Crítica | O Estranho Que Nós Amamos

O Estranho Que Nós Amamos (The Beguiled, 2017); Direção: Sofia Coppola; Roteiro: Sofia Coppola; Elenco: Colin Farrell, Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning, Oona Laurence, Angourie Rice, Addison Riecke, Emma Howard; Duração: 93 minutos; Gênero: Drama; Produção: Youree Henley, Sofia Coppola; Distribuição: Universal Pictures; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 10 de Agosto de 2017.

Confira, também, a crítica em vídeo de Márcio Picoli, clicando no player acima! Aproveite e clique aqui para conhecer o nosso canal do YouTube.

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O Estranho Que Nós Amamos (The Beguiled) não é um filme de fácil digestão, tanto por sua temática como por seu ritmo. A primeira coisa envolve a produção em polêmica por escolhas que Sofia Coppola realiza, retirando uma personagem negra e escrava, que se fazia presente no livro de 1966 e na adaptação homônima aos cinemas de 1971, protagonizada por Clint Eastwood; obras que são ambas creditadas como inspiração para o roteiro da cineasta. Vale notar, inclusive, que as personagens femininas fazem parte da região sulista dos Estados Unidos, que era escravagista e defendida pelo exército confederado. São dados que ajudam a levantar hipóteses sobre as escolhas feitas, mas é verdade que aqui a narrativa parece mais enxuta e dá a essas mulheres uma ambiguidade a ser explorada enquanto mantém em foco a profundidade da temática que interessa a Coppola. Não se faz, portanto, um problema, principalmente pela maneira como é conduzido o filme. Já a segunda coisa é onde para a cineasta o tempo parece algo relativo em suas obras, e diretamente proporcional ao que vivem seus personagens, portanto o ritmo se adequa ao estado em que se encontram as protegidas da Sra. Farnsowrth (Nicole Kidman), onde vemos um medo simultaneamente distante, mas a espreita, que se faz ouvir e sentir mais do que se desejaria.

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O som longínquo das explosões na batalha travada pela Guerra Civil se faz um incomodo constante, que ajuda a estabelecer o clima pelo qual Sofia Coppola busca. Uma insegurança que paira sobre o ar desde o princípio, mas que de forma magistral sofre uma transição quando as mulheres deixam o inimigo adentrar em sua casa. As cenas para demonstrar os dois momentos, da chegada e despedida da casa, ao personagem de Colin Farrell (Animais Fantásticos e Onde Habitam), constroem uma narrativa circular que é utilizada de maneira memorável pela cineasta, conversando com a crescente tensão que toma conta dos personagens e do desenvolvimento ao qual são submetidos através da jornada que aqui vemos se desenrolar. O Estranho Que Nós Amamos é um filme que une essas diferentes mulheres num consenso bastante comum, desenvolvendo todo um processo que as coloca como vulneráveis, e pondera sobre isso, para então liberta-las de uma construção social conservadora e moralista, as fazendo questionar, junto do espectador, suas próprias atitudes. Existem paralelos ao contemporâneo que são assustadores, e Sofia Coppola é tão ciente disso, e da força que tem essa história, que pouco precisa se esforçar para que se façam essas conexões. Refletir e contemplar sobre a totalidade desta obra é um feito indispensável e inevitável.

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É fácil constatar que esse não é, no todo, o melhor trabalho de Sofia Coppola, longe disso. Ainda assim, O Estranho Que Nós Amamos é outra grande obra e que merece tanta atenção quanto suas outras produções. Há tanto o que se admirar aqui, da afinidade técnica presente em cada aspecto ao delicado trabalho do elenco na construção dos personagens, e assim por diante. Nicole Kidman (Big Little Lies) coroa aqui o ano brilhante em sua carreira, enquanto Elle Fanning (A Lei da Noite) certifica que é um talento à espera do momento certo para enfim se consagrar. Colin Farrell, assim como o restante das jovens coadjuvantes, faz um trabalho à altura do que se espera. Entretanto, quem rouba a cena é Kirsten Dunst (Estrelas Além do Tempo), muito por conta do arco que envolve sua personagem, talvez o mais complicado do filme, mas sem dúvidas também pelo que atriz emprega para expressar a gama de sentimentos aos quais a personagem da mesma é submetida durante o filme. É difícil dizer que um trabalho assim possa ser belo, mas o é justamente por se mostrar visceral quando precisa, seja na toada de sua narrativa, seja em seu espectro imagético. Consistente em ambas as frentes, nas quais afronta e constrange o espectador, nas quais se estabelece com franqueza admirável e se faz voraz sobre seu próprio discurso.

Geralmente ilustramos os finais das críticas com o trailer do filme em questão. Devido aos spoilers que contém o de O Estranho Que Nós Amamos, recomendamos que assista sem ver a prévia.

Crítica | O Estranho Que Nós Amamos

O Estranho Que Nós Amamos (The Beguiled, 2017); Direção: Sofia Coppola; Roteiro: Sofia Coppola; Elenco: Colin Farrell, Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning, Oona Laurence,

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Edição
Summary
80 %
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  1. Pingback: Crítica | A Morte Te Dá Parabéns! (2017) - Cine Eterno

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