassas apostas arriscadas e autênticas, é gratificante, portanto, ver uma franquia como Planeta dos Macacos; que apesar de não ser um sucesso unânime de público culmina numa trilogia que cresceu e amadureceu a cada filme, chegando ao seu capítulo derradeiro em uma obra que supera não somente seus antecessores, mas muitas das expectativas previamente estabelecidas, encerrando com maestria a história. Sem meias medidas, Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes) nos lança desde o princípio ao embate que definirá os rumos tanto da humanidade como dos símios. Mas o filme de Matt Reeves, ainda que o faça muito bem, não está tão interessado no espetáculo megalomaníaco hollywoodiano, tanto que em muitos momentos é comum se deparar com a grandiloquência da ação deslocada a um segundo plano. Centrada sempre na construção do protagonista, a franquia chega aqui a um desenvolvimento que pretere o intimista, e quando colocado em choque ao restante, causa uma bela ode à sensibilidade apresentada para compreender o que era preciso.

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O fato de não se submeter ao piegas é impressionante, e o próprio filme tem noção disso, o que se percebe quando o personagem de Woody Harrelson (O Castelo de Vidro) faz questão de deixar claro o quão emocionais são as decisões do protagonista. Escolhas sempre justificáveis e que rendem momentos de puro deleite, inclusive na construção de antagonismo entre esses dois personagens. Woody Harrelson, aliás, é dono de uma atuação soberba e não à toa é um vilão complexo, afinal têm duas das mais intensas e brilhantes cenas do filme; uma primeira onde suas motivações são esclarecidas, em um embate regado a crescente tensão num estabelecimento de desenvoltura cinematográfica invejável; uma segunda, onde o embate final resguarda o sucumbir de um dos personagens. Momento no qual todo o discurso poético de Planeta dos Macacos: A Guerra demonstra sua abrangência, onde parecem convergentes todas as ideias exploradas até então, onde as postulantes que formam as características daquilo que consideramos humano ou animal são colocadas em cheque, numa comoção que relaciona as partes dessa constante e descarrega, tanto sobre os personagens como sobre o espectador, o fardo de duas decisões que geram um questionamento existencial essencial, ecoando a identidade do filme e a coragem que a franquia adquiriu ao longo dos anos.

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É emblemático que, quando finalmente se dê a guerra do título, ela consiga subverter parcialmente expectativas, em um confronto que só reforça o questionamento que será promovido. A forma como muito do contexto gira em torno do que encontramos no desenvolvimento junto da personagem de Amiah Miller (Quando as Luzes se Apagam) revela o funcionamento do emocional no filme. São verdadeiramente tocantes as sequências em que vemos o desenrolar da narrativa ao envolver a garota, numa relação que faz ressaltar para além dos já óbvios elogios. Porque é a partir da interação com ela que boa parte do elenco coadjuvante que mais tem tempo em cena faz deslumbrar com os efeitos visuais da captura de movimento. A Maurice de Karin Konoval é um dos principais destaques de Planeta dos Macacos: A Guerra por conta desse motivo. Matt Reeves é tão seguro sobre isso, uma segurança apresentada ao cineasta pela própria atriz, que faz questão de enquadra-la sempre que possível em closes certeiros e que trazem um nível de representação da atuação humana a patamares que são, talvez, só superados por quem há tantos anos vem se aperfeiçoando, assim como aperfeiçoa a técnica, para que tais momentos pudessem se tornar mais do que uma possibilidade, uma realidade.

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Sempre se faz obrigação ressaltar o trabalho de Andy Serkis (Star Wars: O Despertar da Força), mas o arco de seu César nesse terceiro filme carrega um peso que rende aquela que é provavelmente a melhor performance de captura do ator até então. A delicadeza e sensibilidade necessárias estão ali, a emoção transmitida é verdadeira e nos perdemos em meio ao envolvimento, trabalhado ao longo de anos, gerada pela atuação do mesmo. É um trabalho memorável e, especificamente neste caso, um marco na carreira do ator, que merece todos os louvores por seu trabalho. Elemento que talvez coroe o brilhante filme que é Planeta dos Macacos: A Guerra, ou seria o inverso? O certo é que aqui se entrega ao público uma obra completa que, apesar do tom de seriedade que assume, ainda é capaz de entreter como um blockbuster; com um equilibro perfeito entre os elementos, fazendo ótimo uso dos seus alívios cômicos, mas sem abrir mão da gravidade que assola aos personagens. Um filme definitivo para uma franquia que parece ter saído melhor que a encomenda. Repleta de méritos, o encerramento deixa uma certeza sobre o que aguardar quanto ao futuro da franquia, pois seu legado certamente há de ecoar em todos aqueles que se permitirem agraciar com o que é feito aqui.

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Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, 2017); Direção: Matt Reeves; Roteiro: Mark Bomback & Matt Reeves; Elenco: Andy Serkis, Woody

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