Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo del Toro
Elenco: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage
País de Origem: EUA/Nova Zelândia
Estreia Mundial: 13 de Dezembro de 2013
Gênero: Aventura
Duração: 161 minutos

A DESOLAÇÃO DE SMAUG ACABA POR SER A DESOLAÇÃO DA FRANQUIA INTEIRA E, TAMBÉM, A DE PETER JACKSON COMO DIRETOR.

Admito que, quando ouvi que o livro de J.R.R Tolkien seria divido em três filmes, achei fantástico, afinal, seria a oportunidade perfeita para expandir o universo já criado pela Trilogia do Anel com um enfoque diferente, uma vez que O Hobbit era uma história mais leve e infantil. Seguindo a minha inocente lógica, a união da mente de Peter Jackson (Senhor dos Anéis) com a de Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno) poderia acrescentar e muito ao livro. A pretensão (e o complexo de grandeza de Jackson) de transformar tudo relacionado à terra média em épico, entretanto, acabou por traí-lo (e, quem sabe, afastou del Toro da produção). Na cabeça do diretor, claramente, O Hobbit é o “novo” Senhor dos Anéis, tanto que ele não faz questão alguma de diferenciar as duas franquias. A história original do “livro infantil” de Tolkien, porém, não sustenta esse tom mais sombrio e denso da Saga do Anel e o resultado dessa leitura (errada) de Jackson está sendo, no mínimo, preocupante.

Sono é uma palavra que resume – e muito bem – esse segundo filme. A despeito de ter muito mais cenas de ação que o primeiro, o roteiro e a própria montagem da película parecem estar brincando com a sua paciência. Tudo demora muito para acontecer: os diálogos não são nada dinâmicos, as batalhas são estendidas a tal ponto que chegam a ficar enfadonhas. Resumindo, é enrolação atrás de enrolação (convenhamos que disso o tio Jackson entende muito bem). Uma das maiores provas disso é a cena inicial do filme (e que remete A Sociedade do Anel, inclusive com a participação do ilustre diretor) que é totalmente desnecessária e que acaba por provar a falta de confiança no espectador, resultando em uma espécie de “Previously on The Hobbit”.

Em A Desolação de Smaug continuamos a acompanhar a saga dos anões e de Bilbo (Martin Freeman da ótima série Sherlock) até a Montanha Solitária. No entanto, dessa vez, temos a participação mais efetiva dos elfos, principalmente de Legolas (Orlando Bloom que rotorna ao seu papel de Senhor dos Anéis) e Tauriel (Evangeline Lilly de Lost). Esta última é criação exclusiva para o filme e, mesmo que mal aproveitada, acaba por ser um dos poucos acertos da produção. A nova personagem – em uma interpretação não menos que sensacional de Lilly – é extremamente forte e decidida, mas somente no inicio da sua apresentação. Com o passar do tempo, as roteiristas acabam por colocá-la em um triângulo amoroso e que (já que Jackson faz questão de fazer referências a Senhor dos Anéis, vou me dar a liberdade de comparar também) não tem a mesma profundidade do triângulo da franquia original – que já não era lá grandes coisas. Além disso, já estamos no segundo filme e ainda não tivemos uma apresentação digna dos anões que continuam a aparecer de forma caricata: um é o gordinho engraçado, outro é atrapalhado. Dessa forma, não ocorre um aprofundamento em nenhum dos persongens. É uma pena.

Enquanto o roteiro, a montagem e a direção escorregam feio, a direção de arte e a direção de efeitos especiais dão um show à parte. Em uma das principais cenas de ação, a dos barris, não há como não se encantar com a dicotomia criada entre cada grupo que está em combate. Ao passo que os elfos são extremamente leves e exuberantes em sua forma de lutar, os anões são mais agressivos, mais rústicos (e os orcs, seguem sendo orcs). Além de contribuir para uma cena mais coesa, essa diferenciação demonstra um cuidado técnico que lembra muito uma cena de perseguição do excelente As Aventuras de TinTim. As vestimentas, a maquiagem, enfim toda a direção artística como um todo está impecável. Só que apenas isso não faz com que o filme seja tragável durante suas intermináveis duas horas e quarenta minutos.

Sem se preocupar em dar um fim de verdade ao filme, Peter Jackson deixa tudo para se resolver no terceiro e último filme. No entanto, diferentemente do que aconteceu em Jogos Vorazes: em Chamas, no qual, mesmo com um final em aberto, há a resolução dos conflitos propostos durante o filme, em A Desolação de Smaug, isso não acontece. O filme termina de forma abrupta.

Ou melhor, ele não termina. Nunca.

Seguindo os mesmos passos de George Lucas na nova trilogia do Star Wars, Jackson termina por nos entregar mais um filme espetáculo do que realmente um com uma história que mereça perdurar paras as gerações seguintes. Senhor dos Anéis permanece até hoje, quase 10 anos depois, intocável (e permanecerá assim por muito tempo), ao passo que O Hobbit não terá tanta relevância. A Desolação de Smaug acaba por ser a desolação da franquia inteira e, também, a de Peter Jackson como diretor. O que nos resta, agora, é esperar por um milagre que venha a salvar o terceiro e último capítulo.

About the author

Editor-Chefe do Cine Eterno. Estudante apaixonado pelo universo da sétima arte. Encontra no cinema uma forma de troca de experiências, tanto pelas obras que são apresentadas, quanto pelas discussões que cada uma traz. Como diria Martin Scorsese "Cinema é a importância do que está dentro do quadro e o que está fora".

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