Crítica | Interestelar

Crítica | Interestelar

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Título Original: Interestellar

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Jonatan Nolan e Christopher Nolan

Produção: Christopher Nolan, Lynda Obst e Emma Thomas

Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Michael Caine, Casey Affleck, Ellen Burstyn, John Lithgow

Estreia Mundial: 7 de Novembro de 2014

Estreia no Brasil: 6 de Novembro de 2014

Gênero: Ficção Científica/Aventura

Duração: 169 minutos

Classificação Indicativa: 10 Anos

INTERSTELLAR

Interestelar vêm dividindo opiniões entre os críticos ao redor do mundo e o mesmo aconteceu aqui no Cine Eterno, por isso, resolvemos, pela primeira vez, fazer uma crítica conjunta, na qual eu, Márcio Picoli, vou falar dos “prós” e o Eduardo Gomes vai falar dos “contras” do filme.

Na história acompanhamos um grupo de exploradores que, após descobrirem a existência de um buraco de minhoca perto de Saturno, apostam todas as fichas nesse fenômeno para tentar salvar a humanidade da iminente destruição enfrentada no planeta Terra.

Interestelar por Márcio Picoli

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Lá em “Following” e “Amnésia”, já tinhamos uma noção do quão promissora a carreira de Nolan poderia ser. Bastaram mais alguns anos e uma trilogia Batman, para que nele se fixasse o status que poucos diretores da atualidade conseguem. Então chegamos em Interestelar, no qual, mais uma vez, Christopher Nolan e, seu irmão, Jonatan apostam em uma premissa complexa para ambientar sua narrativa, mas sem nunca desprezar o espectador que pode não estar muito familiarizado com o tema. Tudo isso, sempre prezando mais pela qualidade e complexidade do que pelo obvio e batido. Agora resolvem explorar o espaço, tema amplamente debatido, mas que poucos conseguem trazer com profundidade e os Nolan, conseguem fazer isso. Não da maneira brilhante como a qual Kubrick retratou com o excelente 2001: Uma Odisséia no Espaço, mas sem medo de referenciar ao mestre e, de certa forma, beber em algumas das fontes lançadas.

Se não bastasse a intenção do roteiro analisar uma série de conceitos interessantes, a produção também é ambiciosa quando nos referimos ao elenco. No conjunto, todos estão (com o perdão do trocadilho) em perfeita órbita. O destaque fica para a mais nova maravilha de Hollywood Matthew McConaughey, que não só leva boa parte da produção nas costas, como também é responsável por uma das cenas mais emocionantes da produção. Além dele, não posso deixar de dar algumas menções honrosas para Anne Hathaway, que nos entrega de maneira muito precisa a cientista Brand; Jessica Chastain no papel de Murph, filha do Cooper (McConaughey), carregando um peso dramático com muita competência; e, claro, o sempre presente, e sempre relevante Michael Cane, fazendo o papel de Michael Cane.

Por fim, como estamos num filme do Nolan, tenho que falar dos efeitos especiais que, como sempre, estão divinos. Desde a construção das naves, até os planetas visitados (mérito do departamento de arte, também), tudo é muito lindo, feito com muito cuidado analisando os mínimos detalhes, principalmente no que tange às leis da física (ou pelo menos as que eu conheço). Como o espaço é bem menor que um crítica normal, não poderei entrar em alguns outros detalhes, mesmo assim já coloco Interestelar como um dos projetos mais bonitos e ambiciosos do diretor. Fico feliz de ver Nolan tentando sair de sua zona de conforto, sempre buscando mais e, dessa vez, ele vai além, não só nas galáxias, mas em nosso interior humano.

Nota 8,5/10

Interestelar por Eduardo Gomes

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O diretor, produtor e também roteirista Christopher Nolan é um dos poucos realizadores atuais no qual se consegue juntar o gigantismo visual com o de ideias, como feito em toda sua obra, chegando ao seu ápice com “Batman – O Cavaleiro das Trevas (2007)”. Entretanto, “Interstellar” é um dos casos onde sua pretensão em se afirmar um Kubrick do século XXI o fizeram construir uma argumentação recheada de firulas e artifícios, mistura do a teoria do relativismo de Einstein com exacerbado existencialismo humano, colocando em cheque a lógica e significado do tempo e espaço. Até pode parecer algo extremamente grandioso para os fáceis de deslumbre, porém, quando maturado e devidamente refletido, é um argumento simplório quase que bobo, deixando entrelinhas que a força maior, interdimencional e onipresente é o amor, tal sentimento guiador de Cooper, desejando cumprir a promessa feita a filha que retornaria. Ora, era necessário algo tão confuso e metido a cult para enfatizar algo tão simples assim?! Longe de desmerecer o esforço dos irmãos Nolan em procurar ajuda de físicos e pessoas do meio querendo construir maior veracidade possível, contudo o grande público em si não quer um filme científico, mas algo divertido e realmente contundente, similar às obras anteriores do diretor, oposto ao longa-metragem excessivamente cansativo e seu roteiro lambuzado de múltiplas falhas.

As qualidades técnicas são inegáveis, ainda que muito ambiciosas, efeitos singelos e bem utilizados, junto com a fotografia bem filmada a proporcionar vislumbres visuais em determinados momentos. Já a trilha sonora de Hans Zimmer é similar à direção de Christopher Nolan, intensamente exagerada e até forçada, visando forçar o expectador a entrar no tranco quase que na marra, limitando suas liberdades e espontaneidade, sobretudo nos momentos de maior clímax. No campo das atuações, vale ressaltar o talento cada vez mais redescoberto de Matthew McConaughay, reiterando sua competência e capacidade como ator, se expressando de forma soberba, além dele temos a grandiosa Jessica Chastain, uma atriz sempre indispensável, desempenhando uma performance bem contida, porém transbordada de expressão, conquistando facilmente empatia aos dilemas e anseios de sua personagem. De resto, temos Michael Caine com o mesmo papel de sempre, uma ponta desnecessária e aborrecedora de Matt Damon e uma Anne Hatthaway pra lá de caricata, fora a ponta de Ellen Burstyn bem desperdiçada.

Se “Gravidade (2013)” arrebatou público e crítica com sua simplicidade grandiosa e envolvente, “Interstellar” decepciona com uma pretensão gritante e confusa, vinda de um diretor com potencial visível e já comprovado, infelizmente perdido na sua jornada para justamente “ir além”. Usando a sua própria teoria criada no filme, ou faltou amor para o Sr. Nolan ou faltou um pouquinho mais de dedicação a construir algo a altura do panteão da imortalidade além dos limites temporais e espaciais. Ou pelo menos para adquirir um merecido Oscar, não será dessa vez.

Nota: 5/10

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Comentários

comentários

3 Comments

  1. INTERESTELAR MELHOR FILME DA VIDA, EDUARDO GOMES SABE DE NADAAAAAA #VAIINTERESTELAR

  2. Pingback: Festivalizando | Me Chame Pelo Seu Nome - Cine Eterno

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