Título Original: La migliore offerta
Direção: Giuseppe Tornatore
Elenco: Geoffrey RUsh, Donald Sutherland, Jim Sturgess
Estreia no Brasil: 17 de Julho de 2014
Gênero: Drama/ Thriller
Duração: 131 minutos

O diretor Giuseppe Tornatore atingiu seu ápice com o clássico “Cinema Paradiso (1988)”, no qual usou metalinguagem a fim de retratar o papel da arte plena como modelador de indivíduos. Depois de abordar a sétima arte, Tornatore apela agora para o mundo da pintura, em seu novo filme, “O melhor Lance”.

Na trama, Virgil Oldman (Geoffrey Rush) é um leiloeiro e conhecedor renomado de arte, junto ao seu amigo e pintor falido Billy (Donald Sutherland), ele realiza pequenas falcatruas, arrebatando quadros valiosos a menor preço para engrandecer sua coleção pessoal. Dada certa ocasião, o leiloeiro é contratado por uma jovem milionária (Sylvia Hoeks) portadora de “agorafobia”, visando leiloar os bens herdados pelos falecidos pais. Inicialmente, Virgil trata de forma cética e antipática a cliente, entretanto, aos poucos, ele inicia uma excêntrica relação, expandindo-se aos poucos seguindo caminhos obscuros.

O interessante da argumentação é o uso sutil da metalinguagem do mundo da arte clássica, tendo personagens construídos de forma distinta se remodelando devido as circunstancias, se mostrando o oposto da aparência inicial. é justamente como numa pintura, onde as aparências nem sempre representam o significado real da obra. O roteiro, infelizmente, peca pela convencionalidade e falta de ousadia, mas ainda assim estabelece uma narrativa sólida e instigante, na qual o expectador consegue ter participação. Ainda há espaço para reviravoltas e surpresas, mas que irão dividir o público sobre os rumos tomados.

A direção de Giuseppe é primorosa, construindo cenas de maneira belíssima, intencionalmente querendo fazer um quadro de arte em determinadas sequências. A essência da argumentação é transposta para tela, retratando dilemas morais e humanos, debates pertinentes e bem conduzidos, como o sentimento de opressão feminina numa sociedade machista ou a solidão cada vez mais crescente do ser humano, criando universos particulares e idealizando a perfeição plena. Tudo isso é retratado de forma plena e convincente, junto a uma minuciosa performance do soberbo Geoffrey Rush, embalada ainda por uma clássica trilha do maestro Ennio Morricone.

“O Melhor Lance” pode até carecer uma invenção ao gênero, porém consegue ser eficiente respeitando seus limites. É uma experiência reflexiva, linda de se ver e pesada em se pensar. Passa a ser um retrato do obsessivo ser humano pela perfeição, mas o interessante é mostrar que a arte, mesmo sendo “perfeita”, nada mais é que um retrato do imperfeito mundo no qual os indivíduos não valorizam. Parece complexo, mas é um debate pra lá contraditório que merece uma atenção.

TRAILER LEGENDADO

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