Crítica | Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, 2017); Direção: Jon Watts; Roteiro: Jonathan Goldstein & John Francis Daley e Jon Watts & Christopher Ford e Chris McKenna & Erik Sommers; Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Jacob Batalon, Robert Downey Jr., Marisa Tomei, Bokeem Woodbine, Laura Harrier, Jon Favreau, Zendaya; Duração: 133 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Comédia,; Produção: Kevin Feige, Amy Pascal; Distribuição: Sony Pictures; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 06 de Julho de 2017

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Amarga-se tanto as tentativas da Sony com seu super-herói carro chefe que, por vezes, o próprio estúdio parece esquecer o que conquistou no início dos anos 2000, quando em meia-década de um novo século os dois filmes do Homem-Aranha que chegavam ao cinema basicamente revolucionavam um gênero que, atualmente, mergulha na saturação, mas não encontra no horizonte nenhum indicativo de que é a hora de parar. Eis que não se teme, portanto, algo como um segundo reboot no mesmo período necessário para se alçar a primeira tentativa a um sucesso absoluto. A pressão sobre Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming) está não só por essa proximidade entre os equívocos vivenciados menos de meia década atrás, mas pelo retorno do super-herói ao Marvel Studios, atualmente responsável pelos maiores sucessos do gênero, em qualidade -discutível- e bilheteria. A parceria entre os estúdios, que é bastante delicada, ao menos se faz um acerto. Essa nova aventura está longe do que Sam Raimi proporcionou 15 anos atrás, quando esse novo Homem-Aranha sequer falava, contudo, também é mais leve, um casamento perfeito com a nova proposta, e muito menos conturbada que seus antecessores, a ponto de ser um alívio ao espectador, que ao menos não se encontrará, de forma alguma, aborrecido durante o filme.

As referências são claras, a principal delas, John Hughes, até sendo apresentada de forma literal em determinada cena do filme. O que dá um indicativo do quão enérgico é esse novo Homem-Aranha. Tudo condizente, também, com a idade do jovem protagonista e seus colegas; elétricos, sonhadores, cheios de planos para o futuro e se aproximando da hora de tomar algumas das decisões mais importantes na vida. Não é nenhuma novidade, mas aqui é muito bem-vindo pela funcionalidade que emprega. Se o elenco juvenil serve mais como um elemento de alívio cômico, onde momentos de grande tensão, apesar de presentes, se fazem raros, acaba sendo algo bastante orgânico, assim tornando as piadas uma parte necessária. Há um equilibro entre esses momentos, quando não são bem-vindas, piadas não aparecem, mas quando utilizadas pelo protagonista vão de encontro justamente a uma de suas principais características, do viés cômico. Méritos do sucesso dessa dinâmica podem ser divididos entre o timing implementado por Jon Watts, o diretor, bem como pelo elenco, especialmente os “adolescentes”. É difícil classificar qualquer núcleo do filme como bem resolvido, mas, mesmo superficial como é, o elenco coadjuvante juvenil acaba se provando a melhor coisa nessa fase de um novo Homem-Aranha.

É compreensível a falta de desenvolvimento dos personagens coadjuvantes, ainda mais em um filme cuja personagem título tem de obrigatoriamente ser o grande atrativo, mas, se há algo que deixa a desejar, isso é a saturação de nomes no elenco. Obviamente que é diferente do que foi visto na tosca tentativa de construção de Universo compartilhado nos dois filmes da franquia O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man), contudo, há uma enxurrada de grandes nomes que, literalmente, aparecem apenas em duas ou três cenas durante todo o filme, algumas que devem durar cerca de trinta segundos. São principalmente nomes conhecidos na televisão, o que é agradável por sabermos que bons atores estão sendo empregados, mas é um imenso desperdício de talento. Aí vamos de participações pífias de Selenis Leyva (Orange is the New Black), Angourie Rice (Dois Caras Legais) e Abraham Attah -estes dois últimos jovens talentos reconhecidos por filmes, é verdade- a reduções simplistas e que seguem à risca uma fórmula, como nos casos de Donald Glover (Atlanta) e Bokeem Woodbine (o Mike Milligan de Fargo). Por mais que ligeiras participações, em momentos, façam parte da proposta de uma rápida montagem, ditando o ritmo com cortes que imprimem a característica de seus personagens e a interação entre eles, se sobrecarregam tramas para dedicar atenção a algo que se faz dispensável.

No fim das contas isso se reflete nas motivações do vilão, porque as voltas que são dadas para a construção de um antagonista se revelam, se não infundadas, então vazias. Se as motivações são fajutas e estão ali somente para ganhar tempo, ou desperdiçar se preferir, uma reviravolta torna o embate entre herói e antagonista mais interessante. Por não ser uma história de origem, sequer é lidada com a trama da perda familiar de Peter Parker (Tom Holland), sendo referenciada indiretamente numa rápida menção e na preocupação da Tia May de Marisa Tomei -que apesar disso serve mais como alívio cômico. A noção que já se tem disso, entretanto, alimenta com elementos externos ao filme alguns dos impasses entre o Abutre de Michael Keaton (Spotlight: Segredos Revelados) e o Homem-Aranha. No geral, o vilão -antigo sonho dos executivos da Sony em adaptar às telas- é bastante desinteressante, tanto pelos motivos já comentados como pela falta de algo mais concreto, culminando em um embate final entre ambos que soa até anticlimático. A intenção parece, em parte, visar o futuro da franquia, o que deixa no ar a sensação de que falta algo. Ainda mais quando surge posteriormente a uma brusca, e justificada, mudança de tom, quando ambos os personagens se encontram na reviravolta que rende, possivelmente, a melhor sequência do filme.

Há inconstâncias durante Homem-Aranha: De Volta ao Lar, mas Tom Holland (No Coração do Mar) é um bom protagonista que consegue conduzir nossa atenção e cresce com o personagem dentro do filme. O que torna mais sustentável a participação de Robert Downey Jr., bem como as incansáveis menções aos Vingadores. Há um receio, em ter de fazer esse personagem parecer uma figura realmente atuante no grupo de heróis, que inclusive rende piadas com a própria situação. Esse elemento, durante o filme, desvia o foco do protagonista e também se vê saturado, o que é uma pena não por prejudicar a fluidez do filme, mas por parecer desacreditar no próprio herói. Se há algo que fica claro, é que o Homem-Aranha de Tom Holland tem força mais que suficiente para sustentar um filme solo e isso fica provado com o alívio de não nos depararmos com outra história de origem. A sensação de novidade é evidente, e aspira a favor do filme. Existem muitas qualidades individuais, mas a principal aqui é a coletiva, e não diz respeito aos vilões que terão de ser enfrentados. Quando vierem, que sejam trabalhados com calma, mas um mergulho digno, também, seria se aprofundar nesse cotidiano que rodeia Peter Parker, afinal, é o ambiente envolvente criado junto dos coadjuvantes colegas do protagonista que dão vitalidade a este novo filme.

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