Crítica | John Wick: Um Novo Dia Para Matar

John Wick: Um Novo Dia Para Matar (John Wick: Chapter Two, 2017); Direção: Chad Stahelski; Roteiro: Derek Kolstad; Elenco: Keanu Reeves, Common, Laurence Fishburne, Riccardo Scamarcio, Ruby Rose, Ian McShane; Duração: 122 minutos; Gênero: Ação, Thriller; Produção: Basil Iwanyk, Erica Lee; Distribuição: Paris Filmes; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 16 de Fevereiro de 2017;

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De Volta ao Jogo, ou simplesmente John Wick, surgiu antes surpreendentemente como um bom filme de ação do que uma grande aposta de estúdio. O subsequente sucesso, tanto no cinema como em home-video, garantiu tranquilamente uma sequência ao longa estrelado por Keanu Reeves. Com isso vieram também as propícias adequações que uma sequência de filme em Hollywood traz consigo, inclusive preparar o terreno para o que agora se assimila mais a uma franquia, seja ela protagonizada por Keanu Reeves ou não. Contudo, Chad Stahelski, o ator e o estúdio parecem ao menos estarem empenhados em entregar algo digno do público, e John Wick: Um Novo Dia Para Matar não somente mantém aquilo que funcionou no primeiro filme, como consegue ser superior ao seu antecessor.

Tanto é que recompensa pelo clímax não tão interessante do primeiro filme com uma abertura que serve de prólogo para duas razões. A mais óbvia sendo estabelecer a um novo público o que é, e como funciona, esse mundo de Jonathan Wick. Resoluta a insatisfação, ainda que mínima, vale também pela participação de Peter Stormare. Só que, quando colocada lado a lado com o que veremos mais adiante, tal sequência de abertura é uma mera demonstração tanto da capacidade como do nível de ambição a que se lança este novo filme. Esbarra, porém, em certos elementos que o limitam ao filme que é.

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Ruby Rose é a principal força destes. Não que seja culpa da atriz e sua lotada agenda, após uma boa participação em Orange is the New Black. É, sim, dos filmes nos quais a atriz se envolve e o espaço de tempo entre o lançamento dos mesmos. No período de um mês outras duas sequências estreladas por ela chegaram aos cinemas: xXx: Reativado e Resident Evil: O Capítulo Final. A proposta de ação do primeiro sem dúvidas se aproxima mais do que vemos aqui, mas é inegável que uma cena climática de ação aqui não lembre o segundo filme ali mencionado. É somente uma prova de que John Wick: Um Novo Dia Para Matar tem menos requinte do que dá a entender.

O que não é desmerecer a produção, e sim aceitar que, dentro de algo ordinário, se faz algo que é extraordinário, dada a competência aqui empreendida. Ainda a exemplo de comparações, enquanto Resident Evil se aproveita de cortes rápidos e diversos takes para mascarar as coreografias falhas de suas lutas, John Wick abraça a ideia que tem de brutalidade e aposta em longos takes com sequências de ação que são de encher os olhos. Não só entretém mais, como estende um voto de confiança a seu público, demonstrando uma honestidade que, como comprova o outro filme citado, raramente se encontra, especialmente em Hollywood.

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Muito porque John Wick: Um Novo Dia Para Matar parece ter plena noção de suas limitações. Lança ideias que podem ser exploradas em prólogos de acontecimentos prévios ao primeiro filme, derivados de outros personagens e da organização central na trama, ou mesmo uma inevitável continuação com o sucesso que fará este segundo filme, mas em nenhum momento deixa de desenvolver sua narrativa ou levar a trama em frente, interrompendo o fluxo. Futuras escolhas não só são questionáveis, como devem passar por tal processo de questionamento, pois, se há algo que esta sequência ensina é que mais vale fazer algo redondo e competente, do que apostar em ideias mirabolantes ou que sirvam meramente de fachada para depositar dinheiro nos bolsos dos executivos. Assim, todos saem ganhando (mais ou menos).

Com um roteiro conciso e que não arrisca além do que deve, esta é uma sequência como poucas. Bem dirigida, a produção aproveita a expertise de Chad Stahelski e o que já havia funcionado anteriormente para criar lutas ainda mais intensas. Estas que contam com o apoio de uma envolvente atuação de Keanu Reeves e um ótimo trabalho das novas adições no elenco, como a tensa química que o protagonista exibe ao lado de Common, ou aos seus enigmáticos embates frente a personagem de Ruby Rose. O resultado do que se acresce ao orçamento faz-se valer num filme que não somente é o que quer ser, mas o que pode ser.

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