Direção: Jon Lucas, Scott Moore

Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore

Elenco: Mila Kunis, Kathryn Hahn, Kristen Bell, Christina Applegate, Jada Pinkett Smith, Jay Hernandez

Produção: Suzanne Todd e Bill Block

Estreia no Brasil: 11 de Agosto de 2016

Duração: 100 minutos

Gênero: Comédia

Classificação Indicativa: 14 anos

2016-05-04T12-34-47-833Z--1280x720.today-inline-vid-featured-desktopPerfeita é a Mãe é um daqueles filmes que são mais interessante na teoria que na prática. Pela sinopse, infere-se que todo enredo vai girar em torno da questão de que cada mãe com o seu jeitinho é especial e que claro, contrariando a pavorosa tradução brasileira, é imperfeita. Assim, o objetivo, em tese, seria quebrar o preconceitos de que mulher não pode fazer isso ou não pode fazer aquilo pelo simples fato de que, primeiro, é mulher e, segundo, é mãe, não podendo, portanto, ter desejos ou até mesmo errar. Reconheço as tentativas da fita de quebrar essa visão. No entanto as realiza de forma equivocada, ainda que, no meio do caminho, consiga tirar umas belas gargalhadas.

Amy (Milla Kunis) é uma mãe faz tudo que tenta ser “perfeita”: é executiva, faz parte da Associação de Pais e Mestres (APM), cuida da casa e, claro, tem de cuidar dos filhos, enquanto o marido tem um emprego meia boca e pouco ajuda em casa. Mas o grande problema não é o marido (!). Ela não consegue administrar tudo isso e, obviamente, é julgada. Após um dia péssimo, Amy decide que não será mais uma boa mãe, mas sim uma mãe ruim, ou seja, não fará mais café da manha para o filhos, não irá mais nas reuniões intermináveis da APM e deixará de levar o trabalho tão a sério. De quebra, ainda consegue convencer as duas amigas Kiki (Kristen Bell) e Carla (Kathryn Hahn) a fazer o mesmo. Não é muito difícil de prever que elas vão começar a “tocar o terror”.

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De cara já percebemos o machismo disfarçado do filme que pretende quebrar o estereotipo de mãe perfeita. Mas e ai? Mães são assim mesmo? Malucas que tentam fazer de tudo e não conseguem nada e precisam simplesmente largar tudo para aproveitar a vida? Ok, no filme, algumas dessas situações são engraçadas e como alívio cômico podem funcionar, mas acabam soando artificiais, ao ponto de termos uma cena de festa no estilo Projeto X com várias mulheres/mães. Então, me instiga que, para os diretores, a maternidade pareça uma prisão e que, não satisfeitos, fiquem forçando essa ideia, quando poderiam trabalhar em uma maior construção de diferentes tipos de casais. Por exemplo, não vi casais homossexuais e o único pai que assume funções cumuladas de mãe apenas serve como objeto sexual para atender desejos femininos. Esterótipo atrás de esterótipo. E o objetivo era quebrar um esterótipo. Entendeu a confusão e a incoerência?

São as atuações, porém, que nos fazem “esquecer” esse “close errado” dos roteiristas/diretores. Por incrível que pareça, o trio de mulheres protagonistas são muito carismáticas e têm muita química, os melhores momentos e piadas do longa vem das três. Mas nem tudo é perfeito, Christina Applegate e sua Gwendolyn beira a vergonha alheia não só pela má construção de personagem como também da atuação forçadissima.

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Perfeita é a Mãe, por fim, é um exercício de gênero eficiente: as piadas funcionam e a atmosfera criada é correta. Poderia ser um pouco mais honesto com o público e aprofundar mais as questões que “pretende” criticar. A mensagem final de que todas as mães são perfeitas em suas imperfeições até que é fofa, previsível, mas não menos importante por isso.

Obs: durante os créditos as mãe das atrizes do filme fazem uma participação especial, vale a pena ficar um pouquinho mais.

TRAILER LEGENDADO

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