Crítica | Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

Crítica | Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

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Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

(Deepwater Horizon, 2016)

Direção: Peter Berg

Roteiro: Matthew Michael Carnahan e Matthew Sand

Elenco: Mark Wahlberg, Kurt Russell, John Malkovich, Gina Rodriguez, Dylan O’Brien, Kate Hudson, Stella Allen, Brad Leland, Douglas M. Griffin, Joe Chrest

Duração: 107 minutos

Gênero: Ação, Biografia, Desastre, Drama, Thriller

Produção: Lorenzo di Bonaventura, Mark Vahradian, Mark Wahlberg, Stephen Levinson, David Womark

Distribuição: Paris Filmes

País de Origem: EUA

Estreia no Brasil: 10 de Novembro de 2016

Horizonte Profundo 02

Horizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon) chega mais de seis anos após o trágico evento no qual é baseado, mostrando como, provavelmente, tal acontecimento não se fixou na memória de muita gente. Acontece que o filme também pouco interesse tem nesse impacto, e surge como uma proposta de elevar parte dos trabalhadores da plataforma ao patamar de heróis. A relação de como eles, na verdade, são mais vítimas do que heróis, com o fato do evento não ser algo tão difundido, revela como, por conta de seu ponto de vista, o filme falha para com a própria história que conta.

No filme, acompanhamos o desenrolar da história a partir do ponto de vista de Mike Williams (Mark Wahlberg), um engenheiro técnico responsável pela manutenção da parte técnica de diversas funcionalidades da plataforma Deepwater Horizon, da petrolífera inglesa British Petroleum (BP). Mike fazia parte da equipe comandada por Jimmy (Kurt Russell), tendo a responsabilidade de perfurar o solo e iniciar a extração do petróleo em alto mar. No entanto, com um atraso de pouco mais de 40 dias da data prevista para o início, os executivos da BP pressionaram a equipe na plataforma, os forçando a ignorar as divergências nos testes de segurança.

Horizonte Profundo 1

Alterando o ponto de vista da história para o de um funcionário sobrevivente do desastre subsequente a tal escolha, Horizonte Profundo tenta explorar algo mais prático do que teórico. Tanto que um de seus grandes atrativos são suas sequências recheadas de ação após a explosão que ocorre na plataforma em alto mar. No entanto, até que se alcance tal momento, muito ocorre previamente a isso, onde percebemos que Horizonte Profundo pode até ser prático em determinados pontos, mas se revela um filme ingênuo em inúmeros outros. A começar pelos executivos da BP e seus personagens que são estereótipos ambulantes.

Horizonte Profundo não tem interesse em burocracias, ou nada que exija algo muito complexo, seja para o público ou o próprio roteiro em si. O que acaba culminando numa vilania dos executivos interpretados por John Malkovich, Brad Leland, Douglas M. Griffin e Joe Chrest. Não que os chefões da BP não sejam culpados, pelo contrário, mas aqui passam por uma caricata toada hollywoodiana de validação de vilões, porque se há heróis de um lado, precisam haver estes de outro. Só que tudo acontece de uma maneira tão enfadonha no roteiro, culminando em cenas singelas e sustentadas em clichês, tornando a situação até um tanto infantil.

Horizonte Profundo 2

Horizonte Profundo parece ter plena consciência disso, assim se foca bastante no lado emocional da situação, mas é tão parcial que chega a decepcionar. Não é uma questão de lados, mas de nomes, dando a Mark Wahlberg um protagonismo recheado, e até exagerado, de atos de heroísmo. Não à toa há toda uma introdução e atenção, ainda que nem tanta, a família de seu personagem, com sua esposa e filha interpretadas, respectivamente, por Kate Hudson e Stella Allen. Tal escolha causa uma falta de dinamismo que ofusca, por exemplo, Kurt Russell, Gina Rodriguez e até Dylan O’Brien.

Porque enquanto prega estar tratando de um ponto de vista, dos reais heróis por trás da história, a priorização de um sob o outro é fatal a Horizonte Profundo – Desastre no Golfo. Não só porque se revela mais como uma agenda pessoal do ator protagonista e produtor do filme, como ressalta uma atuação que em nada agrega de diferencial ao filme. Tendo isso em vista, vale denotar que das atuações presentes no filme as que mais chamam atenção são as de Kurt Russell e Gina Rodriguez, o primeiro muito mais sutil e raramente, a segunda nos convencendo plenamente em determinado momento durante o clímax do filme.

Horizonte Profundo 3

Mas não só interesses próprios causam um conflito no resultado final, mas também um roteiro que pouco faz, tanto ao filme como a seus atores. Encabeça a lista o diretor Peter Berg, tido como uma espécie de Michael Bay menos sucedido, que não consegue gerar uma catarse forte o suficiente para complementar a proposta fundamental de seu filme. Inclusive as próprias sequências de ação na plataforma acabam não sendo tão atrativas, fazendo com que, no todo, Horizonte Profundo de fato funcione somente em alguns poucos momentos, quando não insiste numa risível recriação digital do cano submerso da plataforma.

Para fazer jus a seus heróis, Horizonte Profundo – Desastre no Golfo precisava ser mais imparcial com eles, não selecionando entre um ou outro. Mais surpreendente ainda é quando, mesmo com a vilania da BP, o filme consegue enaltecer um patriotismo norte-americano, como se os Estados Unidos fossem completamente isentos de culpa na tragédia. A maior tragédia é, entretanto, como Horizonte Profundo banaliza o desastre ambiental embasado nesse patriotismo, fadando o maior derramamento de óleo no mar na história da humanidade, em um filme desastre com uma única função de entretenimento para o público. Assim, se ressalta o heroísmo impressionante de alguns, mas se releva a ignorância do risco sem precedentes de todo o restante.

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