Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria

Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria

Título Original: Mad Max: Fury Road

Direção: George Miller

Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathouris

Elenco: Charlize Theron, Tom Hardy, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne

Produção: George Miller, Doug Mitchell e P.J. Voeten.

Estreia no Brasil: 14 de Maio de 2015

Gênero: Ação/Aventura

Duração: 120 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

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Como todo bom e aplicado crítico, fiz uma maratona nesse fim de semana para reassistir ao primeiro Mad Max e ver, pela primeira vez, as respectivas sequências. Sem dúvida, foi muito proveitoso. Apesar de uma irregularidade aqui e ali, a trilogia é muito digna do conceito que vêm sendo construído ao longo das últimas décadas. Eis que após exatos 30 anos do lançamento do último filme, George Miller volta a direção e lança Mad Max: Estrada da Fúria. E se tem uma palavra que define a minha experiência é surpresa. Surpresa em todos os aspectos, pois o longa não só revitaliza os conceitos já trazidos pela franquia antiga, como também traz novos elementos, fazendo um paralelo de cunho político e social que dificilmente vemos nesses blockbusters.

Em 1979, lançamento do primeiro Mad Max, ainda presenciava-se as consequências da crise do petróleo, seja pelos preços, seja pelas inúmeras guerras que ocorreram em consequência dos embargos e disputas. Então, não é a toa que o tema principal da película girou em torno da questão da escassez da gasolina e seus desdobramentos. Nos filmes seguintes, vamos vendo o desenvolvimento dessas batalhas pelo “bem precioso”, ao passo que a sociedade antiga vai sendo dissolvida e uma nova vai surgindo. Essa reestruturação fica bastante evidente no terceiro longa quando somos apresentados à tribo comandada pela personagem da Tina Turner. Nesse quarto filme, chegamos a uma nova visão. Gasolina já não é mais o grande problema, mas sim questões mais essenciais como água, sobrevivência e igualdade.

Na trama, portanto, voltamos ao mesmo e conhecido universo apocalíptico no qual a humanidade esta condenada a sua extinção, assim, as disputas por espaços acabam virando, também, uma luta pela sobrevivência. É nesse mundo que conhecemos Max (Tom Hardy), um homem de poucas palavras e grandes atitudes as quais são barradas a partir do momento que é capturado por uma tribo liderada pelo ditador Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne). Nessa sociedade composta majoritariamente por homens, presenciamos os mais absurdos tipos de violação: de mulheres até de direitos fundamentais. Joe, mantém o monopólio da distribuição de todos os tipos de elementos essenciais seja água, seja vida. Sim, ele controla os nascimentos através das mulheres que ele mantém como escravas progenitoras. É aí que entra a grande personagem da produção, Furiosa (Charlize Theron) que cansada dessa exploração, tenta fugir com todas essas mulheres escravizadas em busca de uma tribo exclusivamente feminina que irá acolhe-las. Nesse contexto de fuga, Max e Furiosa se encontram e se veem obrigados a trabalhar em equipe para conseguir fugir de Joe.

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De cara, já podemos perceber todas as críticas sociais que estão simbolicamente representadas no filme. Primeiramente há a questão da água e da escassez, relacionada ao consumismo exacerbado dos tempos atuais, isso fica evidente quando vemos que o nome do reservatório é “Acqua Cola”, uma clara referecia a Coca Cola. Depois, temos a questão da objetificação humana, pois ambos homens e mulheres são tratados como coisas e, claro, a produção escolhe por focar mais no gênero feminino, pois é o gênero escravizado para que o ditador produza mais homens trabalhadores. Tudo isso dá um charme mais que especial ao longa que o tempo todo vai jogando referências com as quais vamos “lincando” com a nossa sociedade atual.

E o grande responsável por toda essa reflexão é o diretor George Miller que acertadamente faz escolhas bastante ousadas tanto temática quanto cinematograficamente. Esse tempo todo em que ele ficou parado, deu uma bela revigorada de reflexão e reparação para nos apresentar o desbunde visual que Mad Max é. Todos os aspectos técnicos estão em uma sintonia invejável, fazendo com que fiquemos apreciando a quase todos os detalhes, desde a fotografia extremamente amarelada e condizente com a distopia apresentada, até a direção de arte. Sem falar nas cenas de ação que estão, com o perdão do palavrão, do caralho. Serio, desde o Resgate do Soldado Ryan eu não ficava tão apreensivo e atento aos primeiros 20 minutos de um filme. É memorável. 

Por fim, a grande e grata supresa é descobrir que Max não é o personagem principal do filme, mas sim, Furiosa, uma mulher forte e de demasiada complexidade. Isso não poderia ser diferente, ainda mais quando um dos pontos principais que desenvolvem a trama envolve o feminismo. Destarte, era necessária a apresentação de mulheres de todos os tipos. Max, por sua vez, fica de co-protagonista, mas sem perder o peso em tela. E tudo isso se deve a escalação mais do que acertada de Tom Hardy e Charlize Theron. É difícil escolher quem está melhor, tendo em vista a sintonia de trabalho e entrega que ambos apresentam.

Mad Max: Estrada para a Fúria é talvez um ponto de virada no cinema de ação atual, haja vista a pobreza e mesmice que o gênero vêm enfrentando. Temos aqui uma produção completa que consegue aliar de forma dosada todos os quesitos de um bom filme “cult” com cenas de ação em um rítmico frenético. Não preciso nem dizer que já estou ansioso para o que estar por vir.

Nota: 9/10

Mad Max: Estrada da Fúria por Eduardo Gomes

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Devo confessar não ser grande entusiasta do tipo de nicho na qual “Mad Max” pertence. A franquia se popularizou por volta dos anos 70/80 apresentando uma nova fórmula de fazer ação desenfrada, quase que frenética. De lá pra cá muito mudou, contudo dificilmente houveram filmes semelhantes aos dessa década em evidência do gênero. Eis que “Mad Max: Estrada da Fúria”, reinício triunfal da franquia sob mãos de George Miller (diretor dos anteriores), recupera a fórmula oitentista, porém não se limita a mera homenagem. Consegue ser uma obra genuinamente original, um filme de Ação -com A maiúsculo- como pouco se faz nos últimos anos, pelo menos.

Num futuro distante onde o planeta sucumbiu devido a ganância por petróleo, a sociedade encontra-se no caos, a natureza nos castigou e tudo se transformou num hostil deserto, tornando os indivíduos lunáticos em busca de  sobrevivência meramente vã. Max (Tom Hardy) é um ex-policial que visa sobreviver em tal ambiente hostil, entretanto ele se vê num golpe contra o “líder” Imortal Joe articulado por sua imperatriz Furiosa (Charlize Theron), buscando esperança em novas terras distantes, só que tendo como preço atravessar a perigosa estrada da fúria, enfrentando inúmeras adversidades, dentre elas a caçada por parte do traído déspota. Eis que todos querem se matar mutuamente, em busca de seus próprios sentidos de viver. Uma trama simples, bem amarradinha e encenada em duas horas de puro êxtase.

O diretor e produtor George Millerr constrói um espetáculo visual nosense de pura euforia, sufoca o expectador com uma ação inebriante, sem limites ou pausas, homenageia os anos 80 acrescentando tons originais dessa década, conseguindo se “redimir” pelo machismo da franquia original, atribuindo altas dosagens de feminismo. Não por acaso a personagem de Charlize Theron eclipsa o personagem título, tornando-se a protagonista feminina mais complexa e recheada dos últimos tempos -katness quem? O roteiro consegue introduzir cargas filosóficas, respeitando o limite de um blockbuster, destrinchando o valor da mulher na sociedade, a busca pelo sentindo de viver que não beire ao existencialismo vazio,  a opressão de lideranças messiânicas sob populações sem opção… Enfim, há de sobra uma argumentação instigante propícia para discussões, fugindo o entretenimento vazio.

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Charlize Theron brilha, entusiasma, numa performance a altura da grandiosa atriz, fazia tempo inclusive que ela não estava num papel tão bem aproveitado. Já Tom Hardy frusta um pouco no papel no qual Mel Gibson se imortalizou, seja pelo fato de perder o protagonismo para uma mulher, pela dificuldade de personificar uma figura já personificada anteriormente ou por repetir os tiques deixados na caracterização do vilão Bane de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. A trilha sonora aumenta a experiência sensorial, envolvendo o expectador de tal forma e ampliando a imersão nas cenas incrivelmente bem dirigidas, a fotografia é um deleite visual junto a uma edição impecável. “Mad Max: A Estrada da Fúria” não só é uma grata surpresa como um dos blockbusters mais sensacionais dos últimos anos, capaz de reciclar uma ideia já usada de forma original, resultando em um filme de ação grandiosamente divertido. Eufórico, entusiasmatico e até reflexivo, algo inédito se tratando ao gênero, haveria redenção melhor? Uma franquia que renasce merecendo uma atenção especial, pelo menos com uma primeira impressão muito boa. Que se perpetue.

Nota: 8,5/10

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