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Pequeno Segredo (2016)

Direção: David Schürmann

Roteiro: Marcos Bernstein, Victor Atherino, David Schürmann

Elenco: Júlia Lemmertz, Maria Flor, Fionnula Flanagan, Marcello Antony, Erroll Shand, Mariana Goulart

Duração: 107 minutos

Gênero: Biografia, Drama

Produção: João Roni, David Schürmann, Vilfredo Schurmann

Distribuição: Diamond Films

País de Origem: Brasil

Estreia no Brasil: 10 de Novembro de 2016

Classificação Indicativa: 10 anos

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Muitas vezes uma abordagem de alguma especificidade cotidiana pessoal acaba gerando uma relação universal, quase como uma linguagem compreensível a todos, é uma situação reconhecida e abraçada mutuamente, que conversa com naturalidade, sem carecer de esforços. Ocasionalmente também é comum esse tipo de relacionamento com o filme se desenvolver sem esta exata intenção.

O contrário também é verdade, pois, muitas vezes, filmes que partem de uma premissa crendo serem tão pessoais para qualquer um, como para seu realizador, acabam por falhar miseravelmente. O resultado, então, é algo semelhante ao que encontramos em Pequeno Segredo, onde David Schürmann pensa que temos tanta intimidade com sua família como qualquer um dos Schürmann.

Assim, antes mesmo de começar, a intenção de abordar uma temática universal cai por terra em Pequeno Segredo, muito mais por vaidade do que qualquer outra coisa. Porque não é muito do que vamos descobrir posteriormente sobre o segredo que ronda a vida de Kat (Mariana Goulart) que causa uma sensação de vazio.

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Ao decorrer do filme vai ficando cada vez mais claro que carece à direção de David Schürmann tanto sensibilidade como delicadeza no momento de abordar e desenvolver seus personagens, e aí reside um sério entrave de Pequeno Segredo, pois não somos familiares aos personagens, mas o filme parece não se importar com tal detalhe.

Tanto que não é improvável que um ou outro espectador saia da sessão de Pequeno Segredo sem entender exatamente qual é a relação de David Schürmann com a família. Seria ele um dos filhos do casal, um irmão distante, ou o que? Esse distanciamento de sua própria personalidade no filme não está reservada somente a ele, decaindo também para o personagem de seu pai, aqui interpretado por Marcello Antony, mas que não faria falta caso não fosse retratado no filme.

A distribuição paralela da narrativa de Pequeno Segredo é outro elemento que auxilia a evidenciar essa incapacidade de se construir, ou desenvolver, os personagens da maneira correta, acarretando em situações que passam longe de serem críveis em um sentido emocional. As catarses que o filme tenta desferir em seu público, por consequência, se revelam em grande parte das vezes constrangedoras.

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Porque o que Pequeno Segredo faz é tentar assimilar o máximo possível do que suprime da história real para comprimir em um filme, almejando preencher alguns vazios da história com exposições através de diálogos ou assumindo que simples elipses de tempo darão conta das relações dos personagens.

Pequeno Segredo, portanto, se vê praticamente na obrigação de apelar a melodramas e clichês, isso por não ter capacidade o suficiente de fazer com que nos importemos, naturalmente, com as figuras que remetem aos Schürmann da vida real. Num encadeamento de problemas de diversos elementos no filme, que entrega muito menos do que almeja sua ambição.

O mais impactante é que as ausências de determinados personagens na trama, como o próprio diretor do filme, refletem um mesmo distanciamento que Pequeno Segredo possuí em relação ao segredo que é escondido de Kat pela família. Na recorrência aparentemente mais universal da trama, Pequeno Segredo mostra que ainda não aprendeu a enfrentar o fator da doença.

Se age com tal ingenuidade frente à doença que acomete a pequena garota, é porque o filme parece, de fato, estar parado no tempo, junto com a ignorância frente ao surto ocorrido na época em qual se data uma das tramas de Pequeno Segredo. Essa incapacidade de confrontar o que não se sabia, até então, com o que se sabe hoje, demonstra como o diretor falha na sua abordagem da história.

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O que se torna ainda mais evidente quando a única atuação em Pequeno Segredo a merecer qualquer mérito é a de Júlia Lemmertz, pois a atriz parece compreender plenamente o necessário de sua personagem, exibindo uma competência e dedicação exímias, mas que estão longe do suficiente para salvar ou sintetizar todo o necessário com o qual falha o restante.

Pequeno Segredo se revela, portanto, uma confrontação velada da realidade, porque das muitas partidas ocorridas durante a história, o filme demonstra não saber lidar com nenhuma delas. Muito menos sabe utilizar suas tão adoradas elipses para surtir efeitos e consequências na vida cotidiana através de seus personagens.

Preso a uma estética novelística, a taxação de certa personagem desta história como um melodrama latino não é mais que uma assimilação da realidade. O que mais incomoda, porém, é que é tão superficial como a cena de uma baleia encalhada (recriada digitalmente). Uma situação real, mas que quando reconstruída soa demasiadamente falsa, porque, ainda que a estrutura possa, com muita boa vontade, convencer, o falso efeito da água desconstrói tal ideia tanto como uma narrativa inconsequente.

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