Crítica | Meus 15 anos

- in Cinema, Crítica Cinematográfica
1

Meus 15 anos (2017); Direção: Caroline Fioratti; Elenco: Larissa Manoela, Rafael Infante, Daniel Botelho, Bruno Peixoto, Anitta; Duração: 92 minutos; País de Origem: Brasil; Distribuidora: Paris/Downtown Filmes; Data de estreia: 22 de Junho de 2017;

Larissa Manoela é um fenômeno. A atriz relevada ainda pequena no filme “O Palhaço”, de Selton Mello, se tornou uma das figuras mais influentes do público infantil e pré-adolescente. Estrela de novelas no SBT, como Carrossel, seu primeiro livro, “O Diário de Larissa Manoela”, foi o quarto mais vendido no Brasil em 2016. Junto com a carreira de atriz e escritora, a jovem também é cantora e recentemente gravou seu primeiro DVD, ao vivo em Salvador. Como todo o sucesso tem seus prós e contras, Larissa é sempre alvo de notícias em sites de fofoca da web, comentando desde sua vida financeira, comportamento, até os polêmicos e precoces relacionamentos. Dito isso, até demorou para a atriz ganhar seu primeiro projeto solo, sendo que “Meus 15 Anos” é desde já um dos maiores caça-níquéis do ano.

Para confirmar o sucesso, a produção reúne um “marketing” bastante característico das produções nacionais que me deixaram traumatizados recentemente – a inclusão de youtubers, personalidades da mídia e cantores no elenco. 2015/2016 é quase uma volta ao início dos anos 2000, quando a Diler & Associados colocava em todos seus filmes nacionais artistas famosos, muitos interpretando eles mesmos, como nos sucessos da Xuxa, Didi, Um Show de Verão, Padre Marcelo Rossi e etc… Nada contra (será?), mas as últimas “experiências” com isso quase me fizeram sair do cinema gritando. Felizmente, “15 Anos” está um nível bem acima de todos os filmes que sugam dessa fonte para atrair mais público e vale a pena se livrar um pouquinho dos pré-conceitos antes da sessão.

meus 15 anos

No filme, Larissa interpreta Bia, uma adolescente deslocada na sua escola que ganha uma festa de 15 anos no sorteio de uma promoção do shopping. Só que como ela tem poucos amigos, acaba entrando em conflito sobre quem convidar, contando com a ajuda do pai e do melhor amigo.

Como é uma produção voltada para o espectador infantojuvenil, se passando em uma escola, os clichês são inevitáveis. A própria Bia é a garota estranha que passa por uma transformação, já vista tantas vezes na Sessão da Tarde nos clássicos “Ela é Demais”, “O Diário da Princesa”, entre outros. Entre os colegas temos a blogueira, o amigo nerd e o “crush” do terceiro ano. Talvez uma tentativa de maior identificação do público, afinal, essas figuras se tornaram frequentes nos filmes teens porque elas realmente existem. Ainda assim, apesar dos personagens comuns, o roteiro é bastante coeso e esperto nos conflitos escolares, jogando a protagonista em um ambiente próximo do real, cheio de interesses, inveja, amizades oportunistas e bem menos fantasioso do que poderia ser. Após o anúncio da sua vitória na cobiçada promoção do shopping, Bia entra em um mundo totalmente novo, rodeada de amigos, se tornando o que sempre quis ser na escola. Acaba que seus minutos de fama se tornam bem mais cruéis e menos conto de fadas do que ela imaginava.

meus 15 anoos

No papel de protagonista, Larissa Manoela se mostra talentosa, convencendo como uma garota tímida, humilde e carismática, fazendo até entender um pouquinho porque as crianças e pais compram tanto suas ideias. Junto com a atuação, a atriz também mostra seus talentos vocais cantando em cena “Meus 15 Anos”, música tema do filme. Como suporte, temos Rafael Infante (do Vai Que Cola), no papel do pai bastante amoroso e várias nomes adolescentes, com destaque para Bruno Peixoto e Daniel Botelho (o Joca de Mãe Só Há Uma). Por fim, também temos as citadas participações especiais – a cantora Anitta fazendo um mini show, além dos youtubers Victor Meyniel e Pyong Lee, atuando um pouquinho fora do timing, mas nada muito constrangedor.

Confesso que entrei na sessão de “Meus 15 Anos” um pouco receoso, apesar de fazer bastante esforços para conseguir ir na cabine de imprensa. O resultado final acaba sendo na média, principalmente se formos analisar a visão do seu público alvo. Para eles, ficam lições reais do universo que eles enfrentam no momento – existem muito mais pessoas interessadas no que você possui do que na sua verdadeira amizade, aprender a valorizar quem realmente está ao seu lado e confiar na sua própria identidade. Já para os pais, pode ser bem mais inofensivo e fofinho do que parece.

Trailer Oficial:

Comentários

comentários

1 Comment

  1. Pingback: Crítica | Fala Sério, Mãe! - Cine Eterno - Cinema Sem Fronteiras

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may also like

Crítica | O Destino de uma Nação

O Destino de Uma Nação (Darkest Hour, 2017);