Crítica | Mais Forte que O Mundo: a história de José Aldo

Crítica | Mais Forte que O Mundo: a história de José Aldo

Direção: Afonso Poyart

Roteiro: Afonso Poyart e Marcelo Aleixo Machado

Elenco: José Loreto, Jackson Antunes, Milhem Cortaz, Cleo Pires, Cláudia Ohana

Produção: Diane Maia e Afonso Poyart

Estreia: 23 de Junho de 2016

Gênero: Ação

Duração: 107 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

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As cinebiografias brasileiras sempre são um motivo de dor de cabeça, tendo em vista que, sempre tendem a manter uma narrativa linear, além de endeusar seus protagonistas, mostrando-os quase como personagens unidimensionais. Mas, para toda regra, existe uma exceção. Ano passado, Chatô: O Rei do Brasil, depois de ~alguns anos~, chegou aos cinemas e surpreendeu ao inserir elementos psicológicos do protagonista para, de certa forma, embasar seus atos, elevando, portanto, o nível de discussão. Mais Forte que o Mundo segue essa mesma linha ao, diversas vezes, fugir do óbvio para apostar em algo mais interessante, ao ponto de reiterar, durante toda projeção, que o único que vilão que veríamos na história seria o que o próprio protagonista inventou.

Como eu não acompanho – e não gosto de – MMA, admito que nunca ouvi falar de José Aldo. Contudo, o meu desgosto por sertanejo, em nada afetou a minha conexão com, por exemplo, 2 Filhos de Francisco. Então, antes de mais nada, se faz necessário despir-se dos preconceitos e abraçar a narrativa. Desde o início, a fita já acerta em definir o tom que quer colocar: ação. O gênero é ação e, portanto, não vamos perder tempo com o que não interessa, ou melhor, não vamos ficar enrolando. Assim, já de cara, nos é apresentado José Aldo (José Loreto) um jovem morador de Manaus que, não só enfrenta dificuldades financeiras, como também tem de lidar com um Pai alcoólatra (Jackson Antunes) que bate na sua esposa (Cláudia Ohana). Até que surge uma oportunidade de Aldo ir para o Rio de Janeiro para realizar o seu sonho: lutar. Todavia, nem tudo é tão fácil, pois além de ter de trabalhar duro, não levaram muita fé que ele pudesse ser um lutador de MMA. Um dia, após uma briga de bar, um técnico decide lhe dar uma chance e, a partir desse momento, inicia sua jornada à vitória.

A despeito de me incomodar (e muito) com os exageros do diretor Afonso Poyart, reconheço que, aqui, ele fez um trabalho belíssimo. Primeiro porque ele cria uma identidade visual marcante para a película, isso se deve também ao excelente trabalho do diretor de fotografia Carlos André Zalasik, que não perde em nada para as produções estrangeiras de grande orçamento. E, segundo, porquanto Poyart não deixa o ritmo cair em momento algum, a história sempre vai avançando e, aqui, também merece a menção a eficiente montagem de Lucas Gonzaga. Ademais, a escolha do diretor em não abraçar a mesmice das biografias, abre espaço para que, assim como em Chatô: o Rei do Brasil, os conflitos internos do personagem sejam a foco central da narrativa.

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Dessa forma, não são raros os momentos de “introspecção”, mesmo que Poyart passe do ponto algumas vezes, seja pelos seus slow motions desnecessários, seja pela escolha de ângulos nada eficientes. De qualquer forma, o simples fato de ele abrir espaço para aprofundar as emoções de José Aldo, já é suficiente para ser exaltado. Atém disso, José Loreto abraça o personagem de maneira espetacular: transformação física, preparação no MMA, enfim, ele assume o papel e, se até então o ator não tinha mostrado seu real potencial, aqui ele prova que tem capacidade não só de dar porrada, mas também de emocionar. Mais Forte que o Mundo, assim, projeta-se como um marco no cinema brasileiro moderno, principalmente por não ter medo de fugir de alguns padrões de gênero. É um filme de ação, sem medo de aprofundar as emoções de seu protagonista. É um longa de luta, sem receio de afirmar que o único vilão que realmente existe é aquele que cultivamos dentro de nós mesmos.

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