Direção: David Dobkin
Roteiro: Nick Schenk
Elenco: Robert Downey Jr, Robert Duvall, Billy Bob Thorton, Vera Farmiga
Estréia no Brasil: 16 de outubro de 2014
Gênero: Drama
Duração: 2h e 22 min.

O “filme de júri” se tornou clássico graças a uma das obras mais marcantes do cinema, servindo de referência até os dias de hoje: “12 Homens e Uma Sentença”, primeiro longa dirigido por Sidney Lumet, narrando a difícil tarefa dos membros do júri em chegar no veredito. De lá pra cá, pouco realmente andou em relação a esse tipo de cinema, apesar das marcantes obras que beberam na fonte de Lumet. Acreditando ainda no potencial do cinema em inovar, gerei expectativas em relação ao longa “O Juiz”, chegado aos cinemas nesta semana, principalmente por seu elenco, contudo é um daqueles casos onde a expectativa é o primeiro passo para a total decepção, sendo um dos filmes mais pretensiosos e falhos do ano.

Hank Palmer (Robert Downey Jr) é um advogado de prestígio com péssimas relação com sua família e vivendo um estilo de vida difícil, entretanto com a perda de sua mãe, ele é obrigado a voltar às suas origens, retornando ao Estado natal e enfrentando seu arrogante e presunçoso pai, o juiz do título Joseph Palmer (Robert Duvall). Eis que a instabilidade na vida de Joseph acaba por torná-lo suspeito principal de uma assassinato, o fazendo por sua credibilidade e superioridade moral em cheque, botando o orgulho de lado e se unindo ao filho para forjar a defesa e provar a inocência, seja está genuína ou não. É um embate de gênios, no qual Hank a cada momento confronta consigo mesmo e com seu passado, aflorando a todo momento.

O problema principal por parte do roteiro é a presunção constante em tentar ir além de sua capacidade, com diálogos pouco bem desenvolvidos, personagens insossos e sem a menor empatia, além de uma ligeira confusão para definir qual gênero compor. O longa tenta ser um filme de júri ao mesmo modo que um drama familiar, variando entre os gêneros, contudo não se define e não funciona em nenhum dos casos, servindo de uma frustrante decepção. A direção é extremamente convencional e manipulativa, procurando conquistar ao máximo o público, na realidade adquirindo um sentimento genuíno: o completo tédio, acima de tudo é decepcionante ver certo potencial no enredo e, sobretudo, no elenco, ser desperdiçado de tal maneira, num dramalhão comparável às novelas globais dos tempos de hoje, só que sem a porcentagem de alívios cômicos.

No campo das atuações, vale destacar como o elenco está com uma vontade imensa em atuar, mesmo com um material tão pífio, temos Robert Downey Jr mostrando que não se resume apenas a um personagem, apresenta sim elementos e capacidade para ir além, resta apenas as devidas oportunidades, além do retorno do veterano Robert Duvall numa performance visivelmente em busca de um outro Oscar, só que o esforço se diminui se levarmos em conta a seu personagem tão manipulativo e desagradável. Completam o elenco esforçado a sempre ótima e agradável de se ver Vera Farmiga, outra merecedora de mais oportunidades no cinema e Billy Bob Thornton, renascido graças a minissérie Fargo, voltando ao devido lugar como grande ator.

Depois de quase 2h e 30 minutos de filme, “O Juiz” é um longa extremamente cansativo, facilmente detestável e grandiosamente decepcionante, uma película na qual é fácil se arrepender de ter embarcado numa experiência tão preguiça. Melhor, talvez, seria ter ficado em casa e esperado o próximo filme da “sessão da tarde” ou para os amantes do bom cinema, procurar a verdadeira e original produção de júri feita por Lumet. De qualquer jeito, há muitas opções mais interessantes do que acompanhar um grito por um Oscar em forma de filme.

TRAILER LEGENDADO

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