Título Original: Hercules

Direção: Brett Ratner

Roteiro: Ryan Condal e Evan Spiliotopoulos

Elenco: Dwayne Johnson, Ian McShane, Rufus Sewell, John Hurt, Tobias Santelmann, Joseph Fiennes

Produção: Barry Levine, Brett Ratner e Beau Flynn

Estreia Mundial: 25 de Julho de 2014

Estreia no Brasil: 4 de Setembro de 2014

Gênero: Ação/Aventura

Duração: 98 minutos

Classificação Indicativa: 14 Anos

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Depois do Hércules que estreou no início desse ano, fiquei com um trauma relacionado ao personagem, pois essa película tinha uma produção vergonhosa, uma direção pedestre, atuações, então, nem se fala. Kellan Lutz não serve para mais nada a não ser ficar sem camisa fazendo papel de bonitão. Este segundo Hércules, é superior em todos os quesitos: é mais bem produzido, mais bem dirigido e, o mais importante, o protagonista tem o peso necessário para sustentar toda a projeção. Muito disso devido ao carisma de Dwayne Johnson o qual, mesmo se levando a sério nessa produção, não tem medo de aparentar estar se divertindo no papel, contagiando não só o espectador, como também a todos ao seu redor.

Sem dar muita atenção para, a película inicia com uma breve apresentação de Hércules e seu passado, expondo quase que fielmente a mitologia do semi-deus, passando pelo episódio do enforcamento das duas cobras quando bebê, até os famosos 12 trabalhos nos quais o personagem é obrigado a prestar após, por causa de Hades, matar sua família. Isso serve apenas como base para a construção da história, pois o que é visto na projeção é o ocorrido depois dessa passagem. Hércules acaba se juntando a mais seis mercenários para poder se manter. Então, ele é recrutado pelo Rei da Trácia (interpretado pelo excelente John Hurt) para treinar o exército contra a ameaça do impiedoso Resso (Tobias Santelmann).

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Esse treinamento, entretanto, acaba sendo mais que apenas uma busca por ouro, mas uma questão de acerto de contas com o passado. Hércules ainda vive assombrado pelo fato de ter matado sua família e aqui, começamos a ver as camadas dadas pelos roteiristas Ryan Condal e Evan Spiliotopoulos ao personagem que não é apresentado como Deus, mas, sim, como um humano com fragilidades e receios. Esse fato, porém, não atrapalha a força do protagonista, uma vez que ele nas cenas de batalha massacra os adversários. Não posso deixar de dar crédito ao filme por causa disso, é tão mais fácil, simplesmente, colocá-lo como Deus e deixar por isso, mas, não, eles vão mais a fundo e o resultado é uma maior empatia com a figura.

O diretor Brett Ratner (que tem altos como Prision Break e baixos como X-Men: O Confronto Final na carreira) aqui acerta muito bem em sua maneira de conduzir a narrativa. Ele consegue chegar a um meio termo entre o drama e a diversão, sem deixar com que fique enfadonho como o Hércules do início do ano que insistia em um dramalhão extremamente superficial. Ratner, mesmo não ousando muito na sua direção, nos entrega um produto de qualidade. Ele acerta nas suas escolhas de construção de quadro, quase sempre mantendo Hércules centralizado e mostrando sua imponência, mesmo quando o personagem está em dificuldade. Além disso, ele sabe posicionar muito bem a sua câmera nas cenas de batalha, estabelecendo uma coerente geografia.

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O 3D, contudo, faz um desfavor ao trabalho do diretor, limitando-se apenas a jogar objetos na cara do público do que realmente inseri-lo na narrativa, através da profundidade. Além disso, não realça a instável direção de arte, responsável pelos lindos cenários de Atenas e, também, pela vergonhosa construção nas primeiras cenas de batalha que mais lembram um telefilme do que um Blockbuster de verão.

Entre altos e baixos, Hércules se destaca pela diversão proporcionada. Não é o melhor filme de ação do ano, mas também não é mais um daqueles genéricos caça-níquel que sempre chegam ao cinemas, por esse meio termo que consegue atingir, muito graças ao carisma do protagonista, consegui esquecer o péssimo homônimo de Janeiro. Só por isso, já merece a minha gratidão.

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