Direção: Cyrus Nowrasteh

Roteiro: Betsy Giffen Nowrasteh e Cyrus Nowrasteh

Elenco: Sean Bean, David Bradley, Sara Lazzaro, Adam Greaves-Neal, Jonathan Bailey

Produção: Michael Barnathan, Chris Columbus, Tracy K. Price, Mark Radcliffe, Mark W. Shaw

Estreia Mundial: 11 de Março de 2016

Estreia no Brasil: 24 de Março de 2016

Gênero: Drama

Duração: 111 minutos

Classificação Indicativa: Livre

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Se existe algum motivo pelo qual a infância de Jesus não é abordada pela Bíblia, em O Jovem Messias dá para se especular os motivos: é porque a história, pelo menos no filme, é extremamente chata. Ok, ok o longa é uma especulação sobre o que pode ter acontecido, mas mesmo assim, nada justifica um roteiro tão preguiçoso, uma direção medonha e um design de produção tão vergonhoso.

É incrível que os mesmos produtores do primeiro Harry Potter tenham feito O Jovem Messias, parece que eles desaprenderam a contar histórias infantis – e aqui me refiro principalmente a Chris Columbus, responsável por maravilhas como os Goonies e Esqueceram de Mim. Toda aquela magia e cuidado que se via na série do bruxinho e que, sim, poderia ser utilizada aqui, já que estamos falando de uma figura fantástica (no sentido de que realiza milagres e “foge da realidade”) como Jesus. A produção erra a mão de forma grotesca, desde a abordagem trazida na narrativa, até a forma como “vende” sua película. O mesmo pode ser dito da péssima direção de Cyrus Nowrasteh a qual não é nada inventiva. E quando ele tenta construir cenas de “ação”, beira a vergonha alheia, visto que não só o orçamento baixo da fita transparece, como também o seu problema de construção de coerência nos cenários, a famigerada mise en scène, quase grita na tela. Isso sem considerar, também, as barrigas da narrativa as quais são tantas que as duas horas de projeção parecem ter mais que o dobro.

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Aliás, a fita, tem uma metáfora adolescente: um monte de transformações ocorrendo tanto na mentalidade quanto no corpo, mas que geralmente não se entende, é preciso que alguém explique. A diferença é que o “adolescente” em questão é o Messias, então a sua puberdade, na verdade, é a descoberta de que ele tem poderes, pode fazer milagres. Entretanto, o roteiro falha ao desenvolvê-lo de forma que essas diferenças que ele sente em relação às outras crianças, não fazem com que ele se sinta excluído ou que questione o que realmente está ocorrendo. Assim, a figura se torna uma criança, no mínimo, arrogante.

Além disso, tem o personagem do Sean Bean cuja única tarefa na vida, aparentemente, é caçar Jesus, tendo em vista que o imperador teme que os boatos estejam certos e que a criança venha a liderar uma rebelião. No entanto, assim como o personagem do Joseph Fiennes em Ressurreição, ele passa por uma transformação em sua maneira de pensar, tanto que, no clímax, passa aceitar que a criança realmente era o filho de Deus. Então, cai no mais do mesmo de santificar e de mostrar como era inegável a sua bondade e de como todos ao seu redor eram acolhidos e chamados pela palavra do Messias, algo que já vimos várias vezes em tudo que é tipo de filme.

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Dessa forma, perde-se, mais uma vez, a oportunidade de tentar desmitificar a figura, não com objetivo de atacar a religião ou o líder, mas sim de contar a história de um ser humano que consegue liderar um movimento para se libertar dos abusos de um imperador. Com efeito, as questões religiosas tendem a ficar sempre mais fortes e mais aparentes nesses tipos de produção, porém é contraditório anunciar algo inédito, mas apresentar as “alterações” do conteúdo original de forma temerosa, isto é, cuidando para não trazer nenhuma polêmica, investindo no seguro, ao ponto de encerrar a fita dizendo que Deus vai dar o caminho para Jesus. Sério? Não me diga? Quase tive um infarto com tal notícia! Quase que dizendo que as últimas duas horas de nada valeram, afinal, Deus resolve tudo. É um Deus Ex-Machina, versão Deus Oficial mesmo.

TRAILER LEGENDADO

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