Título Original: Miracles for Heaven

Direção: Patricia Riggen

Roteiro: Randy Brown

Elenco: Jennifer Garner, Kylie Rogers, Martin Henderson, Brighton Sharbino, Queen Latifah, John Carroll Lynch

Produção: DeVon Franklin, T.D. Jakes, Joe Roth

Estreia Mundial: 16 de Março de 2016

Estreia no Brasil: 21 de Abril de 2016

Gênero: Drama

Duração: 109 minutos

Classificação Indicativa: 10 anos

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Reconheço que fui com bastante preconceito assistir à Milagres do Paraíso. Tendo em vista os lançamento dos pavorosos A Ressurreição e O Jovem Messias, você tem de concordar comigo que o gênero religioso estava em grande débito comigo. Isso que eu me dei o direito de não assistir aos 10 Mandamentos (e antes de você me julgar por não ter assistido, saliento que assisti a dois capítulos da novela na Netflix e isso foi o suficiente para eu tomar essa decisão). Mas voltando ao filme em questão, mais uma vez, eu sinto na pele os perigos do pré-julgalmento e digo, o longa é bom, funciona e, pasmem, não é (totalmente) doutrinador.

Baseada em eventos reais, na película acompanhamos uma típica família do Texas cujo pai é veterinário e cuja mãe permanece em casa cuidando das 3 filhas do casal. Não vivem com muito luxo, mas são felizes, dentro das possibilidades. Repentinamente, Anna, a filha do meio, começa a sentir dores intensas na barriga, vomitando quase tudo que come. Os médicos dizem que não é nada grave, uma hora é refluxo outra hora é intolerância lactose. No entanto, a matriarca Christy Beam (Jennifer Garner), percebe que está sendo enrolada e exige exames mais detalhados. Daí vem a notícia fatídica: a garota tem uma rara doença em que seu estômago e seu intestino param de funcionar corretamente, logo ela não consegue mais se alimentar normalmente, necessitando tratamentos especiais e caros.

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Vamos começar pela parte religiosa, afinal, tem milagre e tem paraíso no nome da produção. A família é frequentadora de uma igreja (não fica evidente qual é a religião) em que aparentemente todos se dão bem, porém, quando Anne fica doente, surgem comentários e fofocas no templo de que ou está faltando fé ou alguém está cometendo pecados e, a partir desse episódio, Christy decide não mais ir à igreja, a despeito de continuar acreditando na cura de sua filha. De fato, uma das grandes supresas do longa é que ele não é doutrinador, isto é, não fica martelando a todo momento a divindade, inclusive apresentando essa crítica às pessoas que frequentam a instituição e acham que tudo é pecado ou falta de fé. Sim, existem várias referências ao divino, seja em diálogos, seja em movimentos de câmera apontado para o céu ou dando e impressão de que há um Deus olhando pela personagem, mas nada que prejudique a experiência, pelo menos até o final quando degringola de vez e apela para um Deus ex Machina, digo, Deus ex Deus.

Ademais disso, a película é, majoritariamente, sobre a luta contra uma doença e como isso altera a rotina de todos que estão ao redor: as irmãs tem de lidar com o fato de que não têm mais a mesma atenção, o pai precisa dobrar sua carga de trabalho para poder bancar todos os custos e a mãe precisa acompanhar sofrendo ao ver que não há sinais de melhora. O interessante, porém, é ver que, neste momento, a religião é usada como simbolo de esperança; a fé que tudo vai se acertar e, de fato, não interessa se é crença em Deus, Jesus, Jah ou Orixás, a questão é que essa convicção dá forças para continuar a batalha.

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Entretanto, a fita tem algumas falhas e grande parte delas estão relacionadas a direção de Patricia Riggen (Os 33). Ela exagera em algumas cenas e fica um tanto quanto piegas. Por exemplo, quando a Anne tem um encontro com “Deus” a forma como essa passagem é inserida beira o vergonhoso e perde aquele senso de realidade que permeia durante toda projeção. Isso quando ela não fica focando em plantas e animais para reforçar a presença do divino. Com efeito, essas escolhas acabam por tirar o espectador da fita.

No fim das contas, Milagres do Paraíso, ainda que tenha uma história universal, não deixa de ser um filme para um público específico. Conseguirá angariar pessoas ateias e de outras religiões que estiverem com o coração mais aberto, mas, nem de longe se compara a outras produções que lidam com Deus, mas conseguem fazer com que a narrativa e a história em si sejam mais relevantes que qualquer intervenção divina.

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