Crítica | Logan

Logan (2017); Direção: James Mangold; Roteiro: Scott Frank & James Mangold e Michael Green; Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Dafne Keen; Duração: 137 minutos; Gênero: Ação, Drama; Produção: Hutch Parker, Simon Kinberg, Lauren Shuler Donner; Distribuição: Fox Film do Brasil; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 02 de Março de 2017;

Confira, também, a crítica em vídeo de Márcio Picoli, clicando no player acima! Leia aqui sobre a vinda de Hugh Jackman ao Brasil!

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As tentativas de filmes solo do Wolverine no cinema sofreram percalços que ajudaram a condenar a ideia de derivados para super-heróis. Contudo, a desistência não é uma opção, por vezes felizmente, por outras… A verdade é que a 20th Century Fox acaba sendo culpada por alguns dos maiores fiascos nesse quesito. No que devia ser uma linha que geraria uma franquia multimilionária, X-Men: Origens – Wolverine foi uma das mais infelizes representações do herói título no cinema. Em seguida, nunca desistindo, veio uma quase certeira produção, com Wolverine: Imortal. Mas, o que havia de regular em quase dois terços do filme, se faziam de ainda mais irregulares num ato final que se mostrou um completo desastre. Anos se passaram e a tal arriscada aposta feita com Deadpool ano passado -considerado por muitos um bom filme, enquanto discordo veementemente- conseguiu um sucesso sem precedentes. Abriu-se portas, portanto, para este tão aguardado Logan. Só que a confirmação aqui não é que sangue ou violência em excesso faziam falta, mas uma séria dramaticidade ainda mais competente do que se vê nesses outros quesitos em Deadpool. Só que como um devido filme de super-herói do estúdio precisa fazer, mesmo que mais regular que seu antecessor, ainda assim se entrega a determinadas amarras que o prejudicam por demais.

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Logan consegue ser superior em diversos quesitos. Em sua construção, no entanto, encontramos vícios narrativos que vão tirando o foco daquilo que, de fato, gostaríamos de ver. A duração não é um problema, pois o filme flui muito bem. Contudo, quando olhamos o todo e encaramos com frieza, percebe-se que aqueles que podemos considerar como vilões, durante o filme, são meros ornamentos que estão ali simplesmente para fazer ponte com o universo X-Men, inclusive a cena pós-créditos vista ano passado em X-Men: Apocalipse. Só que, além de desnecessários e completamente dispensáveis para a trama, eles ofuscam uma bela metáfora que podia ali se construir. Dito isso, é ainda mais evidente como o filme parece se dividir em duas facetas diferentes. O Logan que tanto ansiei por ver batalha contra a fórmula praxe do estúdio, que se faz valer ainda mais quando o filme comete deslizes grotescos, por exemplo, como a constrangedora reprodução do vídeo de um celular em determinado momento. Há uma necessidade de tornar as coisas literais, uma falta de capacidade, e talvez confiança, em fazer funcionar elementos de forma sugestiva que ecoam, inclusive, na referência a um western durante o filme. A falta de encaixe se dá por conta da própria falta de sutileza que a produção não consegue ter para encarar esses elementos.

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Algo que funciona muito bem na relação entre o trio protagonista. A dor carregada por um abatido Logan, interpretado como nunca antes por Hugh Jackman, só perde para a participação memorável de Patrick Stewart num combalido Professor Xavier. Juntos, os dois renovam uma dinâmica que já havia funcionado antes, mas aqui potencializada pelo valor realmente dramático que possuí. O adeus eminente empresta a ambos um peso que é auxiliado por aquele de um evento somente mencionado por seus personagens. Essa sugestão, de uma tragédia pela qual os dois passaram, é como deveria funcionar o restante do filme. Porque Logan e Xavier tem reservado uma dor que compartilham igualmente, um fardo que carregam com um sofrimento, então descarregado sobre o público magistralmente. Aí entra Laura (Dafne Keen). Uma última esperança, uma oportunidade de redenção, ainda que também aceita com muita relutância. Há momentos específicos que parecem ter sido feitos sob medida para os fãs de The Last of Us, e quem sabe do que estou falando, prepare-se para uma carga emocional ainda mais densa. É óbvio, portanto, que encaramos aqui também uma relação paternal em dois níveis, e é justamente quando Logan mostra que devia apostar ainda mais numa história livre daquelas amarras, pois aqui o personagem título encara duas figuras que nunca estiveram presentes antes em sua vida.

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Uma família é o centro do filme. Não só pelo que representam os protagonistas, mas porque literalmente é quando uma família aparece, e retribuí uma solidariedade, que temos alguns dos melhores momentos. Mesmo ali vilões dão as caras. E por isso não vejo receio algum de defender o que disse sobre o problema da literalidade. Quando nos deparamos com o real vilão da trama algo fica bastante claro. O que poderia ser potencializado, certeiro e fatal para com público é o próprio embate moral de Logan e Wolverine. Sejam eles a mesma pessoa ou não, seja um a causa de tanta desgraça para o outro. Na despedida de nomes que estão marcados na memória, faltou o sacrifício final da Fox em abrir mão daquilo que já tínhamos certeza que daria errado. O embate final diz muito sobre o que é o filme, recheado de excessos dispensáveis, resta ali algo grandioso. Infelizmente, um parece também não poder viver separado do outro.

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